Mais de 3 mil crianças são registradas anualmente sem o nome do pai no Espírito Santo, revelam dados recentes do Sindicato dos Notários e Registradores do Estado do Espírito Santo (Sinoreg-ES). Desde 2020, aproximadamente 21 mil crianças foram registradas apenas com o nome da mãe, configurando um problema grave de ordem social e jurídica que reflete uma realidade preocupante e persistente em nível nacional.

O impacto da ausência de paternidade no registro

De acordo com o defensor público Rodrigo Borgo Feitosa, a ausência do nome do pai no registro civil acarreta diversos prejuízos para a criança. Entre os mais significativos estão a impossibilidade de requerer pensão alimentícia, o direito à herança e até o acesso a benefícios previdenciários. Além disso, há impactos emocionais e psicológicos, que podem afetar o desenvolvimento da criança ao longo da vida.

Dados revelam panorama preocupante

Os números divulgados pelo Sinoreg-ES não apenas destacam a dimensão da problemática no Espírito Santo, mas também chamam atenção para sua persistência em níveis elevados. Desde 2020, quase 21 mil crianças foram registradas sem o nome paterno, evidenciando desafios estruturais e sociais que ainda carecem de solução eficaz.

Questão histórica e estruturais sociais

Segundo Bárbara Nespoli, advogada e vice-presidente da Comissão de Direito de Família da OAB-ES, essa situação reflete a ausência de responsabilidade paterna e dificuldades no acesso à Justiça. Nespoli aponta que o problema, embora histórico, continua a apresentar índices alarmantes, exigindo atenção e ações concretas para mitigação.

Processo de registro sem o nome do pai

Rodrigo Borgo explica que, em casos onde o pai não é localizado ou se recusa a reconhecer a paternidade, a criança pode ser registrada exclusivamente com o nome da mãe. Entretanto, há pré-requisitos: se a mãe for casada ou tiver união estável reconhecida oficialmente, ela pode registrar a criança com o nome do pai devido à presunção legal de paternidade. Fora dessas condições, a mãe deve buscar a Defensoria Pública para iniciar o processo legal.

Procedimentos legais para reconhecimento de paternidade

Quando o pai se recusa a reconhecer a paternidade voluntariamente, a solução passa pela atuação da Defensoria Pública. O defensor público pode solicitar a presença do pai e tentar convencê-lo a reconhecer a criança. Caso o homem aceite, um termo de reconhecimento é lavrado e encaminhado ao cartório. Se houver recusa, a Defensoria ajuíza uma ação de investigação de paternidade, garantindo o direito à ampla defesa.

Impactos sociais e emocionais

A ausência do nome do pai no registro civil pode gerar impactos profundos na vida do filho. Além das dificuldades jurídicas, como acesso à pensão alimentícia e herança, os efeitos emocionais e psicológicos podem ser duradouros. A falta de reconhecimento paterno afeta a autoestima e o senso de identidade da criança, criando barreiras para o desenvolvimento saudável.

Propostas para mitigação do problema

Especialistas apontam medidas que podem reduzir os casos de crianças registradas sem o nome do pai. Entre elas estão: investimento em políticas públicas voltadas para o reconhecimento voluntário, ampliação do acesso a exames de DNA gratuitos e conscientização sobre a responsabilidade paterna. Além disso, o Judiciário deve garantir mecanismos eficazes para investigação de paternidade.

O papel da Defensoria Pública

A Defensoria Pública desempenha um papel crucial na busca por soluções para esses casos. Ela oferece suporte jurídico às mães e busca meios legais para o reconhecimento de paternidade, promovendo a inclusão social e o acesso aos direitos da criança. Informações sobre atendimento podem ser encontradas no site oficial: www.defensoria.es.def.br.

Repercussões jurídicas e sociais

A ausência do nome do pai no registro civil não é apenas uma questão individual; é também um reflexo de desigualdades nas relações de gênero e fragilidade na responsabilização masculina. Esse cenário demanda ações integradas entre sociedade, governo e Judiciário para garantir os direitos das crianças e promover mudanças culturais significativas.

A importância do reconhecimento de paternidade

O reconhecimento de paternidade vai além do registro civil. Ele é fundamental para garantir a identidade da criança e o acesso a direitos como herança, benefícios previdenciários e pensão alimentícia. Sem esse reconhecimento, a criança fica vulnerável e desprotegida, tanto juridicamente quanto emocionalmente.

A Visão do Especialista

O defensor público Rodrigo Borgo e a advogada Bárbara Nespoli destacam a necessidade de ações coordenadas para enfrentar o problema da ausência de paternidade no registro civil. Fortalecer políticas públicas, garantir acesso à Justiça e promover conscientização são passos fundamentais. Investir na educação e sensibilização sobre a responsabilidade paterna pode gerar impactos positivos e reduzir significativamente os casos relatados.

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