O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, solicitou que os países integrantes do BRICS condenem os Estados Unidos e Israel por supostas violações do direito internacional, durante um encontro de chanceleres em Nova Delhi, Índia. A reunião, realizada em 16 de maio de 2026, também abordou os impactos da guerra no Oriente Médio sobre a energia e a navegação, em um momento de forte tensão geopolítica.

Ministro das Relações Exteriores da Rússia em reunião com outros líderes do BRICS.
Fonte: www.brasil247.com | Reprodução

O contexto da declaração iraniana

O pedido de Araghchi ocorre em meio a um cenário de intensificação do conflito entre os EUA, Israel e o Irã. Desde o final de fevereiro de 2026, a região tem sido palco de confrontos diretos, com ataques mútuos que envolveram, inclusive, infraestruturas militares norte-americanas situadas em Estados do Golfo, como os Emirados Árabes Unidos. Segundo o chanceler iraniano, o Irã tem sido vítima de expansionismo ilegal e belicismo, uma acusação que reflete a longa história de tensões entre as nações.

A posição do BRICS e a expansão do bloco

O BRICS, grupo inicialmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, recentemente ampliou sua composição para incluir novos países como Egito, Etiópia, Indonésia, Irã e Emirados Árabes Unidos. Essa expansão foi oficializada em 2024, com o objetivo de fortalecer a cooperação multilateral entre economias emergentes e criar um contrapeso ao domínio econômico e político das potências ocidentais.

No entanto, a inclusão de países com posições divergentes, como Irã e Emirados Árabes Unidos, em um contexto de guerra regional, torna as negociações internas mais complexas. Durante a reunião, Araghchi acusou diretamente os Emirados de envolvimento em operações militares contra o Irã, o que gerou tensões evidentes no encontro.

As acusações contra os Emirados Árabes Unidos

De acordo com a agência iraniana Mehr, o chanceler Araghchi afirmou que os Emirados Árabes Unidos estariam diretamente envolvidos em ações militares contra o Irã, alinhando-se às operações dos Estados Unidos na região. Embora não tenha ficado claro se houve uma resposta oficial por parte dos Emirados durante o encontro, a declaração de Araghchi evidencia um agravamento nas relações bilaterais entre os dois países.

Os interesses estratégicos no Oriente Médio

A região do Oriente Médio é historicamente marcada por disputas geopolíticas e pelo interesse estratégico de potências globais, especialmente devido às vastas reservas de petróleo e gás natural. Os recentes confrontos entre EUA, Israel e Irã geraram impactos significativos no fornecimento global de energia e no tráfego marítimo no Golfo Pérsico, uma rota crítica para o comércio internacional.

Além disso, o envolvimento de países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, aliados tradicionais dos Estados Unidos, intensifica as divisões políticas e militares na região. O pedido do Irã para que o BRICS condene a hegemonia ocidental reflete sua tentativa de mobilizar apoio entre as economias emergentes contra o que considera um sistema internacional injusto.

O papel do BRICS na governança global

O BRICS tem se posicionado nos últimos anos como uma alternativa ao sistema estabelecido liderado por países ocidentais. Com a expansão do bloco, o grupo agora reúne nações que representam mais de 40% da população mundial e uma parcela significativa do PIB global. Apesar disso, as divergências internas, especialmente em questões de segurança e política externa, representam desafios para a consolidação de uma posição unificada em temas sensíveis como a guerra no Oriente Médio.

Impactos no mercado de energia e comércio global

A guerra entre os EUA, Israel e o Irã tem causado volatilidade nos preços do petróleo e do gás natural. O Golfo Pérsico, sendo uma das principais regiões exportadoras de energia, é vital para o abastecimento global. Qualquer interrupção no tráfego marítimo ou na produção de petróleo pode ter impactos significativos nos mercados internacionais, levando a aumentos nos preços de combustíveis e potenciais crises econômicas em países dependentes de importações energéticas.

País Posição sobre o conflito Aliança
Irã Acusa EUA e Israel de agressão Alinhado a Rússia e China
Emirados Árabes Unidos Aliado dos EUA Parte da coalizão liderada pelos EUA
Brasil Neutralidade oficial Busca mediação diplomática

Desdobramentos esperados

Enquanto o BRICS tenta se consolidar como um fórum de cooperação multilateral, o posicionamento sobre conflitos como o do Oriente Médio pode expor divisões internas. A presença de países com visões opostas, como Irã e Emirados, representa um teste para o bloco, que busca se apresentar como uma alternativa ao modelo de governança internacional liderado pelo Ocidente.

Além disso, os desdobramentos da guerra no Oriente Médio continuarão a influenciar a economia global, especialmente no que diz respeito ao mercado de energia. A postura do BRICS pode ser um indicativo de sua capacidade de atuar como uma voz unificada em questões internacionais complexas.

A visão do especialista

Especialistas em relações internacionais apontam que o apelo do Irã ao BRICS é uma estratégia para buscar legitimidade e apoio em um momento de isolamento político e econômico. No entanto, as divergências internas do bloco podem limitar sua capacidade de ação conjunta, especialmente em questões sensíveis como o conflito no Oriente Médio.

O futuro do BRICS dependerá de sua habilidade em equilibrar os interesses de seus membros, promovendo a cooperação sem comprometer sua coesão interna. A guerra no Oriente Médio pode servir como um catalisador para debates mais amplos sobre o papel do grupo na ordem mundial emergente.

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