Irã rejeita a retórica de Donald Trump e mantém firmes as "linhas vermelhas" nas negociações com os Estados Unidos. Em declaração oficial feita em 29 de maio de 2026, o parlamentar Ebrahim Azizi afirmou que Teerã não abrirá mão do direito ao enriquecimento de urânio, do controle sobre o Estreito de Ormuz e da exigência de levantamento das sanções econômicas.

Contexto histórico das tensões Irã‑EUA
O impasse remonta à ofensiva conjunta dos EUA e Israel em 28 de fevereiro de 2026. A operação, apresentada como resposta a supostos ataques iranianos, visou "derrubar o sistema islâmico do Irã", mas não alcançou os objetivos estratégicos declarados.
As "linhas vermelhas" declaradas por Teerã
Azizi enumerou três pilares inegociáveis: enriquecimento de urânio, soberania sobre o Estreito de Ormuz e a revogação das sanções. Essa postura foi publicada em sua conta oficial nas redes sociais, reforçando a mensagem de que a política de Washington não pode forçar recuos.
Reação de Donald Trump
O presidente dos EUA alternou ameaças e apelos por um acordo, numa estratégia que Azizi qualificou como "alternância entre ameaças e apelos". Trump anunciou, em 7 de abril, um cessar‑fogo unilateral, prorrogando‑o posteriormente e sinalizando a possibilidade de um memorando de entendimento.
Impacto no mercado de energia
O controle do Estreito de Ormuz afetou diretamente os preços globais do petróleo e da gasolina nos EUA. A restrição ao tráfego marítimo elevou o preço do barril em até 4 %, pressionando ainda mais a já baixa aprovação popular de Trump.
Cronologia dos principais acontecimentos
- 28/02/2026 – Ataque conjunto EUA‑Israel contra alvos iranianos.
- 07/04/2026 – Anúncio de cessar‑fogo unilateral por Trump.
- 15/04/2026 – Prorrogação do cessar‑fogo e início de diálogos preliminares.
- 29/05/2026 – Declaração de Azizi sobre as "linhas vermelhas".
Posição da Guarda Revolucionária Islâmica
A Guarda descreveu a situação econômica dos EUA como um "desastre econômico" que os faria "implorar" por negociação. Em comunicado, o órgão ressaltou que a pressão inflacionária nos EUA poderia acelerar concessões diplomáticas.
Declarações de Ali Baqeri Kani
Baqeri Kani, secretário adjunto do Conselho Supremo de Segurança Nacional, enfatizou que o trânsito no Estreito é responsabilidade dos países fronteiriços. Ele informou que Irã e Omã negociam nova estrutura de passagem, excluindo o estoque de urânio enriquecido da agenda de conversas.
Aspectos legais e internacionais
O direito ao enriquecimento de urânio está amparado pelos Artigos 2 e 4 do Tratado de Não‑Proliferação (TNP), ao qual o Irã é signatário. Contudo, as sanções impostas pelos EUA violam resoluções do Conselho de Segurança da ONU, criando um impasse jurídico.
Repercussão nas organizações multilaterais
A ONU e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) acompanharam as declarações iranianas, pedindo transparência. Relatórios recentes indicam que o estoque de urânio enriquecido permanece dentro dos limites acordados em 2015, porém sem inspeções completas.
Comparativo de sanções e respostas econômicas
| Sanção | Alvo | Impacto econômico (USD) |
|---|---|---|
| Sanção de 2024 (OFAC) | Setor bancário iraniano | ≈ 3 bilhões |
| Sanção de 2025 (EU) | Exportação de petróleo | ≈ 5 bilhões |
| Sanção proposta 2026 (US) | Enriquecimento de urânio | ≈ 2 bilhões |
Perspectivas de negociação
Especialistas apontam que a manutenção das "linhas vermelhas" pode prolongar o impasse, mas também reforça a posição de barganha de Teerã. A dinâmica entre pressão econômica e risco de escalada militar será decisiva nos próximos meses.
A Visão do Especialista
Analistas de relações internacionais concluem que o Irã está adotando uma estratégia de "soberania reforçada" para extrair concessões. Caso Washington não ofereça alívio significativo nas sanções, o risco de novas interrupções no Estreito de Ormuz aumenta, o que pode desencadear volatilidade nos mercados de energia e exigir intervenção diplomática multilatera.
Compartilhe essa reportagem com seus amigos.
Discussão