O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder chinês Xi Jinping realizaram uma conversa telefônica de mais de uma hora neste domingo, 26 de julho de 2026, segundo comunicado oficial do Itamaraty. O diálogo abordou temas estratégicos como cooperação em terras-raras, inteligência artificial e o acordo Mercosul-China, além de tratar de questões globais como a governança da ONU e a guerra no Oriente Médio.

Por que as terras-raras são estratégicas?

As terras-raras são um grupo de 17 elementos químicos cruciais para tecnologias modernas, como baterias, equipamentos médicos, semicondutores e veículos elétricos. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial, com cerca de 21 milhões de toneladas, tornando-se um ator estratégico nesse mercado. Entretanto, a China domina o refino global desses minerais, controlando aproximadamente 85% da produção mundial.

Interesses geopolíticos em torno das terras-raras

Os Estados Unidos têm intensificado sua atenção sobre as reservas brasileiras de terras-raras, visando reduzir sua dependência da China. Por outro lado, a China busca fortalecer sua posição global, mantendo o domínio sobre o refino e incorporando novos fornecedores, como o Brasil, à sua cadeia de suprimentos. Esse cenário cria uma disputa geopolítica que pode moldar o futuro do mercado global desses minerais.

Inteligência artificial: uma nova fronteira

No campo da inteligência artificial, Brasil e China estão explorando formas de cooperação. A China é líder mundial no desenvolvimento de IA, enquanto o Brasil busca expandir sua capacidade tecnológica. Segundo especialistas, a parceria pode incluir transferência de tecnologia, capacitação de profissionais brasileiros e investimentos em infraestrutura digital.

Comércio bilateral e o impacto das tarifas

Os líderes destacaram os "bons resultados" da relação comercial entre os países, mas a chamada não abordou diretamente a tarifa de 55% que pode ser aplicada às exportações de carne bovina brasileira à China. Essa tarifa foi implementada após o Brasil atingir sua cota de exportação, definida em dezembro de 2025, conforme dados da Abiec.

O acordo Mercosul-China: avanços e desafios

Lula expressou o desejo de acelerar as negociações para um acordo Mercosul-China, que foi bem recebido por Xi Jinping. Esse acordo representa uma oportunidade estratégica para o Brasil e seus parceiros do Mercosul, mas também enfrenta desafios significativos, como harmonização de tarifas e regulamentações comerciais.

Cronologia da relação Brasil-China

  • 2010: China se torna o maior parceiro comercial do Brasil.
  • 2023: Brasil e China iniciam discussões sobre cooperação em tecnologia.
  • 2026: Lula e Xi Jinping conversam sobre terras-raras e IA.

Repercussão no mercado global

A conversa entre Lula e Xi Jinping gerou especulações no mercado global. Enquanto investidores veem potencial na colaboração em terras-raras, analistas alertam para os riscos de uma dependência excessiva da China. A disputa entre Estados Unidos e China também adiciona um elemento de instabilidade ao cenário.

Indicadores econômicos

Elemento Reserva Brasileira Produção Global (China)
Terras-raras 21 milhões de toneladas 85% do refino mundial

O papel do Brasil na governança global

A conversa também abordou a governança da ONU, com Lula defendendo reformas que tornem a estrutura mais inclusiva. A China, como membro permanente do Conselho de Segurança, tem interesse em manter sua influência, enquanto o Brasil busca maior protagonismo no cenário internacional.

A Visão do Especialista

Especialistas apontam que a conversa entre Lula e Xi Jinping representa uma oportunidade estratégica para o Brasil diversificar suas parcerias comerciais e avançar em setores de alta tecnologia. Contudo, é crucial que o Brasil negocie termos que garantam soberania sobre seus recursos naturais e evite dependências excessivas. Os próximos meses serão decisivos para entender os desdobramentos dessa parceria.

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