Em fevereiro de 2019, o Banco Central (BC) vetou a compra do Banco Máxima por Daniel Vorcaro, apontando que o controlador já utilizava um esquema de ciranda financeira para capitalizar a instituição que, em 2021, se transformou no Grupo Master.

Contexto da aquisição do Banco Máxima

O Banco Máxima, em dificuldades financeiras, buscava um novo controlador para evitar a liquidação ordenada pelo BC. Em setembro de 2017, Vorcaro assinou contrato para adquirir 56,87 % das ações por R$ 40 milhões, valor que seria parcialmente pago em cotas do fundo Brazil Realty.

O esquema de ciranda financeira identificado

Investigações do BC revelaram que os recursos usados na operação circulavam entre empresas controladas por Vorcaro, sem entrada de capital externo. A Viking Participações, empresa de aviação do controlador, transferiu lucros provenientes de reavaliações de ativos para financiar a compra.

OperaçãoValor (R$ milhões)
Compra de ações de Saul Sabbá40,0
Aporte inicial de capital48,1
Aporte adicional22,5
Investimento em Brazil Realty (2017)≈2,6 milhões de cotas

Cronologia dos fatos

  • 2016 – Viking registra investimentos de R$ 112,5 milhões e valorizações extraordinárias em imóveis.
  • Set 2017 – Subscreve cotas do fundo Brazil Realty mediante transferência de ações da WWS.
  • Set 2017 – Nova subscrição de cotas, completando a transferência das ações restantes.
  • Set 2017 – Vorcaro firma contrato para compra de 56,87 % do Máxima por R$ 40 milhões.
  • Fev 2019 – BC propõe veto à operação, citando falta de comprovação da origem dos recursos.
  • Out 2019 – Aprovação de nova tentativa de compra após revisão de plano de negócios.
  • 2021 – Banco Máxima é rebatizado como Master, integrando o conglomerado de Vorcaro.

Reação das autoridades regulatórias

O diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do BC, Sidnei Corrêa Marques, destacou que a circularização de recursos viola normas de origem lícita de capital. O voto do BC apontou que "expressiva parcela de recursos foi originada no próprio Banco Máxima, mediante transferências em sequência".

Impactos no mercado financeiro

A operação aumentou a exposição do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que viu o risco associado ao Master subir de R$ 4 bilhões para mais de R$ 50 bilhões. Analistas alertam para a vulnerabilidade do sistema diante de práticas de capitalização artificial.

Investigações da CVM

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu processo contra Vorcaro por suposta superavaliação de ativos no fundo Brazil Realty. O caso reforça a necessidade de auditorias independentes em operações de aporte de capital.

Análise de especialistas

Especialistas em regulação bancária afirmam que a decisão do BC em 2019 evitou um potencial colapso do Master. Contudo, a posterior aprovação da compra, com requisitos "revisados", evidencia lacunas na supervisão preventiva.

Desdobramentos recentes

Após a aprovação, Vorcaro lançou novos produtos, como recebíveis lastreados em LCA e cartão consignado da Bahia, buscando diversificar a receita do Master. A estratégia visa melhorar a liquidez, mas não elimina o risco herdado da estrutura de capital.

A Visão do Especialista

Para o futuro, a estabilidade do Master dependerá da transparência na origem dos recursos e da capacidade de cumprir as exigências de capital mínimo estabelecidas pelo BC. Recomenda‑se ao investidor monitorar as demonstrações financeiras auditadas e as deliberações do Conselho de Administração, que podem indicar novos ajustes regulatórios.

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