Mais de 600 empresas clandestinas foram identificadas em Cuiabá, atuando de forma irregular e deixando um rastro de fios de telefonia e internet abandonados e emaranhados em postes. Esse cenário representa um risco significativo à segurança da população e compromete a rede elétrica da cidade. A denúncia foi apresentada pela Concessionária Energisa, em conjunto com a Secretaria de Ordem Pública, que intensificou as fiscalizações nos últimos meses.

Um problema histórico e negligenciado

De acordo com a secretária de Ordem Pública, Juliana Palhares, o problema de cabos abandonados e empresas clandestinas é antigo, mas só começou a ser enfrentado com maior rigor recentemente. A criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), liderada pelo vereador Eduardo Magalhães, foi um divisor de águas no combate a essas irregularidades. A CPI resultou em alterações importantes na legislação municipal, tornando as punições mais severas e definindo melhor as competências da Secretaria de Ordem Pública.

Os impactos diretos na segurança pública

O abandono de fios em vias públicas não é apenas uma questão de desordem urbana, mas também de segurança pública. Recentemente, o secretário municipal de Esportes, Jefferson Neves, sofreu um grave acidente ao ser atingido no pescoço por um fio solto enquanto pilotava uma motocicleta. Este episódio trágico trouxe novamente o tema à pauta e pressionou as autoridades a agirem com mais contundência.

Fiscalização intensificada e ações conjuntas

Desde que Juliana Palhares assumiu a Secretaria de Ordem Pública, há pouco mais de um ano, três grandes operações específicas foram realizadas. Uma das mais notáveis foi a operação "Telefone Sem Fio", que teve um "dia D" na Avenida dos Trabalhadores, um dos pontos mais críticos da cidade. Além disso, reuniões técnicas com a Energisa e outras concessionárias têm sido realizadas para alinhar estratégias de combate ao problema.

Multas que pesam no bolso

A atualização da legislação municipal também trouxe mudanças significativas nas sanções aplicadas. A multa mínima aumentou de R$ 3 mil para R$ 20 mil, podendo chegar a R$ 100 mil em casos mais graves. Além disso, multas diárias podem ser aplicadas em caso de descumprimento. Até o momento, mais de R$ 600 mil em multas já foram aplicadas às empresas irregulares.

O peso ambiental: toneladas de fios recolhidos

Somente no primeiro trimestre de 2026, cerca de 10 toneladas de fios foram recolhidas em Cuiabá, sendo 8 toneladas concentradas em operações realizadas na área central da cidade. Esses fios, muitas vezes abandonados ou instalados de forma irregular, não apenas poluem visualmente a paisagem urbana, mas também representam um perigo iminente de acidentes.

Responsabilidade das empresas de telecomunicação

A gestão municipal reforça que as operadoras de telefonia e provedores de internet têm responsabilidade direta no enfrentamento ao problema. É esperado que estas empresas sigam as normas técnicas e regularizem suas operações. A falta de ação por parte delas não apenas resulta em multas, mas também prejudica os consumidores, que podem ficar sem serviços essenciais como internet e telefone.

Repercussões no mercado e na economia local

A identificação de mais de 600 empresas clandestinas em Cuiabá levanta uma questão maior sobre o impacto econômico da informalidade. A clandestinidade não apenas drena recursos públicos, mas também cria uma concorrência desleal com empresas que operam de forma regular, pagando impostos e cumprindo todas as exigências legais.

Como funciona o processo de fiscalização

De acordo com a Secretaria de Ordem Pública, o processo de fiscalização segue um rito administrativo claro. Primeiramente, as empresas identificadas recebem uma notificação e têm um prazo para se regularizarem. Caso não atendam às exigências, são aplicadas multas e, em última instância, pode ocorrer a interdição das operações.

O papel do Procon e a proteção ao consumidor

Nos casos em que ações de fiscalização resultam na suspensão de serviços de telefonia ou internet, os consumidores são orientados a procurar o Procon. Este órgão atua para garantir que os direitos dos cidadãos sejam respeitados, minimizando os impactos das operações no dia a dia da população.

Comparativo: Cuiabá e outras cidades brasileiras

Problemas relacionados à clandestinidade de empresas e à fiação irregular não são exclusivos de Cuiabá. Cidades como São Paulo e Rio de Janeiro também enfrentam desafios semelhantes, mas a diferença está na intensidade das ações de fiscalização. Enquanto Cuiabá intensifica suas operações, outras capitais ainda lutam para implementar legislações equivalentes.

A Visão do Especialista

Especialistas em urbanismo e segurança pública destacam que a questão das empresas clandestinas e dos fios abandonados vai além de um problema local. É reflexo de um sistema que, por muito tempo, ignorou a necessidade de regulamentação e fiscalização rigorosas. A iniciativa de Cuiabá em endurecer as leis e aumentar a fiscalização pode ser vista como um modelo a ser seguido por outras cidades brasileiras.

No entanto, para que os avanços sejam sustentáveis, é fundamental que haja um esforço conjunto entre poder público, setor privado e sociedade civil. A responsabilidade não pode recair apenas sobre um único ator. Como próximo passo, seria essencial investir em campanhas educativas e em tecnologias que tornem a infraestrutura urbana mais segura e eficiente.

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