O Banco Master transferiu R$ 65 milhões a escritórios de ex‑presidentes, ministros e políticos entre 2023 e 2025, conforme documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado. A revelação coloca em xeque a relação entre o conglomerado financeiro de Daniel Vorcaro e figuras de destaque da política nacional.
Fundado em 2002, o Master se consolidou como um dos maiores bancos de médio porte do país, atuando em crédito, investimentos e serviços de custódia. Nos últimos anos, a instituição buscou ampliar sua influência no cenário econômico, contratando consultorias de alto nível.
Os repasses totalizam R$ 65.0 mi, distribuídos entre escritórios de advocacia e empresas de consultoria ligadas a nomes como Michel Temer, Guido Mantega, Henrique Meirelles, Ricardo Lewandowski, Antonio Rueda e outros. Os valores variam de R$ 5,4 mi a R$ 10 mi por contrato.
O que dizem os documentos da Receita?
- Michel Temer – R$ 10 mi (escritório de advocacia)
- Guido Mantega – R$ 14 mi (consultoria econômica)
- Henrique Meirelles – R$ 18,5 mi (consultoria macroeconômica)
- ACM Neto – R$ 5,4 mi (empresa de consultoria)
- Ricardo Lewandowski – R$ 6,1 mi (escritório familiar)
- Antonio Rueda – R$ 6,4 mi (escritório de advocacia)
- Ronaldo Bento – R$ 0,773 mi (consultoria política)
- Fábio Wajngarten – R$ 3,8 mi (assessoria de comunicação)
O escritório de Michel Temer recebeu R$ 10 mi, mas o ex‑presidente contestou o montante, alegando que o contrato era de R$ 7,5 mi para mediação jurídica. Ele afirma que a prestação foi transparente e dentro da lei.
Guido Mantega declarou que prestou "consultoria econômica‑financeira" ao Master em 2024 e parte de 2025, sem conhecimento de irregularidades. Ele reforça que o contrato foi firmado antes de qualquer investigação.
Henrique Meirelles confirmou um contrato de consultoria sobre macroeconomia e mercado financeiro, vigente de março de 2024 a julho de 2025. O ex‑ministro ressalta que o serviço foi de natureza opinativa.
Qual o posicionamento dos demais beneficiados?
ACM Neto, por meio de sua empresa A&M, assegura que a relação comercial ocorreu antes de seus sócios assumirem cargos públicos e que está à disposição da PGR e do STF para esclarecimentos. Ele destaca a legalidade dos serviços prestados.
Ricardo Lewandowski, aposentado do STF, retornou à advocacia em 2023, recebendo R$ 6,1 mi do Master. Após ser convidado para o Ministério da Justiça, suspendeu o registro na OAB, conforme a legislação.
Antonio Rueda, presidente do União Brasil, recebeu R$ 6,4 mi por serviços de advocacia. Seu gabinete afirma que não há confirmação de irregularidades e que os dados fiscais são sigilosos.
Como a CPI do Crime Organizado está reagindo?
Os documentos foram apresentados à Comissão Parlamentar de Inquérito, que já requisitou informações adicionais ao Banco Master e à Receita Federal. A investigação busca determinar se houve favorecimento político ou lavagem de dinheiro.
Especialistas em direito tributário apontam que a simples existência de contratos não comprova ilícito, mas a concentração de recursos em figuras políticas eleva o risco de conflito de interesses. "É preciso analisar a efetividade dos serviços versus o valor pago", alerta a professora Ana Carolina, da FGV.
Politicamente, a revelação pode gerar pressão sobre o governo Lula, que tem defendido a independência das instituições, mas também enfrenta críticas por supostos laços com o setor bancário. O debate já circula nas redes sociais e nos corredores do Congresso.
O que acontece agora? A CPI deve convocar depoimentos de Vorcaro, dos advogados dos escritórios e dos próprios beneficiários. Se houver indícios de crime, o Ministério Público poderá apresentar denúncia. Enquanto isso, o Master tenta preservar sua imagem, alegando que todos os contratos foram firmados de boa‑fé.
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