Mauro Vieira afirmou que as novas tarifas impostas pelos EUA ignoram a realidade econômica e ambiental do Brasil. Em entrevista ao Estadão, o chanceler destacou a falta de consideração dos argumentos brasileiros nas recomendações do USTR, apresentadas antes do prazo acordado entre Lula e Trump.

Contexto histórico das investigações
As medidas foram acionadas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA (1974). Essa ferramenta legal permite ao Departamento de Comércio americano impor tarifas quando identifica práticas comerciais desleais, sendo utilizada recentemente contra o Brasil em duas frentes distintas.
Cronologia dos acontecimentos

- 04/06/2026 – Mauro Vieira relata conversa com o embaixador Jamieson Greer, representante do USTR, em Paris.
- 05/06/2026 – O USTR recomenda ao presidente Trump a aplicação de tarifas de 25 % e 12,5 % ao Brasil.
- 06/06/2026 – Publicação da reportagem no Correio Braziliense e divulgação oficial das medidas.
- 07/06/2026 – Início das negociações bilaterais para buscar solução dentro do prazo de 30 dias estabelecido entre os presidentes.
Detalhes das duas investigações
A primeira apuração foca em supostas práticas desleais no comércio digital, no sistema Pix e na proteção da propriedade intelectual. O USTR também apontou questões como pirataria, falhas no combate à corrupção e a preferência tarifária concedida a México e Índia.
A segunda investigação acusa o Brasil de não coibir efetivamente o trabalho forçado na cadeia pecuária. Segundo o relatório, a ausência de fiscalização adequada geraria vantagem competitiva para o Brasil na exportação de carne bovina congelada à China.
Reação do Brasil
Vieira ressaltou que o desmatamento na Amazônia foi reduzido pela metade em relação a 2022. Dados do MapBiomas mostram que 2025 registrou a menor área desmatada nos últimos anos, alinhado à meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030.
Quanto ao etanol, o Brasil contestou a tarifa de 2,5 % dos EUA e apontou que os americanos cobram 18 % sobre o açúcar brasileiro. O Itamaraty ainda não definiu a posição que será levada à mesa de negociações.
Impactos no comércio bilateral
As tarifas de 25 % e 12,5 % podem elevar os custos de importação de produtos brasileiros, reduzindo a competitividade no mercado norte‑americano. Setores como tecnologia, agricultura e bens de consumo podem sofrer queda nas exportações.
A tarifa temporária de 10 % imposta após a decisão da Suprema Corte dos EUA está prestes a expirar, aumentando a incerteza para os exportadores. O retorno das tarifas definitivas dependerá das negociações em curso.
Análise de especialistas
Economistas apontam que a medida pode gerar efeito de retrocesso nas cadeias produtivas brasileiras. A elevação de custos pode desencadear perda de contratos, renegociação de preços e diminuição de investimentos estrangeiros diretos.
Especialistas em comércio internacional destacam que o uso da Seção 301 tem se intensificado sob a administração Trump. A estratégia visa pressionar parceiros a alinharem políticas de trabalho e ambientais aos padrões americanos.
| Tipo de tarifa | Percentual | Motivo alegado pelos EUA |
|---|---|---|
| Tarifa comercial geral | 25 % | Práticas desleais no comércio digital e proteção de IP |
| Tarifa por trabalho forçado | 12,5 % | Falhas na fiscalização da cadeia pecuária |
| Tarifa temporária (2025‑2026) | 10 % | Medida substitutiva à decisão da Suprema Corte |
| Tarifa sobre etanol brasileiro | 2,5 % | Suposta desvantagem competitiva |
A Visão do Especialista
Para os analistas, o próximo passo será a definição de um "mapa do caminho" que alinhe as exigências americanas às particularidades brasileiras. Se o Brasil conseguir demonstrar progressos concretos em desmatamento, combate ao trabalho escravo e políticas de comércio digital, há espaço para a redução ou eliminação das tarifas, preservando a relação econômica‑comercial e evitando impactos negativos ao PIB.

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