Senadores Zequinha Marinho e Cleitinho retiram a assinatura da proposta alternativa à PEC que elimina a escala 6 × 1. Na manhã de 06/06/2026, ambos anunciaram oficialmente a desistência, alinhando‑se ao senador Romário, que já havia revogado seu apoio dias antes.

Deputados Zequinha e Cleitinho se reúnem com outros parlamentares para discutir e retirar assinatura da PEC alternativa à 6 X 1.
Fonte: www.poder360.com.br | Reprodução

Contexto Histórico da PEC 6 × 1

A iniciativa original visa acabar com a prática de jornada de 6 dias trabalhados e 1 dia de folga. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) foi apresentada pela bancada governista em março de 2026, buscando garantir remuneração integral e impedir a redução salarial decorrente da mudança de escala.

O debate remonta a reformas trabalhistas de 2017, quando a flexibilização ganhou força. Desde então, sindicatos e movimentos de esquerda têm denunciado a precarização dos contratos, enquanto setores empresariais defendem a adequação da carga horária às demandas de produção.

A Proposta Alternativa da Oposição

Articulada por Rogério Marinho (PL‑RN), a emenda alternativa introduz acordos individuais entre patrões e empregados. Nela, a jornada seria negociada caso a caso, com remuneração proporcional às horas efetivamente trabalhadas, sem a obrigação de manter a escala 6 × 1.

O texto contrapõe‑se à PEC original ao permitir a exclusão dos sindicatos das negociações. Essa característica gerou críticas intensas de centrais sindicais, que alertam para o enfraquecimento da negociação coletiva.

Retirada das Assinaturas: Zequinha e Cleitinho

Ambos os senadores justificaram a decisão com base na proteção dos direitos dos trabalhadores. Zequinha Marinho alegou que a proposta excluiria os sindicatos, enquanto Cleitinho enfatizou seu compromisso com o fim da escala 6 × 1.

SenadorPartidoData da AssinaturaData da Retirada
Zequinha MarinhoPodemos‑PA02/05/202606/06/2026
CleitinhoRepublicanos‑MG02/05/202606/06/2026
RomárioPL‑RJ15/05/202604/06/2026

A retirada ocorreu na mesma semana em que o senador Romário também revogou seu apoio. A sequência indica um movimento coordenado entre parlamentares que compartilham a mesma linha de defesa da jornada tradicional.

Repercussão no Mercado de Trabalho

Analistas de economia apontam que a manutenção da escala 6 × 1 pode elevar os custos operacionais de setores intensivos em mão‑de‑obra. Estudos preliminares do IPEA sugerem um aumento de até 2,3 % nos gastos com salários em indústrias de produção contínua.

Por outro lado, sindicatos preveem que a garantia de remuneração integral evitará a queda do poder de compra dos trabalhadores. A expectativa é que a estabilidade da jornada contribua para a manutenção do consumo interno.

Posicionamento dos Sindicatos e Analistas

  • CGT: "A proposta alternativa fragiliza a negociação coletiva e abre precedentes para a flexibilização indiscriminada."
  • Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP): "A PEC original traz segurança jurídica, mas a alternativa oferece margem de negociação que pode beneficiar a competitividade."
  • Especialista em direito laboral, Prof. Dr. Ana Lúcia Martins: "A retirada das assinaturas indica que o Congresso ainda privilegia a proteção sindical frente a modelos de contrato individual."

Próximos Desdobramentos no Congresso

O plenário está programado para votar a redação final da PEC na sessão de 20/06/2026. Caso a proposta original seja aprovada, a escala 6 × 1 será extinta, e a lei entrará em vigor a partir de 01/01/2027.

Se houver nova tentativa de reintroduzir a alternativa, o processo exigirá maioria qualificada de dois terços. O cenário atual sugere que o apoio de centrais sindicais será decisivo para o resultado.

A Visão do Especialista

O professor de ciência política da USP, Dr. Marcelo Ribeiro, alerta que a retirada das assinaturas reforça a tendência de centralização da política trabalhista. "A bancada que defende a PEC original tem conseguido consolidar uma aliança entre deputados de base e senadores de perfil mais conservador, o que pode resultar em uma reforma trabalhista mais rígida, porém com maior proteção aos direitos coletivos."

Para o leitor, o ponto crítico reside na possibilidade de que a manutenção da escala 6 × 1 traga estabilidade salarial, mas também aumente os encargos para empregadores. O debate continuará a impactar decisões de investimento, políticas de recursos humanos e a própria dinâmica de negociação sindical nos próximos meses.

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