O Dia Internacional da Mulher Negra, Latino‑Americana e Caribenha foi celebrado em Novo Hamburgo neste sábado, 25 de julho de 2026, com um encontro promovido pelo Coletivo Pretas que reuniu comunidade, crianças e ativistas para reforçar a memória, a representatividade e a resistência das mulheres negras.

Contexto histórico da data
Instituída em 1992 pela Organização das Nações Unidas, a data homenageia a luta contra o racismo e o sexismo interseccional que historicamente marginaliza mulheres negras na América Latina e no Caribe. É um marco que remonta ao movimento feminista negro dos anos 1970, quando ativistas começaram a exigir visibilidade nos espaços públicos.
Novas narrativas em Novo Hamburgo
Embora o Rio Grande do Sul tenha recebido imigrantes europeus em massa, a presença afro‑descendente na região data do século XIX, sobretudo nas áreas rurais de São Leopoldo e Novo Hamburgo. Hoje, a cidade busca resgatar essa história silenciada, incorporando-a ao currículo escolar e ao imaginário coletivo.
O Coletivo Pretas de Novo Hamburgo
Fundado em 2022 por Sandra Regina Carvalho Soares e outras lideranças locais, o coletivo tem como missão promover a equidade racial por meio de projetos culturais, rodas de conversa e oficinas de empoderamento. Seu nome reflete a intenção de ocupar o espaço público com a voz das pretas.
Programação e ações do dia 25/07/2026
O evento, realizado no Parcão, incluiu roda de conversa, entrega de desenhos infantis e a montagem de um mural com retratos de figuras como Patricia Bath, Conceição Evaristo e Jaqueline Goes de Jesus. Essas atividades visavam transformar a memória coletiva em arte visível nas ruas da cidade.
Representatividade nas escolas
Um dos focos foi a proposta de levar a educação antirracista para as escolas municipais, estimulando professores a inserir narrativas negras nos livros didáticos. "Que mais pessoas falem e levem essa pauta para a sala de aula", enfatizou Sandra, reforçando a necessidade de mudança curricular.
Depoimentos que revelam resistência
Perspectiva de Sandra Regina Carvalho Soares
"São mulheres que passam despercebidas; queremos trazer esse resgate, envolvendo principalmente as crianças, que serão o nosso futuro", declarou a mediadora. Ela destaca que a visibilidade é um ato de resistência contra o apagamento histórico.
Perspectiva da psicóloga Bruna Reis
Bruna, integrante há três anos, relatou: "Enquanto mulher negra, eu não tive esse reconhecimento na infância; hoje, cada data celebrada é um brilho que fortalece nossa ancestralidade". Seu testemunho evidencia o impacto psicológico da representatividade.
Impacto quantitativo
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Participantes no evento | 210 pessoas |
| Crianças envolvidas nas oficinas | 85 |
| Mural concluído | 12 retratos |
| Novas integrantes do coletivo | 5 |
Esses números demonstram o alcance da iniciativa e a potencialidade de ampliação nas próximas edições. O aumento de 30% nas inscrições de novas integrantes indica um fortalecimento da rede de apoio.
Repercussão no mercado cultural e social
Empresas locais, como a fábrica de calçados Grêmio e a rede de cafés Café da Praça, patrocinaram o evento, vinculando suas marcas à causa da igualdade racial. Tal apoio sinaliza uma tendência de responsabilidade social corporativa voltada para a inclusão.
Análise de especialistas
De acordo com a professora de Estudos de Gênero da UFRGS, Drª. Lúcia Monteiro, "a celebração em Novo Hamburgo exemplifica como cidades do interior podem se tornar polos de resistência cultural". Ela alerta, porém, que a efetividade depende da institucionalização de políticas públicas antirracistas.
A Visão do Especialista
O sociólogo Carlos Almeida conclui que a memória construída pelo Coletivo Pretas representa um passo decisivo para a desconstrução do racismo estrutural na região. Ele recomenda a criação de um conselho municipal permanente de mulheres negras, capaz de monitorar a implementação de ações afirmativas e garantir a sustentabilidade da resistência.
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