O programa Move Brasil, criado com o objetivo de oferecer linhas de crédito para motoristas de aplicativos e taxistas adquirirem veículos novos, enfrenta obstáculos significativos. Apesar de um orçamento inicial de R$ 30 bilhões, o governo federal já admite que o montante emprestado deve ficar abaixo de um terço desse valor, conforme projeções mais otimistas.

Motoristas de app e táxi aguardam em fila, com expressões preocupadas, em frente a um edifício governamental.
Fonte: oglobo.globo.com | Reprodução

Contexto e criação do programa

O Move Brasil foi anunciado em maio de 2023 como parte de uma estratégia política para atender um público considerado essencial para o governo. A iniciativa visava oferecer financiamento acessível, com apoio estatal, para motoristas de aplicativos e taxistas. De acordo com fontes do governo, o projeto foi concebido pela Secretaria de Comunicação da Presidência, e não pela equipe econômica, gerando embates internos.

O objetivo era atender demandas de um segmento que vinha demonstrando insatisfação nas pesquisas de opinião. Contudo, desde o início, o programa enfrentou críticas sobre sua viabilidade e impacto econômico.

Resultados abaixo do esperado

Apesar de o governo ter disponibilizado R$ 30 bilhões para empréstimos, os números realizados até agora são modestos. Desde sua criação, apenas entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões foram contratados. O cenário mais otimista prevê que os empréstimos totalizem cerca de R$ 10 bilhões até o final do ciclo do programa.

Segundo especialistas, o desempenho aquém do esperado pode ser atribuído a uma combinação de fatores, incluindo a baixa adesão dos bancos, que relutam em liberar os recursos mesmo com garantias federais, e a falta de atratividade das condições oferecidas aos motoristas.

Críticas internas ao programa

Dentro do próprio governo, há quem questione a eficácia do Move Brasil. Para a equipe econômica, o impacto financeiro da medida seria marginal, enquanto os embates políticos sobre a destinação dos recursos continuam. Há também críticas sobre o alinhamento do programa com as taxas de juros elevadas praticadas pelo Banco Central, que buscam controlar a inflação, mas limitam o acesso ao crédito.

Além disso, setores do governo avaliam que os recursos poderiam ser direcionados para outras áreas com maior retorno social e econômico.

Reunião com o presidente Lula

No dia 30 de julho de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou uma reunião com sua equipe para discutir formas de destravar os financiamentos do programa. Durante o encontro, Lula criticou os bancos, acusando-os de dificultar o acesso ao crédito, mesmo com garantias oferecidas pelo governo.

A reunião ocorreu em meio a um clima de frustração interna, já que os números contratados até o momento são inferiores às expectativas iniciais.

Impacto no mercado de transporte

O fraco desempenho do Move Brasil também afeta diretamente motoristas de aplicativos e taxistas, que muitas vezes dependem de veículos novos para manterem suas atividades competitivas. Um mercado de transporte com acesso limitado a financiamento pode desencadear efeitos negativos, desde redução na qualidade do serviço até aumento nos custos operacionais.

Especialistas apontam que a falta de apoio financeiro pode levar alguns motoristas a abandonar a profissão, especialmente em um cenário econômico desafiador.

Comparativo de resultados

Desde o lançamento do programa, os números contratados são significativamente inferiores ao orçamento previsto.

Orçamento Previsto (R$) Contratações Realizadas (R$) Projeção Otimista (R$)
30 bilhões 2-3 bilhões 10 bilhões

Esse cenário reforça as dificuldades enfrentadas pelo Move Brasil e as limitações do modelo proposto.

Repercussão política e pública

A iniciativa, amplamente divulgada como parte da vitrine eleitoral do governo, já enfrenta críticas de diferentes setores. Para a oposição, o programa é visto como um exemplo de má gestão de recursos públicos. Já para os defensores do governo, trata-se de uma tentativa válida de atender demandas de um público vulnerável, embora os resultados ainda sejam insatisfatórios.

A baixa adesão também gerou insatisfação entre motoristas e associações do setor, que esperavam condições mais favoráveis e maior facilidade no acesso ao crédito.

A Visão do Especialista

O baixo desempenho do Move Brasil reflete desafios estruturais no acesso ao crédito em um momento de juros elevados. Especialistas sugerem que uma reestruturação do programa pode ser necessária, com ajuste nas condições de financiamento e maior envolvimento dos bancos.

Além disso, o governo poderia considerar a inclusão de outras medidas complementares, como subsídios diretos ou parcerias com montadoras, para tornar o programa mais atrativo. Sem mudanças significativas, é provável que o Move Brasil continue abaixo das expectativas.

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