Bruna Damaris Sant'anna da Silva, de 26 anos, foi resgatada viva após passar três dias desaparecida no mar em Ilhabela, São Paulo. A jovem, encontrada por uma embarcação que transitava pela região, está sob cuidados médicos no Hospital Municipal Governador Mário Covas Júnior e não corre risco de vida. Enquanto isso, as buscas por Dheoge Pereira Bernardino, de 28 anos, que estava com ela no momento do desaparecimento, continuam, mobilizando equipes do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) e da Marinha do Brasil.

O desaparecimento e o resgate no alto-mar
O incidente começou no domingo, 24 de maio de 2026, quando Bruna e Dheoge saíram para um passeio de moto aquática na região da Praia Ponta das Canas, ao sul de Ilhabela. Segundo testemunhas, ambos haviam participando de uma confraternização em uma lancha e decidiram se afastar por volta das 16h, sem informar o destino. Na manhã seguinte, as autoridades localizaram a moto aquática à deriva, cerca de 22 quilômetros do ponto de partida.
Bruna foi finalmente encontrada no dia 27 de maio, nas proximidades da Praia da Caçandoca, em Ubatuba. Ela estava visivelmente exausta, mas consciente, e foi socorrida inicialmente pela tripulação de uma embarcação privada antes de ser transferida para cuidados médicos especializados. Segundo o capitão Eduardo Campanhola, do GBMar, o resgate foi um resultado direto dos esforços conjuntos das equipes de busca e salvamento.
Os desafios do resgate e as condições no mar
As condições meteorológicas e de navegação desempenharam um papel crucial no desdobramento do desaparecimento. O litoral norte de São Paulo é conhecido por suas mudanças repentinas no clima e correntes marítimas fortes. Essas condições adversas aumentaram a complexidade das buscas e podem ter contribuído para o afastamento da moto aquática do local de partida.
Especialistas em segurança marítima alertam para a importância de seguir as normas de navegação, como informar terceiros sobre os planos de viagem e utilizar equipamentos de segurança adequados, incluindo coletes salva-vidas e dispositivos de localização. O caso de Bruna e Dheoge reforça a necessidade de maior conscientização sobre os riscos associados às atividades marítimas.
O histórico de acidentes marítimos em Ilhabela
Ilhabela, um dos destinos turísticos mais populares do Brasil, é também palco frequente de incidentes marítimos, especialmente durante a alta temporada. De acordo com dados do GBMar, nos últimos cinco anos, mais de 120 ocorrências foram registradas na região, envolvendo desde turistas inexperientes até pescadores locais.
Entre os principais fatores que contribuem para esses acidentes estão a falta de preparação, o não cumprimento das regras de navegação e o uso inadequado de equipamentos. Estima-se que 40% dos casos poderiam ter sido evitados com medidas simples de segurança.
A investigação em andamento
Enquanto Bruna se recupera no hospital, as autoridades continuam os esforços para localizar Dheoge Pereira Bernardino. As equipes de busca estão utilizando barcos, helicópteros e drones equipados com câmeras térmicas para aumentar as chances de sucesso. Segundo o GBMar, as operações estão sendo conduzidas em uma área de 25 quilômetros quadrados, abrangendo tanto o litoral de Ilhabela quanto o de Ubatuba.
Além disso, a Marinha do Brasil também abriu uma investigação para apurar as circunstâncias do desaparecimento. Informações preliminares apontam que a moto aquática pode ter sofrido uma pane mecânica, mas ainda não há confirmação oficial.
A importância da prevenção e da segurança no mar
Casos como este trazem à tona a relevância de práticas seguras durante atividades aquáticas. Segundo a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (SOBRASA), o Brasil registra cerca de 6 mil casos de afogamento por ano, sendo que uma parcela significativa ocorre em ambientes marítimos.
Em entrevista, o analista de segurança náutica Carlos Henrique Figueira destacou: "A prevenção é a chave. Cursos básicos de navegação, atenção às condições climáticas e o uso de dispositivos de segurança podem salvar vidas. É fundamental que os operadores de embarcações e equipamentos aquáticos sigam à risca as regulamentações da Marinha."
Repercussão do caso e reações nas redes sociais
O resgate de Bruna gerou grande comoção nas redes sociais, com milhares de pessoas expressando alívio pela sua sobrevivência. Tags como #ForçaBruna e #ResgateIlhabela ganharam destaque nos trending topics do Twitter no Brasil. No entanto, também houve críticas quanto à falta de fiscalização e à negligência em relação às normas de segurança marítima.
Em nota oficial, a Prefeitura de Ilhabela reforçou seu compromisso em intensificar as ações de conscientização e fiscalização no litoral, especialmente com a proximidade da alta temporada de turismo.
A Visão do Especialista
O caso de Bruna Damaris levanta questões importantes sobre segurança marítima e infraestrutura de fiscalização no Brasil. Apesar do final feliz para a jovem, a ausência de Dheoge Pereira Bernardino e a ocorrência de situações similares no passado apontam para lacunas que precisam ser preenchidas.
O investimento em campanhas educativas e na modernização dos equipamentos de busca e salvamento é essencial para reduzir incidentes dessa natureza. Além disso, é crucial que turistas e operadores de embarcações sejam mais conscientes dos riscos envolvidos e sigam as normas estabelecidas pela Marinha.
Enquanto aguardamos pelo desfecho das buscas por Dheoge, este caso serve como um lembrete para que todos — turistas, moradores e autoridades — assumam suas responsabilidades em prol de um ambiente marítimo mais seguro.
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