Rogério da Silva Amorim foi detido nesta quinta‑feira (26/05/2026) em um condomínio de alto padrão no Bairro Ribeirão do Lipa, em Cuiabá, cumprindo o mandado de prisão que havia sido expedido há dez anos.

O crime que motivou a prisão ocorreu em dezembro de 2011, quando a adolescente Maiana Mariano Vilela, de 16 anos, desapareceu e foi assassinada.

Rogério Amorim, empresário da região, mantinha um relacionamento extraconjugal com Maiana há cerca de um ano, vivendo em união estável nos últimos cinco meses antes do homicídio.

A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) monitorou o empresário por aproximadamente um ano e meio, após a expedição do mandado de prisão definitivo.

Em 2016, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou Amorim a 20 anos e três meses de reclusão, como mandante do homicídio triplamente qualificado e da ocultação do cadáver.

A sentença incluiu regime fechado, ao lado de Paulo Ferreira Martins, co‑autor, que recebeu 18 anos e nove meses.

Após o julgamento, Amorim chegou a ficar preso por cerca de uma semana, mas obteve habeas corpus e passou a responder ao processo em liberdade.

O trânsito em julgado da condenação ocorreu em novembro de 2025, esgotando todas as possibilidades de recurso e gerando a emissão de novo mandado de prisão.

Na manhã de 26 de maio de 2026, policiais identificaram o veículo utilizado por Amorim ao deixar o condomínio, o que possibilitou a sua captura sem resistência.

A operação contou com apoio da Polícia Civil e da Unidade de Busca e Apreensão, demonstrando a eficácia da integração entre as forças de segurança.

O caso reacendeu o debate sobre a eficácia dos programas de reintegração, como o "Nova Chance", que Amorim deixou de comparecer, tornando‑se foragido.

Resumo das penas e datas relevantes

FatoDataPena
Crime (assassinato)Dez/2011-
Condenação de Amorim201620 anos e 3 meses
Condenação de Martins201618 anos e 9 meses
Trânsito em julgadoNov/2025-
Prisão efetiva26/05/2026-

Chronologia dos principais acontecimentos

  • Dezembro 2011 – desaparecimento de Maiana Mariano Vilela.
  • Março 2012 – localização do corpo na chácara da Ponte de Ferro.
  • 2016 – julgamento e condenação de Amorim e Martins.
  • 2017 – concessão de habeas corpus a Amorim.
  • Novembro 2025 – trânsito em julgado da sentença.
  • 26 maio 2026 – prisão de Amorim em Cuiabá.

Especialistas em direito penal apontam que a prisão tardia evidencia lacunas no acompanhamento de sentenças definitivas.

Segundo o professor Carlos Henrique de Oliveira, da Universidade Federal de Mato Grosso, a efetivação de mandados de prisão depende de um monitoramento sistemático que ainda não está plenamente institucionalizado.

A Visão do Especialista

O jurista Dr. Luís Fernando Silva enfatiza que o caso reforça a necessidade de revisão dos programas de liberdade provisória e de maior integração entre o Poder Judiciário e as forças de segurança. Ele recomenda a criação de um banco de dados nacional que permita o rastreamento imediato de indivíduos com mandados pendentes, reduzindo o risco de impunidade e garantindo maior proteção às vítimas e suas famílias.

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