Com uma carreira que desafia as barreiras do tempo e do convencional, Tom Zé, o incansável ícone da música brasileira, se apresenta nesta quarta-feira (22/7) em Belo Horizonte, na casa de shows Autêntica. O evento marca a estreia do projeto Quarta Livre, uma iniciativa que une cultura e acessibilidade, promovendo shows gratuitos em parceria com a Natura por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Aos 89 anos, o baiano de Irará segue como um "animal do palco", como ele mesmo descreve, reafirmando que "música é antes, agora e depois".

Tom Zé canta em concerto em Belo Horizonte.
Fonte: www.em.com.br | Reprodução

Quem é Tom Zé: Um percurso de experimentação

Tom Zé, nascido em 11 de outubro de 1936, é um dos artistas mais originais e inovadores do Brasil. Sua trajetória começou na década de 1960, quando se destacou no movimento tropicalista ao lado de nomes como Caetano Veloso e Gilberto Gil. Mas, diferentemente de seus contemporâneos, ele optou por um caminho de experimentação sonora e conceitual que o colocou à margem do mainstream por muitos anos, até ser redescoberto nos anos 1990 por David Byrne, da banda Talking Heads.

Com uma abordagem que mistura música popular, erudição e elementos do cotidiano, Tom Zé se tornou uma referência global em criatividade e reinvenção. Sua obra transita entre o popular e o vanguardista, utilizando instrumentos inusitados e temas sociais como matéria-prima para suas composições.

Tom Zé canta em concerto em Belo Horizonte.
Fonte: www.em.com.br | Reprodução

O retorno aos palcos após a internação

Após enfrentar um período desafiador em 2024 devido a um acidente doméstico que demandou uma longa recuperação, Tom Zé voltou aos palcos em 2025. A retomada foi marcada por energia renovada e o apoio da banda que o acompanha há mais de uma década. "A crítica francesa diz que eu sou um 'animal do palco'. Biológica e artisticamente, isso é verdadeiro", destacou o artista, reafirmando sua paixão por se apresentar ao vivo.

O projeto Quarta Livre e sua relevância cultural

O show desta quarta-feira (22/7) faz parte do Quarta Livre, iniciativa que busca democratizar o acesso à cultura em Belo Horizonte. Até novembro de 2026, uma quarta-feira por mês será reservada para apresentações gratuitas de artistas renomados. A primeira edição, estrelada por Tom Zé, já teve metade dos ingressos esgotados online, enquanto o restante será distribuído por ordem de chegada no dia do evento.

Além de sua relevância cultural, o Quarta Livre também destaca a importância de parcerias público-privadas, como a da Natura, que viabilizam projetos por meio de incentivos fiscais. Essa combinação de arte acessível e sustentabilidade financeira é um modelo que vem ganhando força em eventos culturais pelo Brasil.

O repertório: Entre o passado e o futuro

Tom Zé promete um repertório que reflete sua filosofia: "Música é antes, agora e depois". Embora o show inclua faixas do álbum "Língua Brasileira" (2022), o artista evita se limitar a um único trabalho. Entre as músicas selecionadas está "Não tenha ódio no verão", uma composição que ele define como uma advertência contra a polarização política e social. "Preciso cantar tudo que foi e o que vem vindo", afirma o músico.

Os bastidores: Trabalho, disciplina e criatividade

Mesmo às vésperas de completar 90 anos, Tom Zé mantém uma rotina intensa de trabalho. Segundo sua produtora e esposa, Neusa Martins, o músico está atualmente dividido em três turnos no estúdio para finalizar um novo álbum, com lançamento previsto para o segundo semestre de 2026. "Trabalhar é um motor de satisfação, de autodescoberta perene", ressalta o artista.

Além da música, Tom Zé é conhecido por sua disciplina. Ele pratica ginástica duas vezes ao dia e é um leitor voraz. "Sou curioso. Leio, mas também releio muito", compartilha, revelando que seu método de trabalho está profundamente enraizado em uma busca constante por aprendizado e inovação.

Tom Zé e sua conexão com o público jovem

Uma característica marcante da carreira de Tom Zé é sua capacidade de dialogar com diferentes gerações. O artista acredita que essa afinidade vem de seu método de trabalho, que ele compara ao percurso de jovens em busca de suas próprias linguagens. "Vou buscando, querendo ver o que determinada linguagem traz para o meu si-mesmo e para os outros", explica.

A relação com Belo Horizonte e Minas Gerais

Tom Zé nutre um carinho especial por Belo Horizonte, cidade que ele descreve como "um horizonte belo". Sua relação com Minas Gerais vai além da música, envolvendo colaborações marcantes como a trilha de "Parabelo", criada em parceria com Zé Miguel Wisnik para o Grupo Corpo. "Minas Gerais tem um desassombro que está na minha música", afirma o artista.

Próximos passos: O que esperar de Tom Zé?

Com a energia de um jovem e a sabedoria de um veterano, Tom Zé continua a inspirar e surpreender. O álbum em produção promete trazer novas camadas à sua obra, mantendo o espírito inovador que o define. O show desta quarta-feira será uma oportunidade única de vivenciar essa mistura de passado, presente e futuro que só Tom Zé consegue oferecer.

A Visão do Especialista

Tom Zé é um exemplo raro de longevidade criativa. Sua disposição para inovar e se reinventar, mesmo em uma idade avançada, é um testemunho de sua paixão pela arte e pela vida. "Ele é um artista que não apenas sobreviveu a várias eras da música brasileira, mas que as moldou à sua maneira", comenta o crítico musical Ricardo Ramos.

Tom Zé canta em concerto em Belo Horizonte.
Fonte: www.em.com.br | Reprodução

Para o público, assistir a um show de Tom Zé é mais do que um evento cultural; é uma lição sobre como a arte pode transcender fronteiras, gerações e até mesmo o tempo. Compartilhe essa reportagem com seus amigos e aproveite para prestigiar o trabalho desse ícone da música brasileira.