"Não podemos deixar o BRB ser destruído", declarou o presidente da OAB‑DF, Paulo Maurício Braz Siqueira, em entrevista ao programa CB.Poder, enfatizando a urgência de uma solução técnica e transparente para a crise que ameaça o Banco de Brasília.

Presidente da OAB-DF em frente a uma construção em ruínas, com uma expressão de preocupação.
Fonte: www.correiobraziliense.com.br | Reprodução

Contexto histórico da crise do BRB

O Banco de Brasília (BRB) entrou em situação de risco financeiro após a operação com o Banco Master, que gerou um rombo de aproximadamente R$ 1,2 bilhão em 2024, comprometendo a solvência da instituição e exigindo intervenções do Governo do Distrito Federal (GDF).

Atuação da OAB‑DF

Presidente da OAB-DF em frente a uma construção em ruínas, com uma expressão de preocupação.
Fonte: www.correiobraziliense.com.br | Reprodução

A OAB‑DF passou a monitorar o caso desde o início das discussões, enviando ofícios ao GDF solicitando documentos técnicos que justificassem a destinação de imóveis da Serrinha como garantia para o banco, mas recebeu respostas tardias e incompletas.

Imóveis da Serrinha e licenciamento ambiental

Segundo o presidente da OAB‑DF, os imóveis indicados não possuem licenciamento ambiental atualizado, o que inviabiliza sua utilização para fins imobiliários ou como colateral, pois riscos fundiários e ambientais não foram mitigados em estudos recentes.

Base legal e normativa

A Lei Distrital nº 7.657/2015, que regula a gestão de ativos públicos, exige avaliação de impacto ambiental e segurança jurídica antes da alienação de bens públicos; a ausência desses requisitos pode configurar violação de princípios da administração pública.

Impacto econômico e social do BRB

Com mais de 3 mil funcionários, o BRB paga salários ao GDF e a entes federativos, além de operar linhas de crédito para micro e pequenas empresas, sendo um pilar de inclusão financeira no Distrito Federal.

Opinião de especialistas financeiros

Economistas da Fundação Getúlio Vargas apontam que a recuperação do BRB requer reforço de capital via emissão de ações ou aporte de recursos do Tesouro do Distrito Federal, evitando a diluição de controle e mantendo a estabilidade do sistema bancário regional.

Repercussão política

A mudança de governo no final de 2025 trouxe acusações de que a estratégia de usar os imóveis seria "uma tentativa de salvar o fim de mandato", reforçando a necessidade de transparência e responsabilidade nas decisões de política pública.

Possíveis caminhos técnicos

Entre as alternativas estudadas estão: (i) criação de um fundo de garantia com aporte de ativos líquidos; (ii) venda parcial de participação acionária a investidores estratégicos; e (iii) renegociação de dívida com condições mais favoráveis, sempre sob supervisão dos órgãos de controle.

Fiscalização pelos órgãos de controle

O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) e a Controladoria‑Geral da União (CGU) foram acionados para avaliar a legalidade das operações propostas, exigindo relatórios de conformidade e auditorias independentes.

Cronologia resumida

DataEvento
15/03/2024Operação com Banco Master gera rombo de R$ 1,2 bi
22/06/2024Primeiro ofício da OAB‑DF ao GDF
10/01/2025Proposta de uso dos imóveis da Serrinha
08/12/2025Mudança de governo no DF
16/04/2026Entrevista de Paulo Maurício Braz Siqueira ao CB.Poder

Riscos ambientais e fundiários

Estudos preliminares indicam que a área da Serrinha apresenta contaminação de solo e pendências de regularização fundiária, fatores que impedem a liberação de capital sem a realização de novos processos de licenciamento, aumentando o custo da operação.

Conclusão preliminar

O consenso entre autoridades e especialistas é que a solução para o BRB deve combinar aporte de capital, garantia de ativos e rigor técnico, evitando "especulação imobiliária" e assegurando a continuidade dos serviços bancários ao cidadão do Distrito Federal.

A Visão do Especialista

Do ponto de vista jurídico‑financeiro, a prioridade é a elaboração de um plano de recuperação que contemple auditoria independente, aprovação legislativa de medida provisória e monitoramento contínuo pelos tribunais de contas. Sem esses mecanismos, o risco de perda total do ativo público permanece alto, comprometendo não só o BRB, mas também a credibilidade das políticas de desenvolvimento econômico do DF.

Presidente da OAB-DF em frente a uma construção em ruínas, com uma expressão de preocupação.
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