Filho do Piseiro converteu a batida "buh" em símbolo pop do forró atual, dominando as playlists e os paredões de som de todo o Nordeste. O cantor, nascido Everton da Silva, viralizou em abril de 2026 ao ensinar, em vídeo, como reproduzir a caixa da bateria em frequência médio‑grave, técnica que hoje define a estética do forró de massa.

Filho do Piseiro transforma batida em símbolo pop do forró atual em cena de notícia jornalística.
Fonte: redir.folha.com.br | Reprodução

Origens do piseiro e a transição para o forrozão

O piseiro, surgido na década de 2010, foi a ponte sonora entre o sertanejo universitário e o forró tradicional. Influenciado por teclados eletrônicos e batidas simples, o estilo ganhou força nas festas de interior e nas rádios regionais, preparando o terreno para a explosão do "forrozão" de médio‑grave que se consolidou nos anos 2020.

O "buh": onomatopeia que virou identidade sonora

Ao imitar uma baleia e soltar a sílaba "bu", Filho do Piseiro criou a marca auditiva que os fãs reconhecem instantaneamente. Essa onomatopeia, também chamada "tuh" ou "puh", funciona como um gatilho psicológico que aciona o corpo nas pistas de dança, reforçando a presença da caixa da bateria.

Trajetória de Everton da Silva até o estrelato

De cantores de festas de Manaus a ícone nacional, o artista passou seis anos em maratonas de shows antes de romper nas plataformas de streaming. Em 2025, "Raparigas" liderou o ranking de mais tocados no Spotify, consolidando o "buh" como elemento obrigatório nas composições.

O vídeo viral que explicou a batida

Em um clipe de 45 segundos, Filho do Piseiro demonstra a técnica vocal que simula a caixa da bateria em 277 Hz, frequência médio‑grave que "arrepia a pele". O tutorial gerou mais de 12 milhões de visualizações, impulsionando desafios de TikTok e memes que espalharam a fórmula por todo o país.

Aspectos técnicos da frequência médio‑grave

Estudos de engenharia de áudio apontam que a faixa de 250‑300 Hz oferece a "presença física" desejada nos paredões. Essa gama, antes considerada "erro de mixagem" nos CDs de 2000, foi refinada por técnicos como Rob Som e Jordy Kennet para maximizar o impacto em ambientes de alta pressão sonora.

Paredões de som: o laboratório do forró de massa

Os sistemas de som automotivo do Ceará, liderados por Rob Som, evoluíram de 2 mil caixas de grave para mais de 1.800 empresas que fabricam equipamentos especializados. Hoje, um paredão padrão inclui 70 caixas de médio‑grave e 24 de grave, como demonstra o projeto de R$ 5 milhões apresentado em 2026.

Do remix clandestino à produção profissional

Enquanto piratas como "Black CDs" ajustavam manualmente os decibéis, Jordy Kennet introduziu a mixagem multitrack que separa graves, médios e agudos. Essa inovação permitiu versões "radio‑friendly" e "paredão‑hard" de um mesmo álbum, ampliando o alcance comercial.

Dados comparativos da evolução sonora

AnoCaixas de Médio‑grave (unidades)Frequência dominante (Hz)Streaming (milhões)
20001502200,3
20104802501,2
20201 2002704,8
20261 80027712,5

Impacto nas plataformas de streaming

O algoritmo do Spotify favorece faixas que contenham o "buh", elevando-as ao topo das playlists "Forró Hits". Simultaneamente, o Sua Música oferece mixagens com médio‑grave reforçado, atendendo ao público que ainda prefere o som "ao vivo".

Repercussão de mercado e números de audiência

Em 2026, Filho do Piseiro lidera a categoria "Música Popular Brasileira" com 38 milhões de reproduções mensais. A receita gerada por shows em paredões ultrapassa R$ 45 milhões, consolidando o modelo de negócios baseado em performances ao vivo.

Opiniões de especialistas

  • Rob Som (fabricante de som): "O médio‑grave é a nova voz do forró, tão reconhecível quanto a sanfona."
  • Jordy Kennet (produtor): "A padronização da frequência 277 Hz cria um selo de qualidade auditiva."
  • Claudia Mota (critica musical): "Filho do Piseiro democratiza o acesso ao som de alta potência, mas corre o risco de homogeneizar a criatividade."

A Visão do Especialista

O futuro do forró dependerá da capacidade dos artistas de inovar além do "buh", incorporando elementos eletrônicos e inteligência artificial na produção. Enquanto a batida médio‑grave permanece dominante, a diversificação de arranjos e a integração de novas plataformas de streaming serão cruciais para evitar a saturação do mercado.

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