No Dia Nacional da Adoção, celebrado em 25 de maio, o Brasil celebra histórias de superação e afeto que transformam vidas. Um dos grandes protagonistas desse cenário é o programa estadual "Um Lar Para Mim", que desde sua criação já viabilizou a adoção de mais de 800 crianças e adolescentes, com um olhar especial para a chamada adoção tardia. A iniciativa busca reverter estigmas, mudar preconceitos e oferecer um futuro promissor para jovens que, de outra forma, poderiam enfrentar anos em abrigos sem encontrar um lar definitivo.

Mulheres e crianças recebem apoio emocional e abrigo através do programa Um Lar Para Mim.
Fonte: odia.ig.com.br | Reprodução

Adoção tardia: desmistificando os desafios

A adoção tardia envolve crianças e adolescentes com mais de 7 anos, um grupo que historicamente enfrenta maiores dificuldades para serem adotados. Segundo o Cadastro Nacional de Adoção (CNA), cerca de 75% dos interessados em adotar no Brasil preferem crianças de até 3 anos, enquanto mais de 60% das crianças e adolescentes disponíveis para adoção têm entre 7 e 17 anos. Esse descompasso é um dos principais desafios enfrentados por programas como o "Um Lar Para Mim".

Para especialistas, a resistência à adoção tardia está enraizada em preconceitos e medos infundados. "Há um receio de que crianças mais velhas já tenham traumas ou comportamentos difíceis de lidar, mas a verdade é que o amor e a estabilidade familiar têm um impacto extraordinário na vida desses jovens", explica a psicóloga Maria Helena Santana, especialista em adoção e desenvolvimento infantil.

Mulheres e crianças recebem apoio emocional e abrigo através do programa Um Lar Para Mim.
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O papel transformador do programa Um Lar Para Mim

Lançado em 2019, o programa "Um Lar Para Mim" foi criado pelo Governo do Estado para fomentar a adoção de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. A iniciativa inclui ações como campanhas de conscientização, suporte psicológico e jurídico para as famílias adotantes e o fortalecimento da rede de acolhimento.

Além disso, o programa promove eventos e atividades que aproximam crianças e adolescentes de potenciais famílias adotivas. "Esses encontros são fundamentais para construir vínculos e desconstruir preconceitos", destaca Luiz Carlos Almeida, coordenador do programa.

Casos de sucesso: histórias que inspiram

Em 2025, a família Soares viu sua vida mudar ao adotar dois irmãos, Pedro e Ana, de 12 e 14 anos, respectivamente. "Nós sempre quisemos ter filhos, mas nunca imaginamos que seriam adolescentes. Hoje, não conseguimos imaginar nossa vida sem eles", contou emocionada a mãe, Renata Soares. Segundo ela, o suporte do programa foi essencial para vencer as incertezas e iniciar essa nova etapa.

Histórias como a da família Soares são frequentes entre os mais de 800 casos de adoção concluídos com sucesso pelo programa. Cada uma delas é um exemplo de como iniciativas bem estruturadas podem mudar trajetórias e proporcionar um futuro digno para crianças e jovens.

A relevância do Dia Nacional da Adoção

Instituído pela Lei nº 10.447, de 9 de maio de 2002, o Dia Nacional da Adoção tem como objetivo conscientizar a sociedade sobre a importância de adotar e acolher crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. A data também busca promover debates sobre a morosidade dos processos e a necessidade de políticas públicas mais eficazes para atender à realidade do sistema de adoção no Brasil.

De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o país tem mais de 30 mil crianças e adolescentes vivendo em abrigos, enquanto cerca de 33 mil famílias estão cadastradas no sistema de adoção. Apesar desses números, a burocracia e as preferências por perfis específicos dificultam a equação, especialmente no caso de adoções tardias ou de grupos de irmãos.

O impacto social da adoção

A adoção vai além do ato de acolher uma criança ou adolescente; é um gesto que transforma vidas e contribui diretamente para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Estudos indicam que crianças adotadas em idade mais avançada, quando inseridas em ambientes familiares estáveis, apresentam melhorias significativas no desempenho escolar, na saúde mental e na construção de vínculos afetivos duradouros.

"Adotar é dar uma oportunidade de vida, e isso é transformador não apenas para a criança, mas para toda a sociedade", reforça a assistente social Claudia Prado, que acompanha famílias adotivas há mais de duas décadas.

Desafios e perspectivas para o futuro

Apesar dos avanços, o sistema de adoção no Brasil ainda enfrenta inúmeros desafios. A burocracia, a falta de agilidade nos processos judiciais e o preconceito em relação a crianças mais velhas continuam sendo barreiras significativas. Especialistas defendem que investimentos em campanhas de conscientização e na capacitação de profissionais do judiciário são essenciais para superar esses obstáculos.

Além disso, programas como o "Um Lar Para Mim" destacam a importância de iniciativas governamentais bem estruturadas e alinhadas às necessidades das famílias e das crianças. "A sociedade precisa entender que a adoção é uma via de mão dupla, onde todos ganham", conclui Luiz Carlos Almeida.

A Visão do Especialista

O programa "Um Lar Para Mim" representa um passo significativo na promoção da adoção tardia e na reestruturação de um sistema historicamente marcado por desafios e preconceitos. Contudo, é fundamental que iniciativas como essa sejam expandidas e replicadas em escala nacional, com o apoio de políticas públicas consistentes e do engajamento da sociedade civil.

O Dia Nacional da Adoção é uma oportunidade para refletirmos sobre o papel de cada um na construção de um país mais acolhedor e inclusivo. Afinal, dar um lar a uma criança não é apenas um ato de amor, mas também um compromisso com o futuro.

Mulheres e crianças recebem apoio emocional e abrigo através do programa Um Lar Para Mim.
Fonte: odia.ig.com.br | Reprodução

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