Em 13 de maio de 2026, o ministro Nunes Marques, presidente do TSE, oficializou as regras de dupla checagem das urnas eletrônicas para as eleições gerais. A medida, aprovada nas resoluções de fevereiro, visa reforçar a transparência e a confiabilidade do processo de votação, permitindo que os dois primeiros e os dois últimos eleitores de cada seção acompanhem a geração da Zerésima e do Boletim de Urna.

O que são as regras de dupla checagem?
As novas normas exigem que os dois primeiros eleitores de cada seção fiscalizem a emissão da Zerésima, documento que comprova a ausência de votos antes da abertura. Ao final da votação, os dois últimos eleitores têm acesso ao Boletim de Urna, que apresenta a apuração automática dos votos da seção, garantindo que o fechamento seja público e auditável.
Contexto histórico da fiscalização eleitoral no Brasil
Desde a introdução das urnas eletrônicas em 1996, o Brasil tem buscado mecanismos de controle social para evitar fraudes. A prática da Zerésima já era adotada em 2022, mas nunca havia sido detalhada em resolução, o que limitava a participação cidadã e a formalização de eventuais recusas de fiscalização.
Como funcionam a Zerésima e o Boletim de Urna
A Zerésima é impressa pelo próprio mesário antes da primeira votação e contém um código de verificação que pode ser conferido por qualquer cidadão presente. Já o Boletim de Urna, gerado ao término da seção, traz o total de votos por candidato, a assinatura digital do equipamento e o hash que assegura a integridade dos dados.
Impacto das resoluções de 2026 no processo eleitoral
Ao institucionalizar a participação dos eleitores na checagem, o TSE cria um canal de controle social que reduz a margem de erro e aumenta a percepção de legitimidade. A exigência de registro em ata de qualquer recusa da fiscalização também cria um histórico documental que pode ser usado em eventuais contestações.
Repercussão no mercado de tecnologia e segurança
Empresas de segurança da informação e fornecedores de hardware eleitoral anunciaram investimentos em módulos de impressão e criptografia para atender à nova demanda. O aumento de contratos com startups de auditoria digital indica que o setor está se preparando para oferecer serviços de verificação em tempo real nas seções.
Reações de partidos políticos e movimentos sociais
Partidos de centro‑esquerda elogiaram a medida como um avanço na luta contra a desinformação que marcou a campanha de 2022. Já alguns grupos conservadores questionaram a "exposição excessiva" dos processos internos, temendo que a participação cidadã possa ser usada como ferramenta de pressão política.
Análise de especialistas em direito eleitoral
Professores da USP e da FGV destacam que a dupla checagem preenche lacunas apontadas em decisões do STF sobre a necessidade de maior transparência. Eles apontam que a norma pode servir de precedente para futuras reformas, como a regulamentação do uso de IA nas campanhas.
Principais mudanças introduzidas pelas resoluções de 2026:
- Participação obrigatória dos dois primeiros e dois últimos eleitores na geração da Zerésima e do Boletim de Urna.
- Registro em ata de qualquer recusa de fiscalização por parte do mesário.
- Padronização de códigos de verificação e assinatura digital.
- Diretrizes claras para auditoria independente por organizações da sociedade civil.
Comparativo entre as normas de 2022 e as de 2026:
| Aspecto | 2022 | 2026 |
|---|---|---|
| Emissão da Zerésima | Opcional, sem participação cidadã | Obrigatória, com presença de 2 eleitores |
| Boletim de Urna público | Disponível após totalização | Disponível ao final de cada seção, com 2 eleitores |
| Registro de recusas | Não previsto | Obrigatório em ata |
| Auditoria externa | Limitada | Facilitada por assinatura digital |
Desafios e críticas à dupla checagem
Críticos apontam que a presença de eleitores pode atrasar o início da votação em zonas rurais com baixa densidade populacional. Além disso, há preocupação com a possibilidade de pressão sobre os eleitores escolhidos, exigindo treinamento e proteção adequados.
Perspectivas para as eleições de 2026
Com a dupla checagem, espera‑se que a confiança nas urnas eletrônicas seja reforçada, reduzindo o terreno fértil para teorias conspiratórias. A medida também abre caminho para futuras inovações, como a integração de blockchain na certificação dos resultados.
A Visão do Especialista
Para o jurista Carlos Henrique de Souza, a iniciativa de Nunes Marques representa um "ponto de inflexão" na consolidação da democracia eletrônica no Brasil. Ele argumenta que, ao institucionalizar a auditoria cidadã, o TSE cria um mecanismo de freios e contrapesos que pode ser expandido para outras fases do pleito, como a divulgação de relatórios de uso de IA nas campanhas. O especialista alerta, porém, que a efetividade dependerá da capacitação dos eleitores‑fiscalizadores e da robustez dos sistemas de registro em ata.
Compartilhe essa reportagem com seus amigos.
Discussão