O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, rejeitou nesta sexta-feira (13 de junho de 2026) um pedido apresentado pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG) e pelo advogado Marco Aurélio Carvalho, do Grupo Prerrogativas. A solicitação buscava proibir a exibição e a suposta exploração eleitoral do filme Dark Horse, que aborda a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão ocorre no contexto das eleições presidenciais programadas para outubro de 2026.

Os argumentos do pedido rejeitado
Segundo os autores da representação, o longa-metragem, com estreia prevista para setembro de 2026, a menos de um mês do primeiro turno das eleições presidenciais, poderia ser utilizado como instrumento de propaganda eleitoral antecipada em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Eles alegaram que a "disputa presidencial não poderia ser influenciada por despesas milionárias externas à contabilidade eleitoral".
Os representantes também mencionaram o envolvimento do senador Flávio Bolsonaro na produção do filme. Segundo eles, Flávio teria solicitado apoio financeiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, envolvido no escândalo do Banco Master, para viabilizar o projeto. A preocupação levantada foi de que o filme poderia servir como um "ativo de campanha", influenciando os resultados eleitorais.
Justificativa de Nunes Marques
Ao rejeitar o pedido, Nunes Marques destacou que nem o deputado Rogério Correia nem o advogado Marco Aurélio Carvalho possuíam legitimidade para apresentar a ação, uma vez que ambos não são candidatos à Presidência da República. "Os representantes não disputam eleição na circunscrição nacional, tendo em vista que Rogério Correia de Moura Baptista é deputado federal e pré-candidato ao mesmo cargo apenas no estado de Minas Gerais, ao passo que Marco Aurélio de Carvalho, advogado, sequer alegou pretensão de concorrer nas Eleições 2026", argumentou o ministro em seu despacho.
A decisão de Nunes Marques também enfatizou que, pelo Código Eleitoral, apenas candidatos diretamente envolvidos na disputa pela Presidência ou partidos políticos podem questionar ações de propaganda eleitoral de concorrentes. Dessa forma, a análise do mérito da acusação de propaganda eleitoral dissimulada foi descartada.
O filme Dark Horse e seu impacto político
Dark Horse é um filme que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil e figura polarizadora no cenário político nacional. Com estreia prevista para setembro de 2026, a produção tem gerado discussões acaloradas sobre seu possível impacto nas eleições presidenciais, especialmente devido à proximidade de seu lançamento com o início do pleito.
Informações divulgadas indicam que a produção do filme envolveu um financiamento significativo, cujos detalhes ainda não foram completamente esclarecidos. A relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, mencionada na representação, levanta questionamentos quanto à origem dos recursos para o filme e sua eventual influência na campanha presidencial.
O que diz a legislação eleitoral sobre propaganda antecipada?
No Brasil, a legislação eleitoral é clara ao proibir quaisquer ações que possam ser caracterizadas como propaganda eleitoral antecipada. De acordo com a Lei nº 9.504/1997, a propaganda eleitoral só é permitida a partir de 16 de agosto do ano da eleição. Antes dessa data, qualquer ação que configure pedido explícito de votos pode ser considerada irregular.
No entanto, a legislação também prevê algumas exceções, como manifestações individuais de opinião em redes sociais e a divulgação de conteúdos culturais ou artísticos, desde que não configurem pedido explícito de votos. É nesse contexto que a polêmica em torno de Dark Horse se insere, com os críticos alegando que o filme pode desempenhar um papel de promoção política velada.
A repercussão política e as implicações para a eleição
A decisão do ministro Nunes Marques repercutiu amplamente no meio político. Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticaram a negativa do TSE, alegando que a exibição do filme pode comprometer a isonomia do processo eleitoral. Por outro lado, apoiadores de Jair Bolsonaro e de seu filho, Flávio Bolsonaro, defenderam a decisão como um exemplo de respeito à liberdade de expressão e à legalidade.
Especialistas em direito eleitoral destacam que casos como este evidenciam a complexidade crescente das campanhas eleitorais no Brasil. Em um cenário onde mídias digitais, redes sociais e produções culturais desempenham papéis cada vez mais significativos, o debate sobre o que constitui propaganda eleitoral dissimulada se torna mais relevante do que nunca.
Precedentes e o papel do TSE
O Tribunal Superior Eleitoral tem enfrentado, nos últimos anos, desafios significativos na regulação de campanhas eleitorais. Desde o aumento do uso das redes sociais até a veiculação de conteúdos midiáticos, como filmes e séries, a Corte tem sido chamada a decidir o que caracteriza propaganda irregular.
Decisões anteriores do TSE já trataram de questões semelhantes, como a utilização de obras culturais para potencializar campanhas políticas. A jurisprudência permite a exibição de filmes e outras produções, contanto que não haja pedido explícito de votos ou associação direta com campanhas eleitorais.
Próximos passos e desdobramentos
Com a decisão de Nunes Marques, o lançamento de Dark Horse segue permitido até o momento. No entanto, caso candidatos à Presidência ou partidos políticos entendam que a produção configura propaganda eleitoral irregular, novos questionamentos poderão ser apresentados ao TSE.
Além disso, o financiamento do filme pode se tornar alvo de investigações mais aprofundadas, especialmente devido às alegações de que recursos de origem duvidosa teriam sido utilizados para sua produção. Órgãos de controle e fiscalização poderão ser acionados para apurar essas denúncias.
A Visão do Especialista
O caso envolvendo o filme Dark Horse e a decisão de Nunes Marques ilustra os desafios enfrentados pela Justiça Eleitoral em tempos de campanhas cada vez mais midiáticas. Enquanto a liberdade de expressão deve ser preservada, é crucial garantir que o processo eleitoral seja justo e que não haja interferência indevida por meios externos.
Especialistas alertam para a necessidade de maior transparência no financiamento de produções culturais que possam impactar o cenário político. Além disso, a sociedade civil e as autoridades devem permanecer vigilantes quanto ao uso de estratégias que possam comprometer a igualdade de condições durante o período eleitoral.
Com o lançamento do filme se aproximando e as eleições de 2026 no horizonte, o caso Dark Horse pode ser apenas o início de um debate mais amplo sobre os limites entre cultura, liberdade de expressão e propaganda eleitoral. Cabe ao TSE e à sociedade brasileira garantir que esses limites sejam respeitados.
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