A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu, no último dia 15 de maio de 2026, um alerta sobre a rápida expansão global dos sachês de nicotina, também conhecidos como "pouches" ou "snus". Esses produtos, frequentemente comercializados com sabores atrativos e embalagens modernas, estão sendo promovidos de maneira agressiva para adolescentes e jovens. No entanto, especialistas alertam que há sérios riscos à saúde associados ao seu consumo, especialmente devido à falta de regulamentação em muitos países.
O que são os sachês de nicotina?
Os sachês de nicotina são pequenos pacotes que contêm nicotina e outros aditivos, como aromatizantes e adoçantes, projetados para serem colocados entre a gengiva e o lábio superior. A substância é absorvida pela mucosa oral, oferecendo uma alternativa ao cigarro tradicional e aos dispositivos eletrônicos de vaporização. Embora não envolvam combustão, o que reduz a exposição a algumas substâncias tóxicas presentes no cigarro, a nicotina permanece como principal agente viciante.
O crescimento do mercado e os números alarmantes
De acordo com a OMS, o mercado global de sachês de nicotina está em plena expansão. Em 2024, as vendas ultrapassaram 23 bilhões de unidades, representando um aumento de mais de 50% em comparação ao ano anterior. Já o valor total do setor foi estimado em cerca de US$ 7 bilhões em 2025, o que reforça o crescente interesse da indústria do tabaco por esses produtos.
| Ano | Unidades Vendidas (em bilhões) | Valor do Mercado (em bilhões de US$) |
|---|---|---|
| 2023 | 15 | 4,5 |
| 2024 | 23 | 6,8 |
O impacto nos jovens e os riscos à saúde
A OMS destaca que os jovens são especialmente vulneráveis ao marketing agressivo por trás dos sachês de nicotina. Estudos mostram que estratégias como o uso de sabores doces, embalagens atrativas e publicidade em redes sociais têm atraído adolescentes e jovens adultos para o consumo desses produtos.
O consumo precoce de nicotina pode trazer consequências graves, como prejuízo no desenvolvimento cerebral, dificuldades de aprendizado e atenção, além de aumentar o risco de dependência ao longo da vida. Além disso, o uso de nicotina está associado a um maior risco de doenças cardiovasculares e outros problemas de saúde.
Estratégias da indústria: como os jovens são atraídos
O relatório da OMS aponta que a indústria do tabaco utiliza diversas táticas para conquistar novos consumidores, especialmente os mais jovens. Entre as estratégias destacam-se:
- Embalagens modernas e discretas, que podem ser facilmente escondidas.
- Sabores atrativos, como chiclete, frutas e doces, que mascaram o sabor da nicotina.
- Campanhas publicitárias com influenciadores digitais e forte presença em redes sociais.
- Patrocínio de eventos culturais e esportivos, criando uma associação com estilos de vida aspiracionais.
- Design das embalagens que imita doces ou produtos populares, aumentando o risco de ingestão acidental por crianças.
Lacunas na regulamentação global
Um dos principais fatores que contribuem para o avanço dos sachês de nicotina é a falta de regulamentação em nível global. Segundo a OMS, cerca de 160 países ainda não possuem regras específicas para o uso e comercialização desses produtos. Enquanto isso, apenas 16 países os proibiram completamente, e outros 32 adotaram medidas parciais, como restrições à venda para menores e limitações de sabores e publicidade.
O caso do Brasil
Embora os sachês de nicotina sejam atualmente proibidos no Brasil, sua comercialização ocorre de forma ilegal, principalmente em plataformas digitais como redes sociais e aplicativos de mensagens. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está revisando a regulamentação sobre o tema, o que pode levar à liberação ou à manutenção do veto.
O que a OMS recomenda?
Para conter a expansão dos sachês de nicotina, a OMS recomenda que os governos adotem medidas rigorosas de regulamentação. Entre as propostas estão:
- Proibir ou restringir sabores e aditivos, que tornam os produtos mais atrativos para os jovens.
- Proibição de publicidade, especialmente em mídias digitais e redes sociais.
- Controle rigoroso da venda a menores, com sanções para quem descumprir as normas.
- Implementação de advertências claras nas embalagens sobre os riscos do uso de nicotina.
- Aplicação de impostos para diminuir a acessibilidade, especialmente entre os mais jovens.
A visão do especialista
O avanço dos sachês de nicotina reflete um esforço contínuo da indústria do tabaco para fidelizar uma nova geração de consumidores em um momento em que o cigarro tradicional enfrenta restrições crescentes. Como divulgador científico, é fundamental destacar que, mesmo sem a fumaça do cigarro convencional, esses produtos não são isentos de riscos e devem ser tratados com extrema cautela.
Governos, instituições de saúde e a sociedade civil precisam agir de forma coordenada para garantir que a regulamentação acompanhe a inovação desses produtos. Além disso, é essencial investir em campanhas educativas direcionadas ao público jovem, destacando os riscos da dependência de nicotina e promovendo escolhas saudáveis.
Compartilhe essa reportagem com seus amigos para que mais pessoas possam estar informadas sobre os riscos dos sachês de nicotina e a importância de uma regulamentação eficaz para a proteção das gerações futuras.
Discussão