O Open Finance, iniciativa que promete transformar o mercado financeiro brasileiro, tem enfrentado desafios significativos na sua implementação para empresas. Apesar de avanços notáveis entre pessoas físicas, a adesão no segmento de Pessoa Jurídica (PJ) ainda é limitada, travando o acesso a créditos mais baratos e inibindo oportunidades de eficiência financeira.

O que é Open Finance e como ele impacta empresas?

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O Open Finance é um sistema que permite o compartilhamento de dados financeiros entre instituições, desde que o cliente dê seu consentimento. Para as empresas, ele representa uma chance de melhorar o acesso a serviços financeiros, como crédito e gestão de contas, com base em informações mais completas e atualizadas sobre o negócio.

Ao consolidar dados financeiros, o Open Finance pode reduzir o custo do crédito ao oferecer informações precisas sobre a saúde financeira da empresa. Isso tende a aumentar a confiança das instituições e minimizar riscos, refletindo em condições mais vantajosas.

Empresas patinam em burocracia e enfrentam dificuldades para obter crédito a preços acessíveis.
Fonte: valorinveste.globo.com | Reprodução

Entraves burocráticos: a pedra no caminho

Apesar das promessas, a realidade para empresas é desafiadora. Apenas 1,4 milhão de negócios no Simples Nacional compartilham dados via Open Finance, num universo de 40 milhões de empresas. O principal obstáculo? A burocracia no processo de consentimento.

Empresas com mais de um sócio enfrentam dificuldades adicionais, pois o sistema exige que todos os responsáveis legais autorizem o compartilhamento. A falta de padronização entre instituições financeiras torna o processo ainda mais complexo, já que as exigências variam conforme a política de cada banco.

Impactos práticos da burocracia

  • Consentimentos que exigem múltiplas assinaturas, muitas vezes, não são concluídos.
  • A ausência de notificações sobre assinaturas pendentes trava o processo e causa reinício.
  • Empresas perdem tempo e enfrentam obstáculos para consolidar suas informações financeiras.

MEIs e PMEs: entre oportunidades e limitações

Microempreendedores Individuais (MEIs) e Pequenas e Médias Empresas (PMEs), que representam uma grande parte da economia brasileira, também enfrentam desafios únicos. Inicialmente, os MEIs precisavam de uma segunda autorização para compartilhar dados, mesmo sendo empresas de sócio único. Esse problema já foi resolvido, mas a confusão entre contas pessoais e empresariais ainda trava o sistema.

Por exemplo, muitos MEIs utilizam contas de Pessoa Física (PF) para gerenciar seus negócios. No modelo atual do Open Finance, essas movimentações financeiras não contribuem para o histórico de crédito da empresa, limitando o acesso a linhas de financiamento mais vantajosas.

Por que o Open Finance é tão importante para MEIs e PMEs?

  • Centralização de contas e simplificação da gestão financeira.
  • Possibilidade de negociar linhas de crédito com menor taxa de juros.
  • Maior transparência nas operações financeiras.

Impactos no mercado de crédito

A adoção do Open Finance pelas empresas tem potencial para revolucionar o mercado de crédito. Atualmente, as instituições financeiras utilizam o Sistema de Informações de Crédito (SCR) do Banco Central, que oferece apenas dados limitados, como dívidas pendentes.

Com o Open Finance, as instituições podem acessar um histórico mais abrangente, incluindo informações sobre transações, patrimônio e fluxo de caixa. Esses dados detalhados permitem uma análise de crédito mais precisa, reduzindo riscos e promovendo taxas mais competitivas.

O que está em jogo para o mercado?

  • Maior eficiência na análise de risco.
  • Expansão do acesso ao crédito para micro e pequenas empresas.
  • Possibilidade de criação de novos produtos financeiros personalizados.

Demandas do setor e próximos passos

Diante dos entraves, a Associação Open Finance tem trabalhado como mediadora junto ao Banco Central para simplificar os processos de governança e compartilhamento de dados. Uma das prioridades é resolver os problemas enfrentados por empresas com múltiplos sócios, que impactam diretamente a adesão ao sistema.

A partir de agosto de 2026, novas demandas do mercado serão incorporadas ao planejamento estratégico do Open Finance. Entre os participantes dessa discussão estão entidades como a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Zetta, que representa fintechs e bancos digitais.

A Visão do Especialista

Embora o Open Finance para empresas enfrente desafios significativos, seu potencial de transformação do mercado financeiro é inegável. A adoção plena do sistema pode democratizar o acesso ao crédito, reduzir custos financeiros e melhorar a gestão de negócios, especialmente para MEIs e PMEs.

No entanto, para que isso ocorra, é essencial que o Banco Central e as instituições financeiras priorizem a padronização do processo de consentimento e enderecem as barreiras relacionadas à mistura de contas pessoais e empresariais.

Empresas que desejam aproveitar as vantagens do Open Finance devem se preparar para uma transição que, embora complexa, pode oferecer benefícios substanciais no longo prazo. Enquanto os desafios persistem, o mercado segue atento às próximas movimentações do Banco Central e das associações do setor.

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