A Operação Xapiri, realizada entre os dias 1º e 15 de abril de 2026, resultou na destruição de 19 acampamentos e na interdição de cinco pistas de pouso clandestinas utilizadas pelo garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, situada em Roraima. Coordenada pelo Comando Operacional Conjunto Catrimani II, a ação mobilizou forças de segurança pública, agências federais e as Forças Armadas, com apoio da Casa de Governo em Roraima.

O avanço do garimpo ilegal na Terra Yanomami

A Terra Indígena Yanomami, a maior do Brasil, é reconhecida internacionalmente por sua importância ambiental e sociocultural. Com 9,6 milhões de hectares, é o lar de cerca de 30 mil indígenas que dependem diretamente dos recursos naturais para sua sobrevivência. No entanto, a região tem sido ameaçada pelo avanço do garimpo ilegal, que causa desmatamento, contaminação dos rios por mercúrio e um impacto devastador na saúde das comunidades.

Segundo dados do Instituto Socioambiental (ISA), mais de 20 mil garimpeiros ilegais estavam presentes na Terra Yanomami em 2022, número que tem reduzido com as recentes operações de desintrusão, mas que ainda representa um desafio para as autoridades.

Resultados da Operação Xapiri

Durante a Operação Xapiri, as pistas de pouso clandestinas nas regiões de Xiriana, Noronha, Capixaba, Quincas e Hélio foram desativadas por meio do uso de uma tonelada de explosivos. Essas pistas eram cruciais para o transporte de equipamentos, combustível e mercadorias destinadas ao garimpo ilegal.

Além disso, as forças de segurança apreenderam 1.570 litros de combustível, motores, balsas, barcos, armas, munições e celulares. Cinco suspeitos foram detidos e encaminhados à Polícia Federal para investigação. O impacto financeiro sobre os garimpeiros foi significativo, com prejuízos milionários às atividades ilegais.

Uma operação de grande escala

Desde o início das operações de desintrusão na Terra Yanomami, em abril de 2024, o Comando Operacional Conjunto Catrimani II realizou mais de 9.758 ações, que resultaram em 361 prisões, destruição de 2.145 motores e 838 acampamentos, além da apreensão de 249,4 kg de ouro e cerca de uma tonelada de mercúrio. No total, as perdas para o garimpo ilegal já ultrapassam R$ 680,6 milhões.

Item Quantidade
Acampamentos destruídos 838
Pistas clandestinas interditadas 80
Aeronaves destruídas 51
Mercúrio apreendido 1 tonelada

Os impactos na saúde e no meio ambiente

O uso de mercúrio no garimpo é uma das principais ameaças à saúde dos povos Yanomami. Estima-se que 90% dos indígenas em algumas regiões apresentem níveis elevados de mercúrio no sangue. Esse metal pesado, usado para extrair ouro, contamina os rios e a fauna local, afetando diretamente a alimentação e o acesso à água potável das comunidades.

Além disso, o desmatamento e a degradação ambiental causados pelo garimpo afetam não apenas a biodiversidade da região, mas também agravam as mudanças climáticas em nível global, dado o papel crucial da Amazônia como reguladora do clima planetário.

A atuação das Forças Armadas e da Polícia Federal

A Operação Xapiri contou com o apoio de seis aeronaves do Exército e da Força Aérea Brasileira (FAB), além de equipamentos de visão noturna que ampliaram a capacidade de ação durante a noite. O uso de tecnologia e logística avançada tem sido essencial para o sucesso dessas operações em áreas de difícil acesso, como a região do Alto Catrimani.

As forças de segurança também têm enfrentado desafios logísticos, como o resgate de pessoas em áreas isoladas. Um exemplo foi o caso de uma profissional de saúde picada por uma cobra, que precisou ser evacuada de emergência durante a operação.

Desafios e a continuidade das operações

Apesar dos avanços, o combate ao garimpo ilegal na Terra Yanomami enfrenta desafios significativos. A vastidão do território, aliado ao financiamento de atividades ilegais por redes organizadas, dificulta a erradicação completa do problema. Além disso, a reintegração dos indígenas às suas terras requer apoio contínuo, tanto em saúde quanto em segurança alimentar.

O governo federal tem reforçado o compromisso com a desintrusão e a proteção dos territórios indígenas, mas especialistas apontam que é necessário investir em políticas públicas de longo prazo para garantir a sustentabilidade econômica e ambiental da região.

A Visão do Especialista

A Operação Xapiri representa um marco no combate ao garimpo ilegal, mas está longe de ser suficiente para resolver o problema de forma definitiva. É fundamental que haja investimentos em tecnologia para monitorar as áreas protegidas, fortalecimento das instituições de fiscalização e criação de alternativas econômicas para as comunidades locais.

Além disso, a cooperação internacional é vital, dado que o ouro extraído ilegalmente geralmente atravessa fronteiras para abastecer mercados globais. Países consumidores precisam adotar políticas mais rígidas para evitar a comercialização de ouro de origem ilegal.

Preservar a Terra Indígena Yanomami não é apenas uma questão de justiça social, mas também de sobrevivência ambiental global. Somente com esforços coordenados entre governos, sociedade civil e organismos internacionais será possível proteger esse patrimônio único da humanidade.

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