As autoridades do Espírito Santo estão investigando a ação de organizações criminosas que operam "call centers do crime". Esses grupos, altamente estruturados, utilizam tecnologia avançada e táticas de manipulação psicológica para aplicar golpes financeiros, enganando vítimas por meio de ligações telefônicas fraudulentas. A investigação está sendo conduzida pela Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações (Defa), que alerta sobre a gravidade da situação e a necessidade de prevenção.

Como funcionam os "call centers do crime"

Esses esquemas criminosos, baseados principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, são estruturados como verdadeiros escritórios. Os golpistas se passam por funcionários de bancos, empresas ou instituições públicas, utilizando a técnica de "spoofing" para mascarar o número de telefone, fazendo parecer que a ligação parte de uma fonte confiável.

O objetivo principal dessas ligações é colher informações sigilosas, como senhas bancárias, números de cartões ou dados pessoais, para realizar fraudes financeiras. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), essas operações utilizam estratégias de engenharia social, manipulando emocionalmente as vítimas para que forneçam os dados ou realizem transferências financeiras.

Casos no Espírito Santo

Embora a maioria dos "call centers do crime" opere fora do Estado, o Espírito Santo já registrou casos localizados. Em 2024, uma base criminosa foi descoberta em uma sala comercial no centro de Vitória. Os golpistas, oriundos do Rio de Janeiro, fingiam ser correspondentes bancários para atrair vítimas com promessas de empréstimos ou alertas de movimentações suspeitas. Apesar da descoberta, os criminosos fugiram antes da chegada da polícia, e as investigações continuam.

O delegado Fabiano Alves Azevedo de Melo, responsável pela Defa, destacou que a ação desses grupos é uma ameaça constante, especialmente devido ao uso de tecnologia avançada, como inteligência artificial para reprodução de voz, o que aumenta a credibilidade dos golpes.

Principais estratégias usadas pelos golpistas

De acordo com a Febraban, os criminosos utilizam diferentes abordagens para enganar as vítimas. Entre as mais comuns estão:

  • Golpe da falsa central telefônica: O golpista informa sobre supostas transações não autorizadas ou problemas de segurança na conta bancária. Ele orienta a vítima a ligar para o banco, mas mantém a linha aberta para continuar a fraude.
  • Falsos sorteios: Os golpistas fingem ser representantes de programas de TV ou empresas e alegam que a vítima ganhou um prêmio. Para recebê-lo, exigem o pagamento de taxas via Pix.
  • Uso de contas laranja: Os valores roubados são transferidos para contas bancárias de terceiros, muitas vezes registradas com dados pessoais obtidos ilegalmente.

Impacto financeiro e social

A atuação dos "call centers do crime" tem gerado prejuízos milionários. Apenas em 2025, a Febraban estimou que golpes telefônicos resultaram em perdas superiores a R$ 300 milhões no país. Além disso, o impacto psicológico nas vítimas é profundo, gerando medo, insegurança e até mesmo dificuldade em confiar em serviços bancários legítimos.

Especialistas em segurança cibernética apontam que a digitalização dos serviços financeiros, embora traga benefícios, também aumenta a vulnerabilidade para ataques cibernéticos e fraudes. A falta de conhecimento sobre como identificar golpes é um dos principais fatores que contribuem para o sucesso dessas operações criminosas.

Orientações para evitar golpes

Para reduzir os riscos de ser vítima de fraudes telefônicas, é importante seguir algumas recomendações:

  • Não forneça informações pessoais ou bancárias por telefone: Bancos e instituições financeiras legítimas nunca solicitam senhas ou códigos de segurança.
  • Desconfie de ligações inesperadas: Caso receba uma chamada suspeita, desligue imediatamente e entre em contato com o banco pelos canais oficiais.
  • Evite atender números desconhecidos: Se necessário, verifique a origem da ligação antes de atender.
  • Não clique em links desconhecidos: Golpistas podem enviar mensagens de texto ou e-mails com links maliciosos.

Como agir em caso de golpe

Se você foi vítima de um golpe, tome as seguintes providências:

  • Notifique imediatamente seu banco para bloquear contas, cartões e acessos digitais.
  • Registre um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima ou pela internet, no site oficial https://sesp.es.gov.br.
  • Monitore suas contas bancárias e financeiras para identificar transações suspeitas.

Ações das autoridades

A Polícia Civil do Espírito Santo, em parceria com outras forças de segurança, tem intensificado as investigações sobre os "call centers do crime". Além do monitoramento de suspeitos, a polícia busca identificar as redes de apoio que fornecem dados pessoais para os golpistas.

De acordo com o delegado Fabiano Melo, a colaboração com instituições financeiras e empresas de telecomunicações é essencial para rastrear as origens das ligações fraudulentas e desarticular essas operações criminosas. A população também desempenha um papel importante, ao denunciar casos suspeitos e adotar práticas de segurança no uso de serviços telefônicos e bancários.

A Visão do Especialista

O avanço da tecnologia trouxe benefícios inegáveis, mas também abriu caminho para novas formas de crime. Especialistas defendem que, além das ações policiais, é fundamental investir em educação digital para conscientizar a população sobre os riscos de golpes e como se proteger.

No futuro, espera-se que as instituições financeiras e as autoridades intensifiquem o uso de inteligência artificial para identificar e bloquear ações fraudulentas em tempo real. No entanto, a prevenção começa com o próprio usuário, que deve estar atento e tomar medidas de segurança em seu dia a dia.

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