O infarto do miocárdio, historicamente associado a pessoas idosas, tem se tornado uma preocupação crescente entre jovens abaixo dos 30 anos. Essa mudança de perfil demográfico chamou a atenção de especialistas e do público em geral, especialmente após a recente morte da miss Maiara Cristina de Lima Fiel, de 31 anos, em Sarandi, Paraná. Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (Sesa), em 2025, foram registradas 86 internações de pacientes entre 0 e 39 anos por infarto, com 29 mortes confirmadas. O aumento desses casos acende um alerta sobre hábitos e fatores de risco que afetam as novas gerações.

O que é um infarto do miocárdio?

O infarto do miocárdio ocorre quando há uma interrupção no fluxo sanguíneo que chega ao coração, geralmente devido ao bloqueio de uma artéria coronária. Esse bloqueio é frequentemente causado pelo acúmulo de placas de gordura nas paredes arteriais, um processo conhecido como aterosclerose. Essa condição impede que o oxigênio e os nutrientes cheguem ao músculo cardíaco, resultando em sua lesão ou morte. Embora mais comum em idosos, o infarto tem se manifestado de forma preocupante em jovens adultos.

Quais são as causas do aumento de infartos em jovens?

Especialistas apontam para uma combinação de fatores que contribuem para o crescimento de infartos em pessoas com menos de 30 anos. Entre eles, destacam-se:

  • Uso de cigarro eletrônico: Apesar de ser comumente visto como uma alternativa "segura" ao tabagismo, o cigarro eletrônico pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares devido à presença de nicotina e outras substâncias químicas.
  • Consumo de drogas: Substâncias ilícitas, como cocaína e metanfetaminas, estão diretamente associadas a problemas cardíacos graves.
  • Suplementação hormonal inadequada: O uso indiscriminado de hormônios, como o "chip da beleza" e esteroides anabolizantes, pode alterar o metabolismo lipídico e aumentar os riscos cardiovasculares.
  • Má alimentação: Dietas ricas em gorduras saturadas, açúcares e alimentos ultraprocessados agravam o risco de formação de placas de gordura nas artérias.
  • Sedentarismo: A falta de atividade física regular contribui para a obesidade e outros fatores de risco, como hipertensão arterial e diabetes.
  • Histórico familiar: A predisposição genética também desempenha um papel significativo no surgimento de doenças cardíacas em jovens.

A mudança no perfil de risco

De acordo com a cardiologista Carolina Lugon, da Unimed Vitória, tem sido evidente uma mudança no perfil de risco para infartos. A médica relata que cada vez mais jovens, sem histórico de problemas cardíacos, têm apresentado sintomas relacionados ao infarto em seus consultórios. Esse cenário reflete um estilo de vida contemporâneo que mistura estresse crônico, má alimentação e hábitos prejudiciais à saúde.

Dados alarmantes sobre infartos em jovens

Para contextualizar a gravidade do problema, apresentamos os números mais recentes divulgados pela Sesa em 2025:

Faixa Etária Total de Internações Óbitos
0 a 19 anos 12 3
20 a 29 anos 31 10
30 a 39 anos 43 16

O papel do estilo de vida moderno

O estilo de vida moderno, caracterizado por longas jornadas de trabalho, alto consumo de fast food, sono irregular e uso excessivo de dispositivos eletrônicos, tem contribuído para o aumento dos fatores de risco cardíaco. O estresse crônico e a falta de momentos para relaxamento e exercícios físicos são algumas das principais causas subjacentes à deterioração da saúde cardiovascular entre os jovens.

Como prevenir o infarto em jovens?

Embora o infarto em jovens seja uma realidade preocupante, há medidas preventivas que podem ser adotadas para reduzir os riscos:

  • Adotar uma alimentação equilibrada, rica em frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras.
  • Praticar atividade física regular, como caminhadas, corridas ou exercícios aeróbicos.
  • Reduzir o consumo de álcool, cigarro e substâncias ilícitas.
  • Acompanhar regularmente os níveis de colesterol, pressão arterial e glicemia.
  • Evitar a automedicação e o uso de suplementos ou hormônios sem orientação médica.
  • Controlar o estresse por meio de práticas como meditação, yoga ou outras atividades relaxantes.

O que fazer em caso de sintomas de infarto?

Os sintomas de um infarto podem variar, mas os mais comuns incluem:

  • Dor ou desconforto no peito, frequentemente descritos como uma pressão ou aperto.
  • Dor que irradia para ombros, braços, costas, pescoço ou mandíbula.
  • Dificuldade para respirar.
  • Náusea, tontura ou suor excessivo.

Ao identificar esses sinais, procure ajuda médica imediatamente. O tempo é um fator crucial para minimizar os danos ao coração. Ligue para o serviço de emergência e evite esforços físicos até ser atendido.

A Visão do Especialista

O aumento de infartos em jovens é um alerta de que nossa sociedade precisa reavaliar hábitos e comportamentos. O coração não é imune ao estilo de vida moderno, e a prevenção deve começar cedo, com educação sobre hábitos saudáveis e acesso a cuidados médicos regulares.

Especialistas reforçam a necessidade de campanhas públicas de conscientização sobre os riscos de comportamentos como o uso de cigarros eletrônicos e a automedicação com hormônios. Além disso, políticas públicas voltadas para a promoção da saúde cardiovascular podem desempenhar um papel crucial na reversão dessa tendência preocupante.

Manter um estilo de vida saudável, realizar check-ups periódicos e buscar orientação médica são passos fundamentais para prevenir infartos e garantir uma qualidade de vida melhor, independentemente da idade.

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