Uma auditoria do Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM) constatou que a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) está descumprindo a lei que obriga a colocação de placas indicativas em todas as obras públicas. O relatório, divulgado em 08/05/2026, aponta omissões e inconsistências em 68 obras analisadas, gerando alerta sobre a transparência dos contratos municipais.

Entenda a exigência legal

A Lei Municipal nº 16.050/2013 determina que cada obra pública deve exibir placa com informações completas sobre a contratação. Entre os dados exigidos estão o órgão responsável, número da licitação, valor total, prazo de execução, data de início e término, além de detalhes do contrato.

Metodologia da auditoria

O TCM selecionou aleatoriamente 68 obras em diferentes regiões da capital para inspeção de campo. A amostra incluiu obras de infraestrutura, urbanismo e projetos emergenciais, permitindo comparar a prática municipal com a norma vigente.

Principais constatações

De acordo com a auditoria, 28% das obras (19 unidades) não apresentavam a sinalização exigida. Todas as placas instaladas continham falhas, como ausência de número da concorrência, órgão contratante ou prazo de conclusão.

Falhas nas obras emergenciais

Das 21 obras classificadas como emergenciais, nenhuma exibiu o valor total do contrato nas placas. Essa omissão fere o princípio da publicidade, especialmente em situações que demandam rapidez e recursos elevados.

Denúncia e atores envolvidos

A investigação foi iniciada após denúncia do vereador Celso Giannazi e dos deputados federal Luciene Cavalcante e estadual Carlos Giannazi, todos filiados ao PSOL. Os parlamentares enviaram documentos ao TCM apontando irregularidades e solicitando fiscalização.

Reação da Prefeitura

A Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras contestou os números, alegando que a amostra não reflete a realidade da cidade. Em nota oficial, o órgão afirmou desconhecer a metodologia do TCM e garantiu que "todas as obras seguem a padronização das placas indicativas, conforme legislação vigente".

Posicionamento sobre obras emergenciais

A Prefeitura justificou a ausência de valores nas placas emergenciais ao citar a necessidade de iniciar rapidamente os trabalhos por risco iminente. Segundo a administração, as informações são inseridas posteriormente, conforme o andamento da obra.

Repercussões jurídicas

O descumprimento da Lei nº 16.050/2013 pode acarretar multas, suspensão de licitações e responsabilização dos gestores. O TCM tem poder de aplicar sanções e encaminhar o caso ao Ministério Público para eventual ação civil pública.

Impacto no mercado da construção

Transparência deficiente afeta a confiança de empreiteiras, investidores e órgãos de controle. A falta de informação pode gerar aumento de custos operacionais, já que empresas precisam dedicar recursos adicionais para regularizar a sinalização.

Cronologia dos fatos

  • 05/07/2026 – Divulgação da auditoria pelo TCM.
  • 08/05/2026 – Publicação da nota da Prefeitura contestando os resultados.
  • 10/05/2026 – Reunião do Conselho Municipal de Controle Social (CMCS) para discutir o relatório.
  • 15/05/2026 – Pedido de esclarecimentos ao secretário de Infraestrutura.
  • 22/05/2026 – Encaminhamento do caso ao Ministério Público de São Paulo.

Dados resumidos

ItemQuantidadePercentual
Obras auditadas68100%
Obras sem placa1928%
Obras emergenciais2131%
Obras emergenciais sem valor na placa21100%

A Visão do Especialista

Para o professor de Direito Administrativo da USP, Dr. Marcelo Almeida, a situação evidencia falhas sistêmicas na gestão de informações públicas. "A obrigatoriedade de placas não é mero detalhe burocrático; é um mecanismo de controle social que, quando violado, abre espaço para práticas irregulares e dificulta a fiscalização cidadã", afirma o especialista, ressaltando a necessidade de auditorias regulares e de um órgão independente para validar a conformidade.

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