Rodoviários de Salvador entram em greve parcial em 8 de maio de 2026, exigindo reajuste salarial acima da inflação e a redução da jornada para seis horas. A mobilização, coordenada pelo Sindicato dos Rodoviários, interrompeu a saída de ônibus em quatro garagens, afetando milhares de passageiros na capital baiana.

Contexto histórico da campanha salarial

Desde 2010, as negociações entre sindicatos de transportes e concessionárias de Salvador são marcadas por ciclos de paralisações e acordos temporários. Em 2014, a categoria conquistou o vale-refeição ampliado; já em 2019, o aumento de 4% acima da inflação foi considerado um marco.

As reivindicações centrais de 2026

O sindicato apresenta um dossiê com quatro demandas principais: reajuste de 5% acima da inflação, vale‑refeição de 30 tickets, revisão das cartas‑horárias e jornada de 6 horas. Cada ponto reflete a deterioração do poder de compra e a sobrecarga de turnos extensos.

Detalhamento dos pedidos

  • Reajuste salarial real: 5% acima da inflação acumulada de 2025‑2026.
  • Vale‑refeição: 30 tickets mensais, equivalentes a R$ 450,00.
  • Cartas‑horárias: reorganização para evitar escalas noturnas excessivas.
  • Jornada de trabalho: redução para 6 horas diárias, com manutenção de salário.

Negociações e impasse com a concessão Integra

Quatro rodadas de negociação foram realizadas entre março e maio, mas a empresa ainda não apresentou contrapartidas satisfatórias. Jorge Castro, diretor da Integra, afirma que a redução da jornada "não está em pauta", mantendo a carga horária de 8 horas.

Impacto econômico e social das paralisações

O atraso nas garagens gerou perda de receita estimada em R$ 1,2 milhão apenas na manhã de 7 de maio. Além disso, a mobilização reduziu a circulação de ônibus em 30%, provocando congestionamento e aumento de tarifas de aplicativos.

ItemDemanda dos rodoviáriosProposta da Integra
Reajuste salarial5% acima da inflação3% acima da inflação
Vale‑refeição30 tickets (R$ 450)25 tickets (R$ 375)
Jornada6 horasManutenção de 8 horas
Cartas‑horáriasRevisão completaAjustes pontuais

Repercussão no mercado de trabalho

Especialistas apontam que a falta de acordo pode desencadear uma onda de reivindicações em outras capitais do Nordeste. O setor de transporte público já enfrenta déficit de 12% na arrecadação municipal, pressionando ajustes de tarifa.

Visão dos economistas sobre a proposta de 5% acima da inflação

Segundo a economista Ana Lúcia Pereira, o índice proposto está alinhado ao aumento de custo de vida registrado pelo IBGE em 2025 (4,8%). Contudo, ela alerta que sem aumento de receita, a concessão pode recorrer a cortes de manutenção.

O papel da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob)

A Semob ainda não se manifestou oficialmente, mas fontes internas indicam que a prefeitura está preparando um mediador independente. A expectativa é que a mediação ocorra na próxima semana, buscando evitar novos atrasos.

Comparativo de paralisações nos últimos cinco anos

Em 2022, a greve dos rodoviários durou 48 horas, resultando em perda de R$ 2,5 milhões; já em 2024, a paralisação de 24 horas gerou R$ 1,8 milhão de prejuízo. O cenário de 2026 indica uma tendência de impactos mais curtos porém mais frequentes.

A estratégia de comunicação do sindicato

Daniel Mota, diretor de comunicação, utiliza redes sociais e assembleias presenciais para mobilizar a categoria e a opinião pública. A campanha "Todos os ônibus na faixa da direita" foi um exemplo de ação de pressão que aumentou a visibilidade da causa.

Expectativas para as próximas negociações

Analistas preveem que a próxima rodada de diálogo será decisiva, com possibilidade de concessões pontuais em vale‑refeição e cartas‑horárias. A redução da jornada, porém, permanece como ponto de ruptura entre as partes.

A Visão do Especialista

O professor de relações trabalhistas, Dr. Marcelo Silva, conclui que a sustentabilidade da negociação depende da criação de um fundo de manutenção financiado por tarifas e subsídios municipais. Sem esse mecanismo, tanto a qualidade do serviço quanto a dignidade dos trabalhadores ficam comprometidas, exigindo intervenção pública para equilibrar as demandas.

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