O debate sobre o modelo de escolas cívico-militares ganhou um novo capítulo em Minas Gerais quando o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) classificou como "estúpida" a postura do governador Mateus Simões (PSD) durante a cerimônia do Dia de Tiradentes, realizada em Ouro Preto. O evento, que ocorreu no dia 21 de abril de 2026, foi marcado por um embate entre o governador e o prefeito da cidade, Angelo Oswaldo (PV), sobre os rumos da educação no estado.
O contexto do embate: modelo cívico-militar versus formação crítica
Durante a cerimônia, o prefeito Angelo Oswaldo defendeu uma educação baseada em valores críticos e democráticos, alinhada aos ideais da Inconfidência Mineira. Ele mencionou uma proposta de "escola cívico-militante" em contraposição ao modelo cívico-militar defendido pelo governador. A resposta de Mateus Simões foi imediata, classificando a fala do prefeito como desrespeitosa aos militares presentes no evento.
O governador afirmou: "Respeito, pelo menos, ter sido recebido como visitante, que é o mínimo que se espera em Minas Gerais, de modo que não dou a casa." A declaração gerou forte repercussão no cenário político estadual, provocando reações de aliados e opositores.
A posição de Rogério Correia
Em entrevista ao jornal Estado de Minas, Rogério Correia expressou solidariedade ao prefeito de Ouro Preto, chamando-o de "grande prefeito" e "homem culto". Ele não poupou críticas ao governador, afirmando que Mateus Simões foi "estúpido" na forma como respondeu e que o modelo cívico-militar é uma "tolice".
Correia também argumentou que o projeto de escolas cívico-militares carece de respaldo legal, especialmente à luz da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Para o deputado, a proposta seria mais uma tentativa de impor uma agenda ideológica, em detrimento de alternativas como os institutos federais, que possuem foco técnico e são amplamente reconhecidos pela qualidade de ensino.
O que são escolas cívico-militares?
O modelo de escolas cívico-militares foi implementado no Brasil em 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro, como parte de uma política voltada para a disciplina e a ordem no ambiente escolar. Essas instituições combinam a gestão compartilhada entre civis e militares, com foco na disciplina, hierarquia e valores patrióticos.
Apesar de elogiadas por alguns setores, as escolas cívico-militares enfrentam críticas de especialistas em educação. Pesquisadores apontam que o modelo pode não ser adequado para fomentar habilidades críticas e criativas nos estudantes, além de levantar questionamentos sobre a alocação de recursos públicos em um sistema educacional paralelo ao modelo tradicional.
O embate entre ideologias educacionais
O confronto entre Mateus Simões e Angelo Oswaldo reflete um debate maior sobre os rumos da educação no Brasil. De um lado, defensores do modelo cívico-militar argumentam que ele promove um ambiente mais disciplinado e seguro para os estudantes. Do outro, críticos sustentam que a proposta é uma forma de militarizar a educação e suprimir a formação crítica dos jovens.
Rogério Correia, alinhado ao campo progressista, reforçou que a educação pública deve priorizar uma formação democrática e plural, ressaltando a importância de investir em escolas técnicas e institutos federais como alternativas mais eficazes e inclusivas.
Repercussões políticas e sociais
A troca de farpas entre Simões e Correia também evidencia o clima de polarização política no estado de Minas Gerais. Enquanto o governador busca avançar com a implementação do modelo cívico-militar, a oposição promete resistir, argumentando que a medida não atende às reais necessidades do sistema educacional mineiro.
Especialistas em educação têm se manifestado sobre o tema. Alguns apontam que, embora a disciplina seja importante, ela não deve se sobrepor ao desenvolvimento do pensamento crítico. Outros destacam que a implementação de escolas cívico-militares pode desviar recursos de áreas prioritárias da educação pública.
O que diz a legislação brasileira?
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) estabelece os princípios que regem a educação no Brasil. Entre eles, destacam-se a garantia de acesso universal à educação básica e a promoção de uma formação integral, que respeite a pluralidade cultural e a diversidade.
Críticos do modelo cívico-militar argumentam que ele pode entrar em conflito com esses princípios, ao priorizar uma abordagem disciplinar e hierárquica em detrimento da construção de cidadãos críticos e participativos. Por outro lado, os defensores do modelo sustentam que ele está em conformidade com a LDB, ao buscar assegurar um ambiente escolar mais organizado e propício à aprendizagem.
Próximos passos e possíveis desdobramentos
A polêmica em torno das escolas cívico-militares em Minas Gerais deve se intensificar nos próximos meses, especialmente com a proximidade das eleições estaduais. O tema promete ser central nos debates, dividindo opiniões entre diferentes setores da sociedade e da política.
Ao mesmo tempo, a discussão nacional sobre o modelo cívico-militar também pode impactar nos rumos dessa política pública no estado. O Ministério da Educação, sob nova gestão federal, já sinalizou a intenção de rever programas do governo anterior, incluindo as escolas cívico-militares.
A Visão do Especialista
Especialistas em educação destacam que o debate sobre escolas cívico-militares vai além de questões ideológicas, tocando em aspectos estruturais do sistema educacional brasileiro. O foco principal deve ser a qualidade do ensino e a redução das desigualdades, independentemente do modelo adotado.
O embate entre Simões e Correia ilustra a polarização política em torno da educação, mas também evidencia a necessidade de um debate mais aprofundado, baseado em evidências e dados concretos. Para muitos, o desafio está em encontrar um equilíbrio entre disciplina e formação crítica, garantindo que a educação pública atenda às demandas de uma sociedade plural e democrática.
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