Roubo de soja atinge a principal rota do Maranhão e deixa caminhoneiros em risco. Nos últimos meses, carregamentos de grãos têm sido alvos de emboscadas armadas na BR‑135, entre o interior e o Porto do Itaqui.

O corredor de 17 km próximo à saída da BR‑135 virou zona de perigo. Ali, quadrilhas aproveitam a fiscalização eletrônica para montar bloqueios e forçar a parada dos veículos.

Os criminosos utilizam pneus como barricadas e disparos de arma de fogo para intimidar. O objetivo é reduzir a velocidade da carreta e, assim, facilitar o assalto à carga de soja.

Como as emboscadas são executadas?

"Tiro no para‑brisa, pare o carro e abra a tampa", relata um caminhoneiro em áudio gravado no fim de março. O disparo assustou a equipe, que precisou frear bruscamente.

Com a velocidade controlada, os assaltantes se penduram na traseira da carreta e soltam as travas. Quando a caçamba se abre, toneladas de soja se espalham pela pista.

Motoristas têm reforçado as carrocerias com parafusos e suportes adicionais. Rogério da Silva, veterano das estradas, afirma que a medida diminui a facilidade de arrombamento.

Os números alarmam: 44 ocorrências de roubo de grãos em 2025 e 20 suspeitos presos no último ano. Dados da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão confirmam a escalada.

  • Rota: BR‑135, 17 km do Porto do Itaqui.
  • Safra de soja 2026: mais de 6 milhões de toneladas produzidas na região Matopiba.
  • Perdas estimadas: até R$ 150 milhões em roubos e danos.
  • Operação policial: 20 detenções em 2024‑2025.

A expansão da soja em Matopiba, que inclui Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, atraiu criminosos desde a última década. O aumento da produção elevou o valor da carga e, com ele, a violência nas estradas.

Para os exportadores, o roubo compromete a logística e eleva o custo do frete. A incerteza na entrega pode reduzir a competitividade do Brasil no mercado internacional.

As autoridades intensificaram o patrulhamento e instalaram câmeras de monitoramento ao longo da BR‑135. O plano inclui reforço de viaturas e criação de corredores seguros para as carretas.

Produtores como Daniel Lech cobram ação federal e incentivos para blindagem de veículos. Eles temem que a insegurança afaste investimentos na região.

O que dizem os especialistas?

Especialistas em segurança viária apontam falhas na integração entre polícia estadual e federal. Eles recomendam uso de rastreamento por satélite e convênios com empresas de logística privada.

Entenda o impacto na safra

O roubo de soja reduz a quantidade disponível para exportação, pressionando os preços internos. Agricultores podem enfrentar queda de receita e menor margem de lucro.

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