Seis anos após o brutal assassinato da gestante Thaysa Campos, a perícia digital do MPRJ identificou o suspeito Washington Franklin Souza da Silva, conhecido como "Bolinho", como autor do crime. O caso, que chocou a comunidade de Deodoro em 2020, ganha nova luz graças a avançadas técnicas de comparação antropométrica e análise de vídeo.

Investigação criminal em andamento em Deodoro, com uso de tecnologia para desvendar assassinato de grávida.
Fonte: extra.globo.com | Reprodução

Chronologia do caso: dos primeiros desaparecimentos à revelação forense

DataEvento
04/09/2020Desaparecimento de Thaysa Campos após ser interceptada na madrugada.
10/09/2020Corpo encontrado próximo à linha férrea, sem o feto.
2020‑2025Investação estagnada; suspeitos apontados, mas sem provas conclusivas.
27/04/2026Perícia da Divisão de Evidências Digitais (Dedit) compara vídeos e confirma identidade de "Bolinho".

A tecnologia forense que mudou o rumo da investigação

A análise antropométrica revelou padrões únicos de marcha, pisada e postura corporal, funcionando como "impressões digitais do corpo". Peritos do Dedit mediram a sincronia dos braços, curvatura cervical e inclinações do tronco para cruzar dados de duas gravações distintas.

Comparação de vídeo: método inovador

O algoritmo de reconhecimento de movimento identificou 87% de semelhança entre Washington e o indivíduo nas câmeras de segurança. Essa taxa ultrapassa o padrão exigido pelos tribunais para evidência circunstancial.

Repercussão jurídica: da denúncia ao processo

O promotor Fábio Vieira aditou a denúncia, incluindo crimes de feminicídio, ocultação de cadáver e aborto. Apesar da robusta perícia, Washington permanece em liberdade, já que ainda não há ordem de prisão.

Defesa e controvérsias

A defesa alega que a perícia é "inapta, ilegal e arbitrária", apontando a ausência de rosto nas gravações. O argumento levanta debate sobre a admissibilidade de provas digitais em tribunais brasileiros.

Impacto social e o debate sobre feminicídio no Brasil

O caso reacende a discussão sobre violência contra a mulher, especialmente em contextos de relacionamentos extraconjugais. Organizações de direitos humanos utilizam o caso como exemplo de necessidade de políticas preventivas e de proteção às gestantes.

Reação da comunidade de Deodoro

Manifestantes exigem justiça rápida e transparência nas investigações. A pressão popular tem influenciado o Ministério Público a acelerar procedimentos periciais.

Desafios da investigação digital no cenário brasileiro

O acesso a câmeras de segurança ainda é fragmentado, dificultando a coleta de evidências. A falta de padronização nas gravações e a inexistência de um banco nacional de imagens comprometem a eficácia das análises forenses.

Perspectivas de aprimoramento

Especialistas apontam para a criação de protocolos de preservação de dados e integração entre polícias e tribunais. Investimentos em IA e aprendizado de máquina podem reduzir o tempo de identificação de suspeitos.

A Visão do Especialista

Para o perito Maria do Carmo Garglione, "nosso corpo é como uma chave que só abre uma fechadura", indicando que a tecnologia atual permite identificar indivíduos com precisão antes inimaginável. Ela alerta que, embora a perícia seja um avanço, o sistema judicial precisa adaptar-se rapidamente para que tais provas sejam efetivamente utilizadas, garantindo que casos como o de Thaysa não permaneçam impunes.

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