Em 9 de maio de 2026, a Secretaria de Mobilidade de Salvador (Semob) realizou mais uma edição do Laboratório da Mobilidade (MobiLab), reunindo ciclistas, representantes do poder público e sociedade civil para debater a expansão da malha cicloviária da capital baiana.
Contexto histórico da mobilidade ciclística em Salvador
Desde a década de 2010, Salvador vem incorporando a bicicleta como alternativa de transporte urbano, impulsionada por políticas de mobilidade ativa e eventos como a Ciclovia da Orla. O Plano de Mobilidade Urbana (PMU) de 2019 estabeleceu metas de 200 km de ciclovias até 2025, mas apenas 120 km foram efetivamente implementados.
Crescimento dos ciclistas e da infraestrutura
Os números mostram um aumento de 68 % no número de ciclistas registrados entre 2019 e 2025. Esse crescimento acompanha a expansão da rede cicloviária, ainda insuficiente para atender a demanda.
| Ano | Ciclistas registrados | Km de ciclovias (construídos) |
|---|---|---|
| 2019 | 12.400 | 85 |
| 2021 | 15.800 | 105 |
| 2023 | 18.600 | 130 |
| 2025 | 20.900 | 150 |
O Laboratório da Mobilidade (MobiLab) e o mutirão C40
O MobiLab nasce como espaço de cocriação entre técnicos, usuários e gestores, alinhado ao programa global C40 Cities Climate Leadership Group. O projeto "Salvador ligado à mobilidade ativa" foi selecionado para o mutirão C40, que visa acelerar intervenções de baixo carbono nas cidades.
Propostas apresentadas no encontro
A Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF) trouxe ao debate a proposta de implantação de uma ciclovia na Avenida Contorno, eixo estratégico que liga bairros residenciais ao centro. A iniciativa inclui separação física, sinalização inteligente e iluminação LED.
Outras iniciativas discutidas
- Ampliação da ciclovia da Orla Norte.
- Instalação de bicicletários em pontos de alta demanda.
- Programa de educação no trânsito para escolas.
A escuta ativa como ferramenta de política pública
O secretário de Mobilidade, Pablo Souza, enfatizou que "ouvir quem pedala diariamente é essencial para construir uma cidade mais acessível e sustentável". O encontro funcionou como canal direto de feedback para ajustes nos projetos em fase de planejamento.
Estratégia de participação social
Manuela Accioly, assessora do Plano de Mobilidade, destacou que o MobiLab faz parte de um processo contínuo de engajamento cidadão. A segunda edição reforça a institucionalização da participação social nas decisões de infraestrutura urbana.
Representatividade do Movimento Salvador Vai de Bike (MSVB)
Liana Oliva, coordenadora do MSVB, apontou que o evento fortalece a representatividade do movimento e amplia o diálogo com o poder público. A troca de ideias permite que a sociedade acompanhe e influencie diretamente os projetos em curso.
Educação no trânsito e segurança viária
O ciclista Sérgio Costa ressaltou a necessidade de campanhas educativas para melhorar o respeito mútuo entre ciclistas, motoristas e pedestres. A falta de conscientização ainda é a principal causa de acidentes envolvendo bicicletas em Salvador.
Análise de especialistas e impactos econômicos
Urbanistas da Universidade Federal da Bahia (UFBA) calculam que cada 10 km de ciclovia adicional pode gerar até R$ 12 milhões em benefícios econômicos anuais, decorrentes de redução de congestionamento e poluição. Além disso, estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) associam a expansão da rede cicloviária ao aumento de 5 % no comércio local nas áreas atendidas.
A Visão do Especialista
Para o especialista em mobilidade urbana Dr. Carlos Mendes, a continuidade da escuta ativa e a implementação rápida das propostas do MobiLab são cruciais para que Salvador alcance a meta de 200 km de ciclovias até 2030. Ele alerta que a falta de financiamento consistente pode comprometer a eficácia das intervenções, recomendando parcerias público‑privadas e a criação de um fundo municipal dedicado à mobilidade ativa.
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