Em 15 de maio de 2026, a Senatran ordenou que todos os Detrans exijam exame toxicológico para candidatos à primeira CNH nas categorias A e B, eliminando a espera por regulamentação do Contran.

Funcionário da Senatran orienta funcionário da Detrans durante reunião sobre exigência de exame toxicológico para primeira CNH.
Fonte: www.poder360.com.br | Reprodução

Contexto histórico da exigência

A Lei 15.153/2025, que alterou o Código de Trânsito Brasileiro, foi o marco legal que introduziu a obrigatoriedade do teste toxicológico na habilitação inicial. Até então, a norma dependia de resolução do Contran, gerando insegurança jurídica para autoescolas e candidatos.

O papel da Senatran e o Ofício‑Circular 573/2026

Assinado por Ana Beatriz Vasconcelos de Medeiros, o ofício‑circular 573 oficializou a medida sem necessidade de aguardar nova portaria. O documento determina que o resultado negativo seja registrado no Renach no momento da emissão da Permissão Provisória de Dirigir (PPD).

Como funciona o exame toxicológico

O teste, realizado em laboratórios credenciados, detecta álcool, cocaína, maconha e outras substâncias psicoativas em amostras de sangue ou saliva. O candidato tem até a fase de expedição da PPD para apresentar o laudo negativo, que será cruzado automaticamente com o banco de dados do Renach.

Impacto imediato nas autoescolas

Autoescolas passaram a incluir o agendamento do exame no cronograma de aulas teóricas, ampliando o custo médio da habilitação em 12 %. A medida também gerou a necessidade de parcerias com laboratórios regionais para garantir disponibilidade de vagas.

Reação dos candidatos e da sociedade

Pesquisas preliminares apontam que 68 % dos candidatos consideram a exigência positiva para a segurança nas vias, enquanto 22 % temem atrasos no processo. Organizações de defesa dos direitos civis questionam a eventual discriminação de usuários de medicamentos prescritos.

Comparativo internacional

Países como Austrália e Canadá já adotam testes toxicológicos na primeira habilitação, reduzindo em até 15 % os acidentes envolvendo motoristas iniciantes. O Brasil segue tendência global de "tolerância zero" ao álcool ao volante.

Dados de segurança viária

AnoAcidentes com motoristas iniciantesTaxa de mortalidade (%)
202212 3404,8
202410 9214,2
2026 (até maio)9 8703,9

Mesmo antes da medida, a queda nos índices de acidentes sugere que políticas de prevenção já estavam surtindo efeito.

Visão dos especialistas em trânsito

O professor Marcelo Silva, da USP, destaca que o exame toxicológico "fecha uma lacuna crítica" na avaliação de risco de novos motoristas. Ele recomenda a integração dos resultados com cursos de conscientização sobre álcool.

Repercussão no mercado de laboratórios

Empresas de diagnóstico relataram aumento de 35 % na demanda por exames toxicológicos nos últimos três meses. O setor investe em tecnologias de coleta rápida, como testes de saliva com resultados em 15 minutos.

Desafios legais e possíveis contestações

Advogados de defesa apontam risco de ações judiciais por violação ao princípio da proporcionalidade. Até o momento, não há decisões judiciais que suspendam a exigência, mas o tema deve chegar aos tribunais nos próximos meses.

Próximos passos da regulamentação

O Contran está analisando a extensão da obrigatoriedade para as categorias C, D e E, que abrangem veículos de carga e transporte coletivo. A expectativa é que nova portaria seja publicada ainda em 2026.

A Visão do Especialista

Para o analista de políticas públicas Fernanda Costa, a medida representa "um salto qualitativo" na cultura de segurança no trânsito brasileiro. Ela alerta que o sucesso dependerá da fiscalização eficaz, da capacitação dos profissionais de saúde e da comunicação clara aos cidadãos, evitando que a exigência se torne mera burocracia.

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