A cidade de Belo Horizonte será palco de um evento cultural de grande relevância nesta terça-feira, dia 16 de junho de 2026, quando o longa-metragem "Medusa", dirigido por Anita Rocha da Silveira, será exibido gratuitamente no Cine Graciano, localizado no bairro Lagoinha. O filme integra a programação de encerramento da terceira edição da mostra "Mulheres Mágicas: Reinvenções da Bruxa no Cinema". Após a sessão, o público terá a oportunidade de participar de um debate com a artista e curadora Duna Dias.

Público assiste a sessão gratuita do filme Medusa em Belo Horizonte.
Fonte: www.hojeemdia.com.br | Reprodução

Um panorama sobre a mostra "Mulheres Mágicas"

Lançada com o intuito de explorar as múltiplas representações da figura da bruxa no cinema, a mostra "Mulheres Mágicas" percorreu, ao longo dos meses de abril, maio e junho, diversas cidades de Minas Gerais, incluindo Uberlândia, Araçuaí, Montes Claros e a capital, Belo Horizonte. Com curadoria de Carla Italiano e Juliana Gusman, o projeto tem como objetivo utilizar o audiovisual para investigar como a cultura cinematográfica moldou e ressignificou o imaginário social ligado à figura feminina, ao poder e à dissidência.

O projeto foi idealizado pela Amarillo Produções Audiovisuais e financiado através do Edital 11/2024 da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). A iniciativa destaca-se não apenas por sua relevância cultural, mas também pela sua proposta de descentralizar o acesso ao cinema e fomentar debates em torno de questões sociais e históricas urgentes.

Por que o filme "Medusa" é central nesta reta final?

Dirigido por Anita Rocha da Silveira, "Medusa" é uma obra que combina elementos de terror, fantasia e sátira social para refletir sobre questões profundamente contemporâneas. O filme se passa em um contexto marcado por conservadorismo e controle sobre os corpos femininos. A narrativa acompanha um grupo de jovens mulheres que, sob a máscara de moralidade, patrulha comportamentos considerados inadequados, abordando temas como violência de gênero, repressão do desejo e os limites da moralidade.

Essa abordagem ressoa diretamente com o eixo curatorial da mostra intitulado "Bruxas contemporâneas: corpos indomáveis, saberes ancestrais". A escolha de "Medusa" para compor a programação final não é por acaso: o filme traz para o centro do debate a ressignificação da figura feminina como um símbolo de autonomia e resistência.

O Cine Graciano: um espaço de resistência cultural

A escolha do Cine Graciano para a exibição de "Medusa" reflete a proposta da mostra de democratizar o acesso ao cinema e levar a discussão cultural para espaços descentralizados. Inaugurado em novembro de 2025, o Cine Graciano, localizado no bairro Lagoinha, tem se consolidado como um importante polo de exibição de produções independentes e debates culturais na capital mineira.

O espaço também reflete a resistência do cinema independente no Brasil, em um cenário marcado pela concentração de salas em regiões centrais e pela predominância de blockbusters comerciais. Ao oferecer acesso gratuito a um filme como "Medusa" e promover um debate com especialistas, o Cine Graciano reafirma seu papel como um espaço de inclusão e reflexão social.

A importância do debate com Duna Dias

Após a exibição de "Medusa", o público terá a oportunidade de participar de um debate com a artista, documentarista e professora Duna Dias. Com uma trajetória marcada por projetos que exploram a relação entre corpo, imagem e território, Duna é a idealizadora de iniciativas como a mostra de videodança "Move Concreto!" e a "Mostra de Dança do Fim do Mundo".

O debate promete aprofundar os temas abordados pelo filme, como a relação entre corpo feminino, poder e dissidência, e conectar essas questões com o panorama sociopolítico atual. Segundo Duna, a magia representada no filme de Anita Rocha da Silveira se manifesta como uma metáfora para forças que escapam ao controle tradicional, incluindo o desejo e a transformação.

Contexto histórico: a figura da bruxa no cinema

Desde os primórdios do cinema, a figura da bruxa tem sido utilizada como um símbolo de resistência e transgressão. Filmes como "Häxan" (1922) e "O Bebê de Rosemary" (1968) ajudaram a moldar o imaginário popular sobre a bruxaria, frequentemente associando-a a mulheres que desafiam normas sociais e questionam estruturas de poder.

Com o passar dos anos, essa representação evoluiu, passando de uma visão estigmatizada para uma celebração da força feminina. Produções contemporâneas, como "Medusa", exploram a figura da bruxa como um símbolo de autonomia, abordando questões como feminismo, sexualidade e resistência política em tempos de conservadorismo.

O impacto da Política Nacional Aldir Blanc no setor cultural

A concretização da mostra "Mulheres Mágicas" só foi possível graças ao apoio da Política Nacional Aldir Blanc, um marco no financiamento da cultura no Brasil. Lançada para mitigar os efeitos da pandemia de COVID-19 no setor cultural, a PNAB tem sido crucial para a realização de projetos que valorizam a diversidade e a inclusão cultural, especialmente em regiões fora do eixo Rio-São Paulo.

Iniciativas como essa mostram como políticas públicas bem estruturadas podem contribuir para a valorização de narrativas alternativas, ampliando o acesso à cultura e fomentando reflexões críticas na sociedade.

A Visão do Especialista

O encerramento da mostra "Mulheres Mágicas" com a exibição de "Medusa" no Cine Graciano é um exemplo poderoso de como o cinema pode ser utilizado como ferramenta de transformação social e política. Além de proporcionar acesso a uma obra de qualidade, o evento incentiva o debate sobre temas urgentes, como a repressão de gênero e a luta por autonomia feminina.

Para o futuro, é essencial que projetos como este continuem recebendo apoio institucional e se expandam para alcançar um público ainda maior. Iniciativas como a "Mulheres Mágicas" não apenas enriquecem o panorama cultural, mas também contribuem para a construção de uma sociedade mais reflexiva e democrática.

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