Os festejos de Santo Antônio em Paramirim, Bahia, ganharam os holofotes nesta semana, mas não foi exatamente pelo clima de celebração. O Ministério Público da Bahia (MP-BA) recomendou a suspensão imediata dos contratos de artistas que se apresentariam no evento, entre eles Maiara e Maraisa, Rey Vaqueiro e Léo Foguete, por suspeita de superfaturamento e irregularidades. A decisão, anunciada no dia 13 de maio de 2026, veio acompanhada de dados detalhados sobre o possível sobrepreço nas contratações.
O que levou o MP-BA a intervir?
A recomendação do MP-BA, formalizada na Recomendação nº 003/2026, é parte de uma iniciativa maior para fiscalizar os gastos públicos em festejos juninos no estado. Segundo o órgão, os contratos analisados apresentaram valores muito acima da média de mercado, violando princípios constitucionais como legalidade, moralidade e economicidade.
Entre os casos mais chamativos estão os cachês de Rey Vaqueiro e Léo Foguete, contratados por R$ 450 mil cada, e a dupla Maiara e Maraisa, cujo contrato, segundo o MP-BA, pode ultrapassar R$ 700 mil. O problema? Valores como esses não foram devidamente justificados, contrariando exigências da Lei Federal nº 14.133/2021, que regula licitações e contratos administrativos.
Os números que chamaram atenção
De acordo com o Painel de Transparência dos Festejos Juninos do MP-BA, o cachê médio de Rey Vaqueiro em 2025 foi de R$ 280 mil, corrigido para R$ 290.351,46 em 2026. Já Léo Foguete teve uma média de R$ 350 mil, ajustada para R$ 362.939,33. Isso significa que os contratos firmados pela Prefeitura de Paramirim representam, respectivamente, um aumento de 60,71% e 28,57% em relação à média do mercado.
| Artista | Média de Cachê (2025) | Valor Corrigido (2026) | Contrato em Paramirim | Diferença (%) |
|---|---|---|---|---|
| Rey Vaqueiro | R$ 280.000 | R$ 290.351,46 | R$ 450.000 | +60,71% |
| Léo Foguete | R$ 350.000 | R$ 362.939,33 | R$ 450.000 | +28,57% |
Maiara e Maraisa: o enigma do cachê milionário
A situação envolvendo Maiara e Maraisa é ainda mais nebulosa. O contrato da dupla ainda não foi localizado no Painel Nacional de Contratações Públicas (PNCP), mas o MP-BA informou que os valores cobrados pelas artistas em 2026 ultrapassam R$ 700 mil. A lei exige que contratações de "alta materialidade" como essa, sejam acompanhadas de instruções processuais rigorosas e comprovação da capacidade financeira do município.
Além disso, o MP-BA questiona se a Prefeitura de Paramirim possui condições orçamentárias para bancar tais cachês sem comprometer outras áreas importantes, como saúde e educação. O órgão solicitou documentos como Relatórios de Execução Orçamentária e de Gestão Fiscal para avaliar a situação financeira do município.
Outros contratados também estão na mira
Além das estrelas principais, outras atrações anunciadas pela Prefeitura de Paramirim, como Waldonys, Marcynho Sensação, Vitinho Forró, Xodó da Bahia e Bonde da 51, também levantaram suspeitas. O MP-BA informou que os contratos desses artistas não foram localizados no PNCP, o que viola o artigo 94 da Lei de Licitações.
Essa ausência de transparência foi um dos principais motivos que levaram o MP-BA a recomendar a suspensão dos contratos e exigir maior clareza por parte da administração municipal.
As reações na web: apoio e críticas
A notícia rapidamente viralizou nas redes sociais, dividindo opiniões entre internautas. Enquanto muitos aplaudiram a iniciativa do MP-BA como uma forma de zelar pelo dinheiro público, outros defenderam a importância cultural dos festejos juninos e criticaram a possibilidade de cancelamento dos shows.
No Twitter, hashtags como #TransparênciaJá e #FestejosJuninos2026 dominaram os trending topics. Comentários como "Cadê a prioridade com saúde e educação?" e "Não mexam no São João da gente!" refletem a polarização do debate.
Contexto histórico: um problema recorrente
Essa não é a primeira vez que gastos públicos em eventos culturais geram controvérsia na Bahia. Em 2025, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA) já havia questionado os altos custos de contratações artísticas em diversas cidades do interior. Na época, foram emitidas Notas Técnicas para orientar prefeituras sobre a necessidade de justificar os valores pagos e garantir a transparência.
Essas diretrizes, no entanto, parecem não ter sido seguidas à risca, como apontado pelo MP-BA no caso de Paramirim.
O que pode acontecer agora?
A Prefeitura de Paramirim tem cinco dias úteis para responder à recomendação do MP-BA e apresentar toda a documentação solicitada. Caso contrário, o órgão pode adotar medidas judiciais e administrativas, incluindo ações por improbidade administrativa.
Além disso, a pressão popular pode influenciar os próximos passos do caso, especialmente considerando o impacto cultural e econômico dos festejos juninos na região.
A Visão do Especialista
De acordo com especialistas em direito público, casos como esse evidenciam a necessidade de maior profissionalização na gestão de eventos culturais com recursos públicos. "A fiscalização é indispensável para evitar abusos e garantir que o dinheiro do contribuinte seja investido de forma responsável", afirma o advogado Rafael Mendes.
Por outro lado, a suspensão ou cancelamento de eventos como os festejos juninos pode gerar impactos econômicos negativos, especialmente para pequenos comerciantes e prestadores de serviço locais. O ideal, segundo Mendes, é encontrar um equilíbrio entre a valorização da cultura e o respeito às normas de transparência e eficiência.
Uma coisa é certa: o desfecho desse caso será acompanhado de perto, tanto pela população baiana quanto por outros municípios que também planejam seus eventos juninos.
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