Uma policial militar de 21 anos, estagiária e em serviço nas ruas há apenas três meses, disparou contra Thawanna Salmazio, 31, na Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo. O fato ocorreu no dia 3 de abril de 2026 e já mobiliza investigação da Polícia Civil e do Gaesp.

Yasmin Cursino Ferreira foi aprovada no concurso público da PM-SP em 2024, classificada em 2102, e tomou posse como soldado de 2ª classe em 6 de janeiro de 2025. Sua nomeação foi publicada no Diário Oficial em 9 de dezembro de 2024, seguindo a convocação de 17 de dezembro.
O treinamento da Polícia Militar inclui dois anos de formação, sendo seis meses básicos, seis meses específicos e os últimos 12 meses como estágio supervisionado nas ruas. Yasmin está cumprindo essa fase final, o que lhe permite atuar armada sob supervisão.

Como funciona o estágio na Polícia Militar de São Paulo?
Durante o estágio, o policial tem autorização para portar arma de fogo e participar de patrulhamentos, embora ainda não tenha completado a formação plena. Essa prática visa aproximar o agente da realidade das ocorrências cotidianas.
No dia do incidente, a viatura da equipe encostou próximo ao casal Luciano Santos e Thawanna Salmazio, desencadeando uma discussão que culminou no disparo. Segundo o boletim, a mulher teria subido contra a policial; o marido nega qualquer agressão.
Testemunhas afirmam que Yasmin recebeu um tapa no rosto antes de disparar, enquanto o marido da vítima relata que a viatura foi deliberadamente jogada contra o casal. Um áudio obtido pelo UOL registra o momento do tiro, mas não identifica a arma utilizada.
Repercussão política e social do caso
A SSP‑SP respondeu que a situação está em apuração, destacando que as câmeras corporais dos agentes foram recolhidas para análise, embora Yasmin não as estivesse usando. A falta de registro visual gera dúvidas sobre a dinâmica do confronto.
A defesa de Yasmin, por meio do advogado Alexandre Souza Guerreiro, sustenta que a policial agiu dentro da lei, disparando apenas uma vez e acionando socorro imediatamente. A narrativa oficial da PM indica que a ação foi motivada por legítima defesa.
Especialistas em segurança pública alertam que o uso de arma por estagiários ainda em fase de aprendizado pode aumentar o risco de excessos. Estudos apontam que a experiência prática sem plena maturidade pode levar a decisões precipitadas.
O que acontece agora? Próximos passos da investigação
Yasmin foi afastada do serviço, teve a arma recolhida e está sendo investigada por um Inquérito Policial Militar e pelo DHPP. As imagens das câmeras corporais e os laudos periciais já foram encaminhados às corregedorias.
Se for comprovado uso indevido da força, a policial pode enfrentar processo disciplinar, suspensão ou até processo criminal, o que impactará a confiança da população na corporação.
- 27/11/2024: Classificação no concurso (2102).
- 09/12/2024: Nomeação oficial.
- 06/01/2025: Posse e início das atividades.
- 03/04/2026: Disparo que matou Thawanna Salmazio.
- 12/04/2026: Início das investigações pelo Gaesp e DHPP.
Como a população pode acompanhar o caso
Fique atento às atualizações nos canais oficiais da SSP‑SP, do Ministério Público e da Polícia Civil, que divulgarão novos documentos e decisões judiciais. A transparência é essencial para restaurar a credibilidade institucional.

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