O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para declarar inconstitucional a lei de Santa Catarina que proíbe a adoção de cotas raciais em universidades que recebem recursos públicos do Estado. O sexto voto, decisivo para a maioria, foi proferido pelo ministro Edson Fachin na última quinta-feira (17), reforçando o entendimento de que medidas afirmativas são fundamentais para combater desigualdades estruturais no Brasil.

Ministros do STF votam a favor da inconstitucionalidade da lei de Santa Catarina que proíbe cotas raciais em universidades.
Fonte: gauchazh.clicrbs.com.br | Reprodução

O que diz a lei de Santa Catarina

A legislação catarinense, proposta pelo deputado estadual Alex Brasil (PL), foi aprovada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) e proibia a adoção de cotas raciais para ingresso e contratação em instituições de ensino superior públicas, comunitárias ou privadas que recebessem verbas estaduais. A norma, sancionada em 2025, foi criticada por diversos setores da sociedade por ir contra políticas de inclusão estabelecidas nacionalmente.

Em janeiro de 2026, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina suspendeu a lei por meio de liminar, atendendo a uma ação movida pelo PSOL e pela União Nacional dos Estudantes (UNE). Posteriormente, o caso chegou ao STF, que iniciou a análise no plenário virtual em 10 de abril.

Ministros do STF votam a favor da inconstitucionalidade da lei de Santa Catarina que proíbe cotas raciais em universidades.
Fonte: gauchazh.clicrbs.com.br | Reprodução

A formação da maioria no STF

Até o momento, os ministros que votaram para declarar a lei inconstitucional incluem Gilmar Mendes, Edson Fachin, Rosa Weber, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso e Dias Toffoli. O julgamento ocorre em plenário virtual e segue até o final do dia 17 de abril.

O voto do ministro Edson Fachin, que selou a maioria, destacou que a neutralidade estatal diante de assimetrias históricas é uma forma de omissão inconstitucional. Segundo Fachin, "a política de cotas raciais é um instrumento legítimo e necessário de enfrentamento ao racismo estrutural". Outros ministros também ressaltaram que a proibição de cotas vai contra os princípios da Constituição Federal de 1988, que prevê a redução das desigualdades sociais e a promoção da igualdade.

O que são cotas raciais e por que são importantes?

As cotas raciais são uma política pública de ação afirmativa que busca corrigir desigualdades históricas e sociais enfrentadas por grupos raciais marginalizados. No Brasil, a adoção de cotas começou a ser implementada no início dos anos 2000 e foi consolidada pela Lei 12.711/2012, que determina a reserva de vagas em universidades federais para estudantes de escolas públicas, com recortes específicos para negros, pardos e indígenas.

Estudos apontam que as cotas raciais têm contribuído para a inclusão de grupos sub-representados no ensino superior, promovendo maior diversidade nas universidades e oportunidades no mercado de trabalho. No entanto, o tema ainda é alvo de controvérsias em alguns setores da sociedade.

Decisões anteriores do STF sobre políticas de cotas

O STF já se manifestou favoravelmente sobre a constitucionalidade das cotas raciais em diversas ocasiões. Em 2012, o tribunal decidiu, por unanimidade, que a adoção de cotas raciais na Universidade de Brasília (UnB) era constitucional. Na ocasião, os ministros destacaram que a medida estava em conformidade com os princípios da igualdade e da dignidade humana previstos na Constituição.

Além disso, em 2020, o tribunal reafirmou a importância das políticas afirmativas ao reconhecer que o racismo estrutural é uma realidade no Brasil e que o Estado tem a obrigação de adotar medidas para corrigi-lo.

Impactos da decisão do STF

A decisão do STF de declarar inconstitucional a lei catarinense representa um marco na defesa das políticas de inclusão no Brasil. Ao reafirmar a constitucionalidade das cotas raciais, o tribunal fortalece o compromisso do Estado com a redução das desigualdades sociais e raciais.

Especialistas apontam que a decisão também tem repercussões simbólicas, uma vez que demonstra a resistência das instituições democráticas contra retrocessos em direitos conquistados por grupos historicamente marginalizados.

Próximos passos no julgamento

Até o momento, ainda faltam votar os ministros Luiz Fux, Nunes Marques, André Mendonça e Cármen Lúcia. Contudo, mesmo que todos os votos restantes fossem contrários à maioria, o resultado já está definido, com seis votos a favor da inconstitucionalidade da lei.

Reações políticas e sociais

A decisão gerou repercussões em diversos setores. Organizações da sociedade civil, como a UNE e o PSOL, celebraram a formação da maioria no STF. Por outro lado, o autor da lei, deputado Alex Brasil, criticou a decisão, argumentando que a medida era necessária para priorizar critérios meritocráticos no acesso ao ensino superior.

Além disso, a decisão reacendeu debates sobre o papel das políticas afirmativas no Brasil, com especialistas destacando a importância dessas medidas para enfrentar o racismo estrutural e promover a equidade de oportunidades.

Contexto histórico das cotas no Brasil

As políticas de cotas raciais surgiram em resposta às disparidades educacionais e econômicas enfrentadas por negros, pardos e indígenas no Brasil. Dados do IBGE mostram que, apesar de representarem mais de 50% da população brasileira, negros e pardos continuam sub-representados em cargos de alta qualificação e entre os formandos de nível superior.

O cenário começou a mudar com a implementação de ações afirmativas, que têm como objetivo nivelar o acesso a oportunidades e corrigir injustiças históricas. A decisão do STF reforça esse compromisso em um momento de intensos debates sobre equidade racial.

Conclusão: o que esperar a partir de agora

Com a formação da maioria no STF, a lei de Santa Catarina que proibia cotas raciais será oficialmente declarada inconstitucional. Essa decisão reafirma que políticas de inclusão racial são essenciais e devem ser protegidas contra tentativas de retrocesso.

A Visão do Especialista

Para especialistas, a decisão do STF é uma vitória significativa para a manutenção de direitos fundamentais no Brasil. O julgamento demonstra que o Estado tem um papel ativo na correção de desigualdades estruturais, reafirmando o compromisso com os princípios da Constituição de 1988.

Os próximos passos incluem monitorar como outras esferas de governo e instituições responderão a essa decisão. Além disso, o caso reforça a importância de uma sociedade vigilante na defesa de políticas públicas que promovam a igualdade e a justiça social.

Ministros do STF votam a favor da inconstitucionalidade da lei de Santa Catarina que proíbe cotas raciais em universidades.
Fonte: gauchazh.clicrbs.com.br | Reprodução

Compartilhe essa reportagem com seus amigos e amplie o debate sobre o impacto das cotas raciais no Brasil.