Um avanço significativo no tratamento de câncer de pulmão foi anunciado na edição 2026 do Congresso Anual da Sociedade Norte-Americana de Oncologia Clínica (Asco), realizado em Chicago, Estados Unidos. O estudo Crown, liderado pela Pfizer, revelou que o uso do medicamento lorlatinibe, em pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células (CPCNP) ALK-positivo avançado, proporcionou uma remissão da doença em mais de 50% dos casos após sete anos de acompanhamento.

O câncer de pulmão: um desafio global
O câncer de pulmão é responsável pela maior taxa de mortalidade entre todos os tipos de câncer no mundo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), somente no Brasil, cerca de 32 mil novos casos são registrados anualmente. O CPCNP corresponde a aproximadamente 75% a 80% desses casos, sendo que a mutação ALK é detectada em 3% a 5% dos pacientes.
Entenda o estudo Crown: uma revolução no tratamento

O ensaio clínico de fase 3 comparou o lorlatinibe com o crizotinibe, terapia padrão anterior para CPCNP ALK-positivo. Entre os 296 pacientes envolvidos no estudo, aqueles tratados com lorlatinibe apresentaram resultados muito superiores. Após sete anos, 55% dos pacientes não apresentaram progressão da doença, enquanto apenas 3% daqueles tratados com crizotinibe alcançaram o mesmo resultado.
Resultados detalhados do estudo
| Medicamento | Sobrevida Livre de Progressão (SLP) | Taxa de Remissão |
|---|---|---|
| Lorlatinibe | Não calculada (alto número de pacientes ainda vivos e sem progressão) | 55% |
| Crizotinibe | Mediana de 9,1 meses | 3% |
Por que o lorlatinibe é tão eficaz?
O lorlatinibe é um medicamento oral que atua diretamente na mutação ALK, bloqueando o crescimento das células tumorais. Um dos aspectos mais inovadores do estudo foi a proteção intracraniana proporcionada pelo medicamento. Após 30 meses de uso, nenhum novo caso de progressão cerebral foi detectado entre os pacientes tratados com lorlatinibe, um avanço crucial para tumores ALK-positivos, que frequentemente causam metástases no sistema nervoso central.
Segurança e efeitos colaterais
Embora o lorlatinibe tenha apresentado efeitos adversos mais frequentes em comparação ao crizotinibe, como pneumonia e insuficiência respiratória, os pesquisadores consideraram os eventos manejáveis. Além disso, a taxa de interrupção definitiva do tratamento por toxicidade foi baixa, reforçando sua viabilidade para uso em longo prazo.
Impacto no mercado e na oncologia de precisão
No Brasil, o lorlatinibe, comercializado como Lorbrena, foi aprovado pela Anvisa em 2020 para pacientes que não respondiam a outras terapias. Em 2021, sua indicação foi expandida para uso como tratamento de primeira linha, e em 2022, ele foi incluído no rol de cobertura obrigatória dos planos de saúde. Essa mudança reflete o impacto crescente das terapias-alvo no combate ao câncer, especialmente em casos avançados.
O que dizem os especialistas?
Rodrigo Bovolin, coordenador de Oncologia Clínica do Hospital Sírio-Libanês, destacou que terapias dirigidas, como o lorlatinibe, oferecem resultados mais profundos e duradouros comparados à quimioterapia tradicional. Ele ressaltou que o estudo Crown trouxe evidências de controle da doença por anos, algo antes inimaginável para casos avançados de câncer de pulmão.
Impacto na qualidade de vida dos pacientes
Além da eficácia clínica, o lorlatinibe representa uma mudança significativa na qualidade de vida dos pacientes. Kenneth Culver, da organização ALK Positive, enfatizou que a durabilidade dos resultados permite que os pacientes vivam suas vidas sem o constante avanço da doença, acumulando memórias e mantendo suas rotinas.
A Visão do Especialista
A atualização do estudo Crown reafirma o potencial transformador do lorlatinibe como o padrão de tratamento para CPCNP ALK-positivo avançado. Os dados apresentados não apenas oferecem esperança para pacientes e familiares, mas também sinalizam o avanço da oncologia de precisão, que busca tratamentos cada vez mais individualizados e eficazes.
Especialistas concordam que o próximo passo é garantir que mais pacientes tenham acesso a testagens moleculares adequadas e a tratamentos inovadores o quanto antes, mudando de forma definitiva o panorama do câncer de pulmão. Este é um momento histórico para a medicina e para a luta contra o câncer.

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