Um estudo publicado na revista Human Reproduction revelou que alimentos ultraprocessados podem comprometer a qualidade do esperma masculino e reduzir o crescimento embrionário nas primeiras semanas de gestação.

Os pesquisadores da Erasmus University Medical Center acompanharam 831 mulheres e 651 homens entre 2017 e 2021, coletando informações alimentares por questionário na 12ª semana de gravidez.

Nos homens, a ingestão de produtos ultraprocessados esteve associada a menor fecundabilidade e a um risco maior de subfertilidade, mesmo após ajustes para tabagismo, álcool e obesidade.

O que os especialistas dizem?

A ginecologista Joeline Cleto Cerqueira destaca que o estudo controla variáveis importantes, mas não prova causa e efeito. Ela enfatiza que a responsabilidade pela saúde reprodutiva deve ser compartilhada entre parceiros.

Para o obstetra Raquel Magalhães, embriões menores na semana 7 aumentam a probabilidade de prematuridade, baixo peso ao nascer e, a longo prazo, risco cardiometabólico.

O urologista Alex Meller alerta que, embora a amostra tenha consumo moderado de ultraprocessados, "quanto menos, melhor" para quem planeja engravidar.

Como os ultraprocessados afetam a fertilidade?

Nos homens, esses alimentos podem alterar a integridade e a motilidade dos espermatozoides, diminuindo sua capacidade de alcançar o óvulo.

Nas mulheres, a dieta rica em aditivos e gorduras trans pode modificar o ambiente intrauterino, reduzindo o volume do saco vitelino e limitando a nutrição precoce do embrião.

Os participantes consumiam, em média, 22 % dos alimentos totais como ultraprocessados (mulheres) e 25,1 % (homens), conforme a classificação NOVA.

O que a literatura anterior indica?

  • Dietas com mais de 40 % de alimentos ultraprocessados já foram ligadas à diminuição da fertilidade feminina.
  • Estudos de coorte em diferentes países apontam redução da contagem espermática em homens que consomem alta quantidade de produtos industrializados.
  • Intervenções dietéticas baseadas no padrão mediterrâneo melhoram marcadores de saúde reprodutiva.

Recomendações práticas para quem planeja engravidar

  • Priorizar frutas, legumes, grãos integrais e peixes.
  • Substituir snacks industrializados por oleaginosas e iogurtes naturais.
  • Limitar o consumo de bebidas açucaradas, carnes processadas e alimentos com aditivos químicos.
  • Adotar o padrão alimentar mediterrâneo como referência.

Reduzir os ultraprocessados pode diminuir a necessidade de técnicas de reprodução assistida e melhorar os resultados perinatais.

Organizações como a FEBRASGO e o Ministério da Saúde já recomendam a adoção de dietas saudáveis no pré‑concebimento, mas ainda há demanda por pesquisas com maior rigor metodológico.

Em síntese, evidências atuais sugerem que a qualidade da alimentação tanto do futuro pai quanto da futura mãe influencia diretamente a fertilidade e o desenvolvimento inicial do embrião.

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