Há exatamente um ano, o Brasil se despedia de Preta Gil, uma das figuras mais icônicas e multifacetadas da música, televisão e cultura nacional. Para marcar essa data, a TV Globo e o Globoplay lançam, simultaneamente, o filme "Preta — Eu não ando só" e a série documental "Meu nome é Preta". Ambas as produções buscam recuperar a essência vibrante, os desafios e as conquistas da artista, que partiu aos 50 anos, vítima de um câncer no intestino.

Uma despedida planejada com amor e coragem
Preta Gil, conhecida por sua autenticidade, não se esquivou de documentar os momentos mais difíceis de sua batalha contra o câncer. Logo ao receber o diagnóstico, em 2023, iniciou as gravações do que viria a ser a espinha dorsal do documentário "Preta — Eu não ando só". A produção, dirigida por Sandra Kogut e com direção artística de Monica Almeida, revela cenas íntimas e emocionantes, como o último banho de mar de Preta em Salvador, meses antes de sua partida.
Ao longo de uma hora e meia, o filme traz depoimentos de amigos próximos e da própria Preta, em registros pessoais e tocantes. "Ela acreditava muito que ia ficar boa", disse Monica Almeida, destacando a resiliência e o otimismo da artista, mesmo nos momentos mais difíceis.

"Meu nome é Preta": uma série que exalta a arte e a vida
Já a série documental "Meu nome é Preta", dirigida por Mini Kerti e produzida pela Conspiração, busca resgatar a trajetória artística e pessoal da cantora. Com quatro episódios, a produção se apoia em depoimentos de amigos, familiares e colegas, mesclados a imagens de arquivo que mostram a evolução de Preta desde a infância até o estrelato.
"Ela nunca teve medo de experimentar, de se posicionar, de se manifestar", afirma Luciano Huck, um dos entrevistados da série, que ressalta o papel de Preta como uma mulher brasileira autêntica e corajosa. A série também dá destaque à música de Preta, com performances de seu primeiro álbum, "Prêt-à Porter", lançado em 2003, até seus últimos trabalhos.
A força de uma trajetória marcada pela autenticidade
Preta Maria Gadelha Gil Moreira nasceu em 8 de agosto de 1974, no Rio de Janeiro, em meio ao retorno de seu pai, Gilberto Gil, do exílio. Ela se destacou como uma artista que desafiava padrões e quebrava tabus, seja ao posar nua na capa de seu primeiro disco, seja ao falar abertamente sobre sua bissexualidade ou as cicatrizes deixadas pelo tratamento contra o câncer.
"Não mexe comigo que eu não ando só" era mais do que um lema; era uma filosofia de vida para Preta. A frase, que inspira o título do documentário, ecoa sua postura de enfrentamento e determinação, sem perder o bom humor e a leveza. "Morrer é normal", chegou a dizer, enquanto discutia os preparativos para o próprio velório.
Legado e impacto cultural
Preta Gil não foi apenas uma cantora; ela foi uma voz ativa em questões de diversidade, representatividade e empoderamento. Sua presença nos palcos, na televisão e nas redes sociais foi um farol de inspiração para muitas mulheres, especialmente aquelas que lutam contra os padrões de beleza impostos pela sociedade.
Além disso, sua contribuição cultural vai muito além da música. Como produtora, diretora e ativista, Preta usou sua plataforma para dar visibilidade a questões sociais importantes, como a igualdade de gênero, a aceitação corporal e os direitos da comunidade LGBTQIA+.
Repercussão e homenagens
A estreia do filme e da série está sendo marcada por uma série de homenagens. No dia 20 de julho de 2026, familiares e amigos se reúnem no Teatro Fernanda Montenegro, no Rio de Janeiro, para uma exibição especial. Mais cedo, uma missa em memória de Preta foi realizada na Paróquia Santa Mônica, no Leblon.
Francisco Gil, filho da artista, que está em turnê na Europa com a banda Gilsons, comentou emocionado: "Sempre falo: minha mãe ia gostar disso. Ela adorava aparecer. Ia estar feliz com essa mobilização."
Momentos marcantes da vida de Preta
- 1974: Nascimento no Rio de Janeiro, filha de Gilberto Gil e Sandra Gadelha.
- 2003: Lançamento do álbum "Prêt-à Porter", marcando sua estreia na música.
- 2007: Rainha de Bateria da Mangueira, consolidando sua conexão com o carnaval.
- 2023: Diagnóstico de câncer no intestino e início das gravações do documentário.
- 2026: Lançamento de "Preta — Eu não ando só" e "Meu nome é Preta" no primeiro aniversário de sua morte.
A visão do especialista
O legado de Preta Gil é inegável. Mais do que uma artista, ela foi uma força cultural que desafiou normas e celebrou a liberdade em todas as suas formas. Sua decisão de documentar os últimos anos de vida com transparência não apenas humaniza sua luta, mas também serve de inspiração para aqueles que enfrentam adversidades.
As produções lançadas em sua memória destacam não apenas sua importância artística, mas também sua coragem e autenticidade. Preta nos deixa não apenas um repertório musical rico, mas também uma lição de vida sobre como enfrentar desafios com graça, humor e determinação.
Preta Gil viverá para sempre na memória de sua família, amigos e fãs. Que suas contribuições continuem a inspirar gerações futuras.

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