Um novo ciclone se formou no Centro‑Sul do Brasil e, nos próximos dias, afetará intensamente os estados do Sul, Sudeste e Centro‑Oeste. A baixa pressão detectada na sexta‑feira (15) evoluiu para um sistema ciclônico que deve gerar chuvas fortes, ventos acima de 70 km/h e risco de alagamentos até a terça‑feira (19).

Contexto histórico dos ciclones no Sul do Brasil
Eventos semelhantes já ocorreram nas últimas duas décadas, destacando a vulnerabilidade da região a sistemas de baixa pressão. Estudos da INPE mostram que, entre 2000 e 2025, foram registrados 27 ciclones subtropicais que impactaram o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, provocando perdas agrícolas superiores a R$ 1,2 bilhão.
Dinâmica do novo ciclone: formação e trajeto

O modelo numérico GFS indica que a perturbação atmosférica se intensificou ao entrar em contato com a frente fria que avança do Atlântico. A trajetória prevista é: início na costa do RS/SC (15/05), deslocamento para o interior do Paraná e Mato Grosso do Sul (16‑17/05) e consolidação sobre Minas Gerais (18/05), antes de seguir para o oceano (19/05).
Impactos previstos para o Sul
Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná enfrentarão chuvas de 30‑80 mm, ventos de até 80 km/h e risco de deslizamentos. As autoridades locais já emitiram alerta amarelo para alagamentos e queda de árvores, principalmente nas áreas costeiras e nas regiões de planície aluvial.
Impactos previstos para o Sudeste
São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro devem registrar precipitação acumulada superior a 40 mm em 24 h, suficiente para causar transtornos no trânsito. O Triângulo Mineiro e o sul de Minas terão tempo fechado, com risco de enchentes urbanas nas principais vias metropolitanas.
Impactos previstos para o Centro‑Oeste
Mato Grosso do Sul e partes de Goiás podem experimentar chuvas intensas, com volumes que ultrapassam 50 mm em áreas rurais. A agricultura de soja e milho está sob ameaça, pois o excesso de água pode comprometer a fase de enchimento dos grãos.
Previsão quantitativa de precipitação
| Estado | Previsão (mm) | Dia de pico |
|---|---|---|
| Rio Grande do Sul | 45‑80 | 16/05 |
| Santa Catarina | 40‑70 | 16/05 |
| Paraná | 35‑75 | 16/05 |
| São Paulo | 30‑55 | 18/05 |
| Minas Gerais | 40‑65 | 18/05 |
| Rio de Janeiro | 20‑45 | 19/05 |
| Mato Grosso do Sul | 50‑90 | 17/05 |
Os números mostram que a maioria dos estados atingirá o limite crítico de 30 mm, ponto em que o risco de alagamentos urbanos aumenta significativamente.
Repercussões econômicas
Setores como agricultura, energia e transporte já sinalizam possíveis prejuízos. A CMV (Companhia de Mineração) prevê interrupções nas linhas de transmissão em SC, enquanto a Conab alerta para perdas de até 12 % na produção de soja no MS se as chuvas persistirem.
Alertas e recomendações oficiais
Os órgãos de defesa civil emitiram alertas amarelo e vermelho, recomendando evacuação preventiva em áreas de risco. A população deve acompanhar o Boletim de Situação Meteorológica (BSM) da CPTEC e evitar deslocamentos desnecessários nas regiões afetadas.
Opinião de especialistas
Climatologistas
Segundo a professora Ana Lúcia Ribeiro, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o evento está ligado ao aumento da instabilidade térmica na região. Ela destaca que a combinação de umidade alta e frente fria intensifica a convecção, gerando precipitação concentrada.
Economistas
O economista Carlos Mendes, da FGV, alerta que a volatilidade nos preços de commodities agrícolas pode se acentuar. Ele recomenda que produtores adotem seguros agrícolas antes da chegada da temporada de chuvas.
Cronologia dos eventos
- 15/05 – Formação da baixa pressão sobre o litoral RS/SC.
- 16/05 – Início das chuvas intensas no Sul; alerta amarelo.
- 17/05 – Expansão para o Centro‑Oeste; risco de alagamentos.
- 18/05 – Consolidado sobre Minas Gerais; pico de precipitação no Sudeste.
- 19/05 – Despedida do ciclone rumo ao Atlântico; diminuição da frente fria.
Dicas de preparação para a população
Manter documentos importantes em local seco, abastecer reservatórios de água e garantir a carga completa de dispositivos móveis. Também é essencial limpar calhas, verificar a estabilidade de telhados e planejar rotas alternativas para o deslocamento.
Riscos a médio prazo
Além das inundações imediatas, o solo saturado pode desencadear deslizamentos e erosão nos próximos 10‑15 dias. As autoridades de saneamento recomendam monitoramento contínuo dos níveis dos rios e a suspensão de obras em áreas de risco.
A Visão do Especialista
O meteorologista Dr. Luiz Fernando Carvalho conclui que, embora o ciclone siga um padrão esperado, a intensificação da frente fria pode gerar eventos extremos ainda não totalmente compreendidos. Ele enfatiza a necessidade de investimentos em infraestrutura de drenagem urbana e sistemas de alerta precoce para reduzir vulnerabilidades futuras.

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