"Vivi um tempo da minha carreira no modo sobrevivência, fazendo o que aparecia". Com esta reflexão, a atriz Paolla Oliveira define uma fase importante de sua trajetória profissional. Consagrada como um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira, ela agora se lança em novos desafios artísticos, deixando as novelas para protagonizar o terror nacional "Herança de Narcisa". O longa, que estreou em 2026, marca não apenas sua incursão em um gênero pouco explorado em sua carreira, mas também um momento de maturidade e autonomia profissional.

Ator Paolla Oliveira posa com expressão tensa em cenário de sobrevivência.
Fonte: redir.folha.com.br | Reprodução

O enredo de "Herança de Narcisa" e o papel duplo de Paolla Oliveira

Dirigido por Clarissa Appelt e Daniel Dias, "Herança de Narcisa" é uma obra que combina drama psicológico e horror. No filme, Paolla interpreta Ana, uma mulher que herda a casa da mãe falecida, Narcisa, uma ex-vedete de Carnaval. O longa explora o confronto entre as duas personalidades: Narcisa, carismática e vaidosa, e Ana, reservada e introspectiva. A atriz assume um papel duplo, encarnando os conflitos emocionais de ambas as personagens.

A trama aborda temas como luto, memórias familiares e a influência das relações maternas. A casa herdada por Ana funciona como um personagem próprio, carregando simbolismos e manifestando as angústias internas da protagonista. Objetos que caem sozinhos e eventos sobrenaturais intensificam a atmosfera do filme, que busca mais do que assustar: deseja provocar reflexões.

Ator Paolla Oliveira posa com expressão tensa em cenário de sobrevivência.
Fonte: redir.folha.com.br | Reprodução

O "terror-terapia" e a visão dos realizadores

Segundo Clarissa Appelt, o conceito de "terror-terapia" foi central na criação do longa. O objetivo era usar o gênero como uma ferramenta para explorar e superar medos, e não apenas para gerar sustos. "A gente quer investigar esse terror para ajudar pessoas a enfrentar medos, e não só para assustar", explicou a diretora.

Inspirado em experiências pessoais da cineasta durante a pandemia de Covid-19, o roteiro é carregado de autenticidade emocional. Clarissa escreveu o primeiro esboço em apenas 15 dias, transformando sentimentos de perda e reclusão em uma narrativa poderosa. Em 2025, o filme já havia sido reconhecido como Melhor Longa-Metragem pelo voto popular na mostra Novos Rumos do Festival do Rio, consolidando seu impacto no cinema nacional.

Paolla Oliveira: da sobrevivência à autonomia criativa

Paolla Oliveira é conhecida por sua versatilidade em papéis icônicos da teledramaturgia brasileira. No entanto, a atriz revela que houve momentos em que sua carreira esteve no "modo sobrevivência", aceitando projetos sem poder escolher. Hoje, em uma posição que define como libertadora, ela afirma: "A maturidade traz algo muito bom e libertador, o poder de escolha".

Essa autonomia permitiu que ela assumisse riscos, como protagonizar um filme de terror, gênero que ainda enfrenta certa resistência no mercado brasileiro. "Eu venho ao longo do caminho dizendo que a vida não é sobre beleza ou estética", comentou a atriz, que viu em Ana uma oportunidade de desafiar as expectativas do público sobre sua imagem.

O panorama do terror nacional e o impacto de "Herança de Narcisa"

O cinema de terror no Brasil tem passado por uma renovação nos últimos anos. Produções como "As Boas Maneiras" (2017) e "O Animal Cordial" (2018) demonstraram que o gênero pode ir além de clichês, explorando questões sociais e psicológicas. "Herança de Narcisa" se insere nesse movimento, trazendo um olhar único e intimista.

Embora o terror ainda enfrente desafios como a falta de financiamento e a concorrência com produções estrangeiras, filmes como este mostram que há um público em busca de histórias com identidade nacional. O reconhecimento em festivais, como o do Rio, é um indicativo de que o gênero está ganhando espaço.

Próximos projetos e o legado de Paolla Oliveira

Além de "Herança de Narcisa", Paolla Oliveira já mira novos desafios. Um deles é o thriller erótico "A Estranha na Cama", baseado no livro de Raphael Montes. A produção da Netflix promete explorar um lado ainda mais ousado da atriz, consolidando sua transição das novelas para o cinema.

Com mais de dez novelas no currículo, Paolla demonstra que sua carreira está longe de se limitar a uma única mídia ou gênero. Sua escolha por projetos que desafiam o status quo reflete uma busca por reinvenção constante, algo que poucos artistas conseguem equilibrar com sucesso.

A transformação do mercado de entretenimento no Brasil

O sucesso de "Herança de Narcisa" também joga luz sobre o mercado de entretenimento brasileiro. Com a ascensão de plataformas de streaming e o reconhecimento internacional de produções nacionais, o Brasil vive um momento de transição. Filmes de terror, antes subestimados, agora encontram espaço para inovar e alcançar novos públicos.

Para especialistas, o desafio está em equilibrar produções comercialmente viáveis com narrativas autênticas e culturais. O protagonismo de Paolla Oliveira em um filme como este é um sinal de que grandes nomes estão dispostos a apostar em projetos alternativos, o que pode abrir portas para novos talentos e histórias.

A Visão do Especialista

O mergulho de Paolla Oliveira no terror nacional com "Herança de Narcisa" representa mais do que um marco em sua carreira. É um reflexo de como o cinema brasileiro está amadurecendo, valorizando narrativas que vão além do entretenimento puro para tocar em questões profundas e universais.

Especialistas apontam que a escolha da atriz em explorar novos gêneros e romper com estereótipos pode inspirar outros artistas a trilhar caminhos semelhantes. O cinema brasileiro, especialmente em gêneros como o terror, tem muito a ganhar com essa ousadia. Resta ao público e à indústria apoiar e valorizar essas iniciativas, garantindo que histórias únicas possam continuar a ser contadas.

Ator Paolla Oliveira posa com expressão tensa em cenário de sobrevivência.
Fonte: redir.folha.com.br | Reprodução

Compartilhe essa reportagem com seus amigos e ajude a promover o cinema nacional!