Romeu Zema ganha destaque nacional ao se posicionar contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e ao se beneficiar da rejeição simultânea a Lula e Bolsonaro. O governador de Minas Gerais, eleito em 2018 e reeleito em 2022, tem usado intensamente as redes sociais para projetar uma imagem de "anti‑STF", atraindo eleitores cansados da polarização política.

Contexto histórico de Minas Gerais na política federal

Minas Gerais sempre foi um "coração" eleitoral decisivo para a vitória presidencial. Desde a República do Café com Leite até a Nova República, sete presidentes mineiros – entre eles Juscelino Kubitschek e Itamar Franco – consolidaram a importância do estado, que hoje representa cerca de 13 % do PIB nacional.

Trajetória de Romeu Zema até a governadoria

Empresário formado pela FGV, Zema entrou na política sem experiência anterior. Em 2018, venceu o segundo turno com 72 % dos votos, derrotando o candidato do PT, e assumiu um governo marcado por dívida pública consolidada de R$ 113,36 bi.

Reeleição em 2022 e manutenção da base

Nas eleições de 2022, Zema garantiu a vitória no primeiro turno com 55 % dos votos. A aprovação ao final do mandato, segundo a Quaest, ficou em 55 % contra 35 % de desaprovação, índices que sustentaram sua candidatura à presidência.

Desafios fiscais e a dívida estadual

A dívida consolidada de Minas saltou para estimativas entre R$ 160 bi e R$ 180 bi ao final de 2026. O aumento foi atribuído a fatores estruturais e à continuidade de projetos de infraestrutura, mas gerou críticas ao "programa liberal" defendido por Zema.

Políticas de isenção fiscal e reajustes salariais

Zema combinou isenções fiscais para empresas (de R$ 13 bi em 2021 para cerca de R$ 23 bi em 2026) com reajustes salariais para servidores. Essa estratégia visou ampliar a base de apoio entre o setor produtivo e o funcionalismo público.

Posicionamento anti‑STF e uso das redes sociais

Desde 2023, o governador tem adotado discurso crítico ao STF, rotulando decisões judiciais como "interferência política". Em suas contas no X (Twitter) e no Instagram, Zema acumula mais de 1,2 milhão de seguidores, ampliando a visibilidade nacional.

Reação dos partidos de oposição

Partidos ligados a Lula e Bolsonaro denunciaram a retórica de Zema como "ultra‑conservadora" e "anti‑democrática". Ambos os blocos buscaram mobilizar seus eleitores contra o governador, mas a estratégia acabou reforçando a imagem de Zema como alternativa ao bipartidarismo.

Desconhecimento e potencial de crescimento nas pesquisas

Segundo levantamento da Datafolha (abril 2026), 51 % dos entrevistados desconhecem Zema. Entre os que o conhecem, 18 % afirmam que votariam nele, enquanto 31 % declararam que não voltariam a apoiá‑lo.

Indicador201820222026 (estimado)
Aprovação55 %55 %55 %
Desaprovação35 %35 %35 %
Dívida (R$ bi)113,36~150160‑180
Isenções fiscais (R$ bi)13~1823

Repercussão no mercado financeiro

Analistas da XP Investimentos observaram que a postura de Zema atraiu investimentos em setores de energia e agronegócio. O aumento das isenções fiscais foi percebido como estímulo ao ambiente de negócios, embora a dívida elevada mantenha cautela entre os investidores institucionais.

Visão de especialistas sobre a ascensão de Zema

  • Prof. Marcos Aurélio (FGV) – "Zema utiliza a narrativa anti‑STF para se diferenciar em um cenário de desgaste dos grandes partidos."
  • Economista Ana Lúcia (Ipea) – "A política fiscal expansionista pode gerar risco de desequilíbrio fiscal se não houver reformas estruturais."
  • Consultor político Carlos Costa – "A popularidade entre servidores públicos e empresários cria um "ponto de equilíbrio" que pode ser explorado em uma candidatura presidencial."

A Visão do Especialista

O próximo passo de Zema dependerá da capacidade de transformar seu discurso anti‑STF em programa de governo nacional. Caso consiga ampliar a base de apoio fora de Minas, poderá posicionar‑se como alternativa ao tradicional bipartidarismo, mas precisará enfrentar a pressão fiscal e a necessidade de alianças parlamentares para viabilizar reformas estruturais.

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