Uma das academias mais luxuosas de São Paulo, a Les Cinq Gym, que já foi o refúgio fitness de celebridades como Marina Ruy Barbosa, Claudia Raia e Reinaldo Gianecchini, está enfrentando uma verdadeira tempestade financeira. Sob a gestão do CEO Rodrigo Sangion, a academia e a rede de lanches Yon, ambas impulsionadas por investimentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e do pastor Fabiano Zettel, estão agora no centro de uma polêmica envolvendo dívidas, fechamento de unidades e investigações judiciais.

Academia de luxo de famosos em crise financeira, com CEO endividado em frente à instalação.
Fonte: redir.folha.com.br | Reprodução

O nascimento de um império fitness de luxo

Fundada em 2014 com um capital social de R$ 100 mil, a Les Cinq Gym foi idealizada por um grupo de personal trainers com a ambição de transformar o cenário fitness paulistano. Com banheiros estilizados como spas e equipamentos de última geração, a academia se tornou um símbolo de sofisticação e exclusividade. O espaço atraiu nomes de peso, tornando-se rapidamente um hotspot para o jet set brasileiro.

Em 2021, a Les Cinq recebeu um investimento milionário de R$ 5 milhões da Super Empreendimentos, empresa ligada a Vorcaro. Esse aporte foi crucial para alavancar o negócio, que também contava com o "Método Sangion", criado pelo CEO Rodrigo Sangion, um ex-fisiculturista que começou sua carreira como personal trainer e conquistou fama no segmento fitness.

Reação da web: de luxo ao "caos financeiro"

Com os escândalos envolvendo o nome de Daniel Vorcaro e a prisão de Fabiano Zettel em março de 2026, as redes sociais reagiram rapidamente. Internautas não perdoaram o que chamaram de "queda do império do fitness de luxo". Memes e críticas lotaram o Twitter, com usuários questionando o modelo de negócios da academia e especulando sobre o envolvimento de celebridades no escândalo.

Enquanto isso, fãs de famosos que frequentavam a academia expressaram surpresa e decepção. "Como a Claudia Raia treinava num lugar assim e ninguém sabia de nada?", questionou um usuário no Instagram.

O papel de Daniel Vorcaro e a conexão com o Master

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que já foi preso por suspeitas de fraudes financeiras, é acusado de usar empresas como a Super Empreendimentos para formalizar contratos fraudulentos. Ele teria injetado recursos na Les Cinq Gym e na Yon, tornando essas marcas parte de uma rede de negócios que agora está sob escrutínio jurídico.

Em 2026, a Les Cinq foi incluída na lista de bens relacionados ao caso Master, um banco liquidado em meio a investigações de fraudes. A Justiça determinou um protesto contra a alienação da participação da Super Empreendimentos na academia, o que praticamente bloqueia a venda de seus bens.

O declínio financeiro de Rodrigo Sangion

Embora tenha conquistado fama como um empreendedor de sucesso, Rodrigo Sangion também viu sua fortuna desmoronar. Em 2025, ele colocou a casa que havia dado aos pais como garantia de um crédito rotativo de R$ 852,7 mil. Além disso, sua empresa, Sangion Group, fechou diversas unidades da Yon, acumulando quase R$ 200 mil em débitos no shopping Center 3, na Avenida Paulista.

Outros sinais de crise financeira incluem protestos de dívidas como R$ 20,9 mil em móveis, R$ 38 mil de IPVA de uma BMW e até R$ 460 de contas de energia atrasadas. Em dezembro de 2025, uma BMW de sua propriedade foi apreendida por decisão judicial devido ao não pagamento do financiamento.

Famosos e o "mito do VIP": polêmica à vista

Apesar de Luiza Castanho, ex-diretora da Les Cinq, ter declarado em 2021 que não eram aceitos clientes VIPs (que treinavam sem pagar), mensagens reveladas nas investigações do caso Master sugerem o contrário. Em uma conversa vazada, Marcelo Cohen, empresário da Befly, teria pedido a Vorcaro que autorizasse a entrada de três mulheres na academia, sem custo algum. Essa contradição colocou em xeque o discurso de sustentabilidade financeira da academia.

O fim da linha para a Yon

A rede de lanches e shakes proteicos Yon, também parte do império de Sangion, não conseguiu sobreviver à crise. Com cinco lojas inicialmente, apenas uma permanecia aberta em 2026, mas estava prestes a fechar as portas. Os problemas financeiros da marca, que já foi apresentada como pioneira no segmento, são um reflexo direto do colapso da Super Empreendimentos e da gestão de seus sócios.

Opiniões do mercado sobre o futuro da Les Cinq

Especialistas do setor fitness são céticos sobre a sustentabilidade da Les Cinq. Uma fonte do mercado afirma que o modelo de negócio da academia é "frágil", especialmente devido à dependência de clientes VIPs e à falta de uma base sólida de assinantes pagantes. "Não dá para sustentar uma operação de luxo com esse tipo de instabilidade", comentou um empresário do setor, sob condição de anonimato.

A Visão do Especialista

O caso da Les Cinq Gym é um exemplo claro de como uma marca pode se perder entre o glamour e a realidade financeira. Embora o conceito de academias de luxo seja promissor, a má gestão financeira e os vínculos com empresários problemáticos, como Daniel Vorcaro, colocaram o futuro da empresa em risco.

Com um faturamento projetado de R$ 18 milhões para 2026, segundo sócios da Les Cinq, ainda há esperança para uma recuperação. No entanto, será necessário um profundo ajuste no modelo de negócios, priorizando a sustentabilidade financeira e a transparência.

Enquanto isso, o mercado fitness brasileiro segue atento. O colapso de um dos empreendimentos mais badalados de São Paulo é um alerta para empresários que buscam unir luxo e negócios. O glamour pode atrair as câmeras, mas não garante a sobrevivência no mercado.

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