O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) enfrenta uma mudança geracional significativa na Câmara dos Deputados com a saída de dois de seus principais nomes: Luiza Erundina e Ivan Valente. A troca de lideranças marca um momento de reestruturação para a sigla, que busca manter sua relevância política e expandir sua atuação no Senado, um terreno desafiador para partidos com perfil ideológico mais restrito.

Contexto histórico: a trajetória de Ivan Valente e Luiza Erundina

Ivan Valente, ex-deputado federal por 29 anos, é uma figura emblemática do PSOL. Fundador do partido e ex-integrante do PT, Valente deixou sua marca ao representar consistentemente os ideais de esquerda no Congresso. Ele é conhecido por sua postura crítica e por nunca ter discursado no lado direito da Câmara, em alinhamento com suas convicções ideológicas.

Luiza Erundina, ex-prefeita de São Paulo e deputada federal por décadas, também anunciou sua saída da Câmara. Com 91 anos, Erundina planeja disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo, mantendo sua atuação política em um novo cenário.

O impacto da cláusula de barreira

O PSOL atualmente ocupa 13 das 513 cadeiras na Câmara dos Deputados. Considerando os parlamentares da federação com a Rede Sustentabilidade, esse número sobe para 16. No entanto, o partido enfrenta o desafio de manter ou aumentar sua representação para evitar os efeitos da cláusula de barreira, que restringe o acesso ao fundo partidário e à propaganda gratuita caso não atinja um percentual mínimo de votos.

Em 2022, o PSOL superou a cláusula de barreira ao alcançar mais do que o dobro do percentual necessário. A meta para 2026 é aumentar sua bancada para 18 cadeiras, consolidando sua presença no Congresso Nacional.

Estratégias para renovação e ampliação

Com a saída de nomes históricos como Erundina e Valente, o PSOL aposta em lideranças mais jovens para atrair novos eleitores. Juliano Medeiros, ex-presidente nacional do partido, e Guilherme Cortez, deputado estadual de 28 anos, são algumas das principais apostas para conquistar espaço na Câmara.

Em São Paulo, as cadeiras do partido estão atualmente ocupadas por Erika Hilton, Sonia Guajajara, Sâmia Bomfim e Luiza Erundina. A expectativa é de que esses nomes, aliados a novos candidatos, ajudem a manter e até expandir a representatividade do PSOL no estado que possui a maior bancada federal.

O desafio do PSOL no Senado

Desde 2015, o PSOL não possui representantes no Senado Federal, após Randolfe Rodrigues deixar o partido para se filiar à Rede Sustentabilidade. Este cenário coloca a Casa como uma prioridade estratégica para 2026, especialmente diante da predominância de partidos de direita, como o PL.

Uma das principais apostas do PSOL para o Senado é Manuela D'Ávila, ex-deputada federal e ex-PCdoB, que se filiou ao partido em dezembro de 2025. Manuela representa uma tentativa de ampliar o alcance do PSOL, especialmente na região Sul do Brasil, onde o partido também aposta no vereador de Florianópolis, Afrânio Boppré.

Investimentos políticos e articulações

Paula Coradi, presidente nacional do PSOL, destacou que a eleição para o Senado será um dos principais campos de batalha em 2026. Segundo ela, a extrema direita deve concentrar esforços nessa disputa, o que exige do partido uma estratégia robusta para viabilizar suas candidaturas.

Nesse sentido, o PSOL tem investido em construir figuras públicas e fortalecer sua base de apoio. A inclusão de lideranças jovens e a aposta em nomes com relevância prévia, como Manuela D'Ávila, são parte dessa estratégia.

Perspectivas para o PSOL

Apesar dos desafios, o PSOL demonstra otimismo em relação ao futuro. A sigla acredita que é possível manter sua independência política e aumentar sua influência no Congresso Nacional. A meta é consolidar sua posição na Câmara, superar os obstáculos da cláusula de barreira e retomar sua presença no Senado.

A Visão do Especialista

Mateus de Albuquerque, cientista político da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), avalia que o PSOL enfrenta dificuldades estruturais no Senado devido ao perfil ideológico do partido. "O PSOL é bem-sucedido em eleições proporcionais, mas encontra barreiras para formar maiorias sociais, como as necessárias no Senado", explica.

Por outro lado, Albuquerque reconhece o potencial da candidatura de Manuela D'Ávila. "Ela é uma figura pública com forte capital político e consegue dialogar com setores da sociedade que vão além do eleitorado tradicional do PSOL", afirma.

Com uma estratégia focada na renovação e na ampliação de sua base eleitoral, o PSOL busca não apenas sobreviver aos desafios impostos pela legislação, mas também se consolidar como uma força política relevante em múltiplos níveis do legislativo brasileiro.

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