A poluição do ar em São Paulo pode aumentar em até 2,5 vezes o risco de internação por doenças renais, segundo um estudo publicado na revista Scientific Reports. Os cientistas cruzaram dados de internações por doenças renais com as concentrações de partículas inaláveis finas na capital paulista.

A pesquisa analisou mais de 37 mil registros de internações por doenças renais na capital paulista entre 2011 e 2021. Os resultados mostram que a exposição prolongada a essas partículas finas pode aumentar o risco de doença renal crônica.
O limite indicado pela OMS para exposição a essas partículas finas é de 15 microgramas por metro cúbico em 24 horas. Em São Paulo, as medições chegam a 65 microgramas por metro cúbico, um valor quatro vezes maior do que o recomendado.

Entenda o impacto da poluição do ar na saúde renal
A chance de desenvolver glomerulopatia, doença que afeta os filtros dos rins e tem natureza imunológica, é cinco vezes maior para homens de até 40 anos quando expostos a altas concentrações das partículas por longos períodos. Isso ocorre porque doenças renais são mais frequentes e mais graves no sexo masculino.
Os rins são os órgãos responsáveis por filtrar o sangue e eliminar substâncias como a ureia, além de regular o equilíbrio de água e sais do corpo. Por isso, tudo que circula pelo sangue passa por eles, inclusive as partículas inaladas do ar poluído.
Quando são depositados no tecido renal, as partículas funcionam como corpo estranho e disparam uma resposta inflamatória. Isso já vai alterar de alguma maneira o funcionamento adequado dos rins.
O que dizem os especialistas?
As internações foram mais concentradas nas regiões mais urbanizadas da cidade, onde o tráfego de carros é mais intenso. A principal fonte das partículas finas em São Paulo é a frota de veículos, que tem cerca de 7 milhões de unidades.
Morar no centro de São Paulo, por exemplo, deveria ser considerado um fator de risco para doenças renais. Segundo as pesquisadoras, tanto a população como os profissionais de saúde ainda não conseguem perceber claramente os perigos da poluição.
A poluição do ar é um problema silencioso e cumulativo, que dificulta que médicos e pacientes estabeleçam a conexão entre o lugar em que vivem e a saúde renal.
Consequências e soluções
No Brasil, faltam monitoramento e políticas de comunicação que traduzam os índices de qualidade do ar em alertas práticos. Em países europeus, sistemas já notificam grupos de risco quando os índices de poluição ou temperatura estão elevados.
As autoras ressaltam que melhorias no transporte público e a redução da frota de veículos em circulação poderiam melhorar a qualidade do ar. Além disso, é preciso que médicos incorporem o contexto ambiental ao diagnóstico.
Enquanto as políticas públicas não avançam, é importante prestar atenção ao índice de qualidade do ar nos dias de maior poluição. Se olhar para o céu e ele estiver nublado ou cinza, talvez seja melhor evitar exercícios ao ar livre, passar mais tempo em casa e até considerar usar uma máscara de proteção.

É fundamental que a população esteja ciente dos riscos da poluição do ar e tome medidas para reduzir a exposição. Compartilhe essa notícia no WhatsApp com seus amigos e familiares para ajudar a conscientizar sobre a importância da qualidade do ar.
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