Fernando Coura, conselheiro da Petrobras, visitou o complexo de Urucu, no Amazonas, e reafirmou a tese "Não há transição, há adição energética". A declaração foi feita durante reunião com gestores locais e imprensa.

O conceito, cunhado por Daniel Yergin no The Economist, propõe que petróleo e gás permanecem como pilares estruturais da matriz por décadas, enquanto as renováveis crescem de forma complementar. Não se trata de substituir, mas de integrar fontes.
Urucu, maior campo de gás natural da Amazônia, produz cerca de 30% da oferta nacional de gás seco. Sua relevância estratégica reforça a argumentação de Coura.
Por que o conceito ganha força entre os executivos?
Petrobras vê na "adição" uma oportunidade de manter fluxo de caixa robusto enquanto investe em energia solar e eólica. O plano de capital de 2026 destina R$ 30 bilhões a projetos híbridos.
Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica, as renováveis já respondem por 30% da geração elétrica do país. O petróleo ainda representa 55% da matriz energética total.
- Segurança de suprimento de longo prazo;
- Redução de emissões ao deslocar parte da demanda para fontes limpas;
- Estímulo a investimentos em infraestrutura de captura e armazenamento de carbono.
Ambientalistas apontam que a estratégia pode atrasar a descarbonização necessária para cumprir o Acordo de Paris. O debate gira em torno da velocidade da transição.
O governo federal, por meio do Plano Nacional de Energia (PNRE) 2025‑2034, incentiva a coexistência de fontes fósseis e renováveis. Subsídios e leilões de energia limpa reforçam a política de "adição".
Quais são os impactos econômicos imediatos?
O investimento anunciado pela Petrobras deve gerar cerca de 5 mil empregos diretos na região amazônica. A cadeia de suprimentos inclui fornecedores de equipamentos e serviços logísticos.
Empresas como a ArcelorMittal adotam tecnologia de eficiência energética que complementa a produção de aço com energia renovável. O modelo pode servir de referência para setores intensivos em energia.
Analistas alertam que a dependência continuada do petróleo pode tornar o país vulnerável à volatilidade dos preços internacionais. A diversificação é vista como mecanismo de mitigação.
O que acontece agora?
Petrobras planeja ampliar a capacidade de extração em Urucu em 20% até 2030, simultaneamente instalando parques solares nos terrenos da própria concessão. O projeto está em fase de licenciamento ambiental.
O Conselho de Administração seguirá monitorando indicadores de emissões e competitividade, preparando relatórios trimestrais para acionistas. Transparência será crucial para validar a estratégia.
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