Associados da AMIES alertam que o Enamed representa apenas 20 % dos parâmetros que medem a qualidade dos cursos de medicina. Em entrevista ao CB.Poder, o consultor jurídico Esmeraldo Malheiros reforça que o exame avalia somente o desempenho individual dos estudantes.

Enamed: Mantenedores questionam se exame garante qualidade da medicina.
Fonte: www.correiobraziliense.com.br | Reprodução

O Enamed é a versão médica do Enade, criado em abril de 2025. A prova foi aplicada em outubro de 2025, com resultados divulgados entre dezembro e janeiro, e integra o Sistema Nacional de Avaliação.

Segundo a AMIES, usar o Enamed como único critério de qualidade equivale a analisar apenas uma parcela da realidade acadêmica. A entidade destaca que o exame compõe apenas um quinto dos indicadores oficiais.

Enamed: Mantenedores questionam se exame garante qualidade da medicina.
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O que os especialistas apontam sobre a avaliação?

Qualidade de um curso de medicina depende de múltiplos fatores. Para aferir o ensino, é preciso observar:

  • Corpo docente qualificado e titulação;
  • Infraestrutura de laboratórios e hospitais universitários;
  • Produção científica e projetos de pesquisa;
  • Convênios com unidades de saúde e campos de prática;
  • Taxas de aprovação e de evasão estudantil.

A metodologia do Enamed foi definida apenas após a aplicação da prova. Essa retroatividade gerou mudança de parâmetros, elevando a nota de corte de cinco para seis.

A disparidade de notas entre instituições desperta preocupação. Enquanto algumas faculdades alcançaram conceitos máximos, outras obtiveram notas duas, apesar de histórico superior no Enade.

Sem a contextualização desses dados, políticas públicas podem ser distorcidas. Sanções ou incentivos baseados exclusivamente no Enamed podem penalizar instituições que apresentam bons resultados em outros indicadores.

Qual a repercussão no cenário educacional?

O debate sobre o Enamed influencia decisões de financiamento e credenciamento. Órgãos reguladores consideram o exame ao definir recursos e ao validar novos cursos.

A AMIES também questiona a expansão de instituições municipais que cobram mensalidades sem aprovação do MEC. A ADPF 1247, ajuizada pela associação, busca coibir essa prática que fere a concorrência leal.

O ministro Flávio Dino concedeu liminar que impede a abertura de novos cursos por essas entidades. Os cursos já existentes permanecem, garantindo a proteção dos estudantes matriculados.

O MEC acompanha as mudanças e pressiona por maior transparência nos critérios de avaliação. A secretaria destaca a necessidade de um sistema integrado que combine Enamed e demais indicadores.

O que acontece agora?

Uma segunda edição do Enamed está programada para 2027. A AMIES solicita que a metodologia seja estabelecida previamente, evitando alterações retroativas.

  • Revisão dos pesos atribuídos a cada indicador;
  • Publicação antecipada dos critérios de pontuação;
  • Integração dos resultados com avaliações de infraestrutura e pesquisa;
  • Monitoramento contínuo por comissões independentes.

Enquanto isso, as instituições devem focar na melhoria de seus laboratórios, corpo docente e projetos de extensão. Essas ações fortalecem a qualidade acadêmica além do desempenho dos estudantes.

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