Com o avanço das obras de duplicação da BR-262 no Espírito Santo, cerca de 1.500 imóveis serão desapropriados ao longo dos 180,6 km de rodovia que receberão intervenções. Estimativas indicam que o número pode variar entre 1.200 e 1.500 propriedades, conforme informações de especialistas e fontes técnicas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

O que está em jogo?

O projeto de duplicação da BR-262 é parte de um esforço nacional para modernizar a infraestrutura rodoviária. A rodovia é um eixo estratégico que conecta o Espírito Santo ao Sudeste de Minas Gerais e ao Centro-Oeste do Brasil, promovendo integração econômica e logística. O orçamento total da obra é de R$ 8,6 bilhões, dividido em duas fases, sendo a primeira financiada com recursos públicos.

Impactos da desapropriação

O processo de desapropriação será iniciado após a publicação da Declaração de Utilidade Pública (DUP), que estabelece as áreas que serão utilizadas para a obra. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) conduzirá medições, avaliações e laudos técnicos para oferecer compensações financeiras aos proprietários.

Segundo Marcelo Devens, advogado especializado no tema, a maioria das desapropriações é resolvida judicialmente, embora o Dnit busque acordos extrajudiciais. Propriedades situadas na faixa de domínio da rodovia, pertencente à União, também serão indenizadas caso apresentem construções.

Um projeto de grande escala

A duplicação da BR-262 prevê uma série de melhorias de infraestrutura, incluindo:

  • 50 viadutos e passagens inferiores
  • 28 pontes
  • 9 passarelas para pedestres
  • 4 túneis, totalizando 2.012 metros
  • 40 quilômetros de ciclovias

Fases e cronograma

O projeto foi dividido em cinco lotes, abrangendo diferentes trechos da rodovia. A primeira fase, que vai até o entroncamento com a ES-484 em Conceição do Castelo, será financiada por recursos públicos. Já a segunda fase, que segue até a divisa com Minas Gerais, será executada em regime de concessão.

Lote Trecho Extensão
1 Km 15,9 a Km 50,8 34,9 km + 28,8 km (restauração)
2 Km 50,8 a Km 86,9 36,1 km
3 Km 86,9 a Km 120,9 34,0 km
4 Km 120,9 a Km 157,0 36,1 km
5 Km 157,0 a Km 196,0 39,0 km

Licenciamento ambiental e desafios

O licenciamento ambiental, essencial para o início das obras, foi solicitado pelo Dnit em março de 2026. Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes), a licença prévia está prevista para ser obtida em 2027, o que marca o início efetivo da construção.

Essa etapa é crucial para garantir que as intervenções sejam conduzidas de forma sustentável, minimizando os impactos ambientais e sociais.

Benefícios esperados

Entre os principais impactos positivos, destacam-se:

  • Redução no tempo de viagem e maior regularidade no fluxo para os portos capixabas
  • Maior competitividade para setores como rochas, alimentos, café e madeira
  • Fortalecimento da integração com o mercado mineiro, aumentando o aproveitamento de cargas de retorno

A Visão do Especialista

Embora o projeto traga benefícios significativos para a economia e a logística regional, os desafios relacionados à desapropriação e ao licenciamento ambiental não devem ser subestimados. O impacto sobre os proprietários dos imóveis desapropriados demanda atenção especial, garantindo que os processos sejam conduzidos com transparência e justiça.

Além disso, o cumprimento rigoroso dos prazos de licenciamento e execução será essencial para evitar atrasos e sobrecustos. Com um orçamento robusto e o apoio de recursos provenientes do acordo de Mariana (MG), o sucesso do projeto depende de gestão eficiente e planejamento estratégico.

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