Em 5 de maio de 2026, a faixa de pedestres do Distrito Federal celebra 29 anos, mas usuários denunciam que a sinalização está desgastada, pouco visível e carece de manutenção urgente. O marco, reconhecido como símbolo da cidadania no trânsito brasiliense, tem sido alvo de reclamações que apontam riscos reais à segurança de pedestres.

Faixa de pedestres em cidade movimentada, com pessoas caminhando e carros passando ao lado.
Fonte: www.correiobraziliense.com.br | Reprodução

Contexto histórico da sinalização zebrada no DF

Desde 1997, o governo do Distrito Federal adotou a política de priorizar o pedestre, institucionalizando a faixa zebrada como elemento central da mobilidade urbana. Essa iniciativa nasceu da necessidade de reduzir os alarmantes índices de atropelamento que, na década de 1990, superavam 250 mortes anuais.

Redução de fatalidades e evolução dos indicadores

Faixa de pedestres em cidade movimentada, com pessoas caminhando e carros passando ao lado.
Fonte: www.correiobraziliense.com.br | Reprodução

Os números do Detran-DF mostram uma queda de 69% nas mortes por atropelamento entre 1996 (266 óbitos) e 2025 (82 óbitos). Esse progresso está diretamente associado à expansão das faixas e ao fortalecimento da cultura de respeito ao pedestre.

Crescimento da frota e pressão sobre a infraestrutura

Entre 1996 e 2025, a frota de veículos em Brasília aumentou 256%, passando de 605 mil para quase 2,5 milhões. Apesar do crescimento, a taxa de mortalidade continuou em declínio, evidenciando a eficácia das faixas quando mantidas em condições adequadas.

Vozes dos usuários: relatos de vulnerabilidade

Marina Barbosa, coordenadora pedagógica em Vicente Pires, descreve a faixa apagada que obriga motoristas a frear bruscamente sobre pedestres, colocando crianças em risco. Maria dos Remédios, 73 anos, relata faixas abandonadas que geram sensação de abandono, enquanto o comerciante Antônio Allan destaca a falta de iluminação na QNL 8, dificultando a travessia noturna.

Problemas de manutenção e visibilidade

A degradação da pintura, a ausência de recarga de iluminação e a falta de inspeções regulares transformam a faixa em um "contrato visual" quebrado. Estudos apontam que a visibilidade reduzida à noite aumenta em até 45% a probabilidade de colisões envolvendo pedestres vulneráveis.

Investimentos recentes do DER-DF

AnoFaixas revitalizadasInvestimento (R$)Mortes por atropelamento
2023112620 00094
2024138710 00088
2025165780 00082

Em 2025, o DER-DF destinou R$ 780 mil para revitalização de 165 faixas, mas a demanda supera em muito a capacidade de manutenção. O ritmo de desgaste supera o cronograma de repintura, gerando lacunas críticas.

Perspectiva acadêmica: o contrato visual entre motorista e pedestre

De acordo com a Profa. Dra. Zuleide Feitosa, da UnB, a faixa de pedestres funciona como um "contrato visual" que regula o fluxo e reduz conflitos. Quando esse contrato é violado por sinalização deficiente, motoristas tendem a subestimar o risco e pedestres buscam travessias improvisadas.

Impacto da iluminação e condições climáticas

Pesquisas da UnB revelam que a falta de iluminação aumenta a vulnerabilidade em até 30% durante chuvas ou noites sem luz. A combinação de pintura desgastada e postes apagados cria "zonas negras" que comprometem a segurança de idosos e crianças.

Eficácia comprovada das faixas bem mantidas

Estudos internacionais indicam que faixas bem sinalizadas reduzem os atropelamentos entre 25% e 40%. No DF, áreas com revitalização contínua apresentaram queda de 33% nos acidentes comparadas a regiões com sinalização abandonada.

Recomendações de políticas públicas

  • Implementar inspeções trimestrais de pintura e iluminação.
  • Adotar tintas refletivas de alta durabilidade, reduzindo a necessidade de repintura anual.
  • Integrar sensores de presença em postes para ativar iluminação automática nas faixas.
  • Ampliar campanhas de conscientização dirigidas a motoristas sobre a importância do respeito à faixa.

Essas medidas, combinadas a um orçamento adequado, podem garantir que a faixa de pedestres cumpra seu papel de pilar da cidadania por mais décadas.

A Visão do Especialista

Para a Profa. Zuleide Feitosa, o futuro da segurança viária no DF depende de uma abordagem sistêmica que una manutenção, tecnologia e fiscalização. Ela alerta que, sem investimento constante, a eficácia das faixas tende a decair, revertendo os ganhos alcançados nos últimos 30 anos. O especialista recomenda que o poder público estabeleça um plano de manutenção preventiva de longo prazo, priorizando corredores com alta circulação de pedestres e vulneráveis, como escolas e hospitais.

Faixa de pedestres em cidade movimentada, com pessoas caminhando e carros passando ao lado.
Fonte: www.correiobraziliense.com.br | Reprodução

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