Augusto Nardes alertou que, sem governança, o Brasil caminha para o colapso. Em entrevista exclusiva ao Correio Braziliense, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) descreveu o cenário de descoordenação entre ministérios, órgãos e entes federados que impede a entrega eficaz de serviços públicos essenciais.

Contexto histórico da governança no Brasil
Desde a década de 1990, o país tenta consolidar mecanismos de controle interno. A Constituição de 1988 trouxe o princípio da administração pública eficiente, mas a prática ficou aquém, sobretudo durante os governos de transição pós-ditadura, quando a falta de integração institucional gerou desperdício de recursos.
Quem é Augusto Nardes?

Ministro do TCU desde 2005, ex‑presidente da Corte (2013‑2014), Nardes é referência em auditoria operacional. Formado em Comunicação Social, com MBA em Marketing, ele liderou a implantação de auditorias voltadas à prevenção de falhas e à avaliação de resultados de políticas públicas.
Diagnóstico da coordenação intergovernamental
Segundo Nardes, a ausência de um centro de governo impede que recursos cheguem à população. Falhas na atenção primária à saúde, no monitoramento do Bolsa Família e na execução de obras públicas são sintomas de um sistema que não conversa consigo mesmo.
Dados alarmantes das auditorias recentes
O TCU revelou números que comprovam a crise de governança. Abaixo, alguns indicadores críticos:
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Execução de recursos no DF | 58 % |
| Jovens não localizados | 5 milhões |
| Crianças do Bolsa Família sem acompanhamento de saúde | 7,3 milhões |
| Instituições auditadas pelo TCU | ≈ 380 |
Repercussão no mercado financeiro
Investidores internacionais observam a fragilidade da governança como risco soberano. Agências de rating reduziram projeções de crédito para o Brasil, citando a incapacidade de monitorar despesas e de antecipar crises fiscais, o que eleva o custo do capital para empresas brasileiras.
Modelos internacionais de referência
Países como Alemanha, Japão e Estados Unidos mantêm centros de governo permanentes. Esses órgãos centralizam indicadores de desempenho, facilitam a tomada de decisão baseada em dados e evitam a "súbita mudança de rota" típica dos ciclos eleitorais brasileiros.
Proposta de um Centro de Governo na Casa Civil
Nardes defende a criação de um órgão de monitoramento e integração de políticas públicas. O Centro de Governo reuniria representantes de saúde, educação, finanças e previdência para sincronizar metas, indicadores e recursos, reduzindo a sobreposição de esforços.
Desafios políticos e institucionais
O atual governo ainda não avançou plenamente na institucionalização da proposta. Apesar de reuniões com o ministro Rui Costa, a resistência de atores que temem perda de autonomia setorial dificulta a consolidação de uma cultura de governança de Estado.
Resultados das auditorias operacionais
Desde 2012, as auditorias reduziram obras paradas de 14 mil para cerca de 9 mil. A criação da Secretaria de Consensualidade acelerou decisões, evitando perdas de valor nos investimentos públicos.
Risco financeiro e a Previdência
Falhas no Banco de Brasília e no Banco Master ilustram a vulnerabilidade do setor financeiro. O TCU também detectou irregularidades no crédito agrícola, apontando a necessidade de controles de risco mais robustos para proteger a estabilidade econômica.
Opiniões de especialistas
- Prof. Marcos Silva (Economia) – "A governança é a espinha dorsal da política fiscal; sem ela, a dívida pública se torna insustentável."
- Dra. Ana Lúcia (Saúde Pública) – "A falta de integração de dados impede a atenção primária de identificar quem realmente precisa de cuidados."
- Consultor Pedro Almeida (Investimentos) – "A percepção de risco aumenta quando não há transparência nos fluxos de recursos."
A Visão do Especialista
Sem um Centro de Governo forte, o Brasil corre o risco de transformar metas em meras declarações de papel. A longo prazo, a ausência de governança coordenada pode gerar um efeito cascata de ineficiência, corroendo a confiança da população e dos investidores, e comprometendo a sustentabilidade da Previdência e dos serviços essenciais. A solução passa por institucionalizar a gestão de riscos, garantir a transversalidade dos dados e criar uma cultura de planejamento estratégico que ultrapasse os ciclos eleitorais.

Compartilhe essa reportagem com seus amigos.
Discussão