A repórter Alice Ribeiro, de 35 anos, teve sua morte encefálica confirmada na noite desta quinta-feira (16), no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. Alice estava internada em estado grave desde quarta-feira (15), após o veículo da Band Minas em que ela estava colidir frontalmente com um caminhão na BR-381, na altura de Sabará, Região Metropolitana da capital mineira. A jornalista sofreu traumatismo craniano e múltiplas fraturas, sendo transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permaneceu em coma até o protocolo médico confirmar a morte encefálica.

O Acidente na BR-381

O trágico acidente ocorreu na tarde de quarta-feira (15), enquanto a equipe da Band Minas retornava a Belo Horizonte após a realização de uma reportagem sobre a importância da duplicação da BR-381, uma das rodovias mais perigosas do Brasil. O veículo de reportagem colidiu frontalmente com um caminhão, deixando duas vítimas.

No local do acidente, o repórter cinematográfico Rodrigo Lapa, de 49 anos, que conduzia o automóvel, morreu instantaneamente. Alice Ribeiro foi resgatada em estado grave e levada ao Hospital João XXIII, onde os esforços médicos não conseguiram reverter a gravidade de seu quadro.

Quem eram as vítimas

Alice Ribeiro, natural de Belo Horizonte, era formada em Jornalismo pela PUC Minas desde 2015. Com uma carreira sólida, Alice passou por veículos como TV Globo Minas, TV Alterosa e RecordTV Minas antes de ingressar na Band. Desde 2021, ela atuava em Brasília e, em agosto de 2024, foi transferida para a Band Minas, onde desempenhava papel de destaque na cobertura de pautas regionais e nacionais. Alice era casada e mãe de um bebê de apenas oito meses.

Rodrigo Lapa, natural de Porto Alegre, tinha 49 anos e era uma figura querida no meio jornalístico e artístico. Além de sua atuação como repórter cinematográfico, ele também realizava atividades como palhaço, levando alegria a crianças hospitalizadas. Rodrigo deixa esposa e uma filha de seis anos. Após um período fora da Band Minas, ele havia retornado à emissora em dezembro de 2025.

Investigações em andamento

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) abriu inquérito para apurar as circunstâncias do acidente. Peritos estiveram no local para coletar vestígios que possam esclarecer as causas da colisão. Segundo informações preliminares, a BR-381, conhecida como "Rodovia da Morte", apresenta histórico de acidentes graves devido ao tráfego intenso e à precariedade de sua infraestrutura.

O carro de reportagem envolvido no acidente foi encaminhado para perícia, e o laudo técnico será fundamental para determinar se houve falha mecânica, imprudência ou outro fator que tenha contribuído para a tragédia.

Repercussão e comoção

A morte de Alice Ribeiro e Rodrigo Lapa gerou profunda comoção entre colegas de profissão e autoridades. Em nota, a Band Minas lamentou a perda dos profissionais e reforçou o compromisso de prestar total assistência às famílias das vítimas. Nas redes sociais, jornalistas, amigos e telespectadores manifestaram suas condolências e lembraram o profissionalismo e a dedicação de Alice e Rodrigo.

O impacto da tragédia na BR-381

O acidente reacendeu o debate sobre a segurança na BR-381, uma das rodovias mais perigosas do Brasil, com altos índices de acidentes fatais. A duplicação da estrada, uma demanda antiga da população e de autoridades, ainda não foi concluída, mesmo após diversas promessas governamentais.

Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) indicam que, somente em 2025, foram registrados 1.185 acidentes na BR-381, resultando em 132 mortes. A precariedade da rodovia, combinada ao tráfego intenso de caminhões, torna o trecho especialmente arriscado.

Histórico de promessas de duplicação

O projeto de duplicação da BR-381 remonta à década de 1990, mas enfrenta sucessivos adiamentos. Em 2026, apenas 56% das obras previstas foram concluídas, enquanto o restante segue em fase de licitação ou paralisado por entraves judiciais e falta de recursos.

Doação de órgãos e solidariedade

A família de Alice Ribeiro anunciou a decisão de doar seus órgãos, um ato de solidariedade que pode salvar vidas. A iniciativa foi elogiada por colegas e autoridades como um gesto inspirador em meio à tragédia. O Hospital João XXIII já iniciou os procedimentos necessários para viabilizar as doações.

A despedida

O corpo de Rodrigo Lapa foi velado e sepultado nesta quinta-feira (16), no Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte. Já os preparativos para o velório e sepultamento de Alice Ribeiro ainda não foram divulgados pela família.

A Visão do Especialista

A trágica perda de Alice Ribeiro e Rodrigo Lapa evidencia, mais uma vez, os riscos enfrentados diariamente pelos profissionais de imprensa que atuam em campo. Além disso, reacende o alerta sobre a necessidade de investimentos em infraestrutura rodoviária no Brasil, especialmente em trechos críticos como a BR-381.

Para especialistas em segurança viária, a conclusão das obras de duplicação da BR-381 é urgente para reduzir acidentes fatais. Segundo o engenheiro de transporte Luiz Fernando Almeida, "a situação da rodovia é alarmante, e intervenções estruturais, como a duplicação e a melhoria da sinalização, são medidas imprescindíveis para salvar vidas".

A cobertura jornalística em locais de risco também é motivo de preocupação. Conforme aponta a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), é fundamental que as empresas de comunicação priorizem protocolos de segurança para suas equipes em trânsito, a fim de minimizar riscos em coberturas externas.

A tragédia na BR-381 deixa um alerta urgente para a sociedade e para as autoridades: a necessidade de ações concretas para evitar novas perdas de vidas e garantir a segurança dos profissionais que se dedicam a informar o público.

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